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O Som e a Fúria

Letra e música

Que o lagarto rei e o maluco beleza possam reverberar para sempre

Publicado em 22/10/2023 9:40 - Felipe Chaves

Divulgação Pixabay

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Não sei exatamente quando a arte de fazer letras se tornou a coisa mais incrível do mundo para mim. Essa alquimia de misturar poesia com música me arrebatou instantaneamente. Em que momento tudo isso começou? Talvez, tenha sido quando ganhei do meu tio uma fita K7 do Raul Seixas.

Sempre considerei o ofício de compositor uma magia muito mais surpreendente do que qualquer truque do David Copperfield ou do Mister M. Até hoje acho muito mais interessante o Armstrong que escreveu “What a wonderful world”, do que aquele outro, com o mesmo sobrenome, que pisou na lua pela primeira vez.

No final do ano letivo, depois de ter tomado mais uma bomba na escola, como de costume, fui veranear na casa dos meus avós, em Tramandaí. Meu primo, assim que me viu por lá, me fez a seguinte pergunta:

‘Conhece The Doors?’.

Pra não passar por inexperiente respondi: ‘Já ouvi falar…’.

‘Já viu o filme que conta a história deles?’

‘Não todo…’.

‘Quer assistir?’

Não me recordo se ele tinha uma cópia pirata, ou se tinha alugado e nunca devolvido a fita, tendo em vista que, até hoje é a banda favorita dele (desculpe Rodrigo, a minha continua sendo os Beatles). Fomos ver esse filme na casa da tia Mara. Eles trabalhavam a tarde, portanto a residência estaria à mercê desses delinquentes infanto juvenis.

O único empecilho era a cachorra deles (mistura de fila brasileiro com satanás). Ela era tão braba que, certa vez outro primo nosso preferiu mergulhar de cabeça numa janela de vidro do que encarar aquela besta fera. Por sorte, naquele dia ela estava presa no canil.

Para quem nunca assistiu “The Doors – O filme”, trata-se de um cinebiografia dirigida pelo ótimo Oliver Stone. Val Kilmer faz brilhantemente o papel de Jim Morrison, e Meg Ryan interpreta Pamela Courson, grande amor da vida do Jim (me perdoem o sincericídio, mas só de lembrar da Meg sinto nascer calos e o medo de criar pelo nas mãos).

Foi a primeira vez que tive contato com esse “lado B” da música. A película retrata com muita exatidão a escalada ao sucesso, shows lotados em grandes arenas, Sex & Drugs & Rock and Roll, até a derrocada do grande artista, e sua morte aos 27 anos.

Saí da nossa sessão de cinema atônito, corri até a casa dos meus avós, catei um violão Del Vecchio que ficava abandonado por lá, e fiquei tentando tocar a noite inteira, até hoje continuo tentando.

O Rodrigo se tornou muito mais que um primo, um irmão que a vida me deu. Formamos “uma rica dupla”, nunca experimentamos nenhuma droga, mas fizemos várias músicas, algumas tão boas quanto Lennon e McCartney (mentira, verdade, exagero ou fake news?).

Que o lagarto rei e o maluco beleza possam reverberar para sempre habitando nossas playlists, e que os compositores continuem cantando sobre suas musas, loucuras, suas dores e seus amores.

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Felipe Chaves


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Uma resposta para “Letra e música”

  1. Lucia Maria knebel disse:

    Adorei ❤️ maravilhoso

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