24/05/2024 - Edição 540

Agromundo

Lavoura de soja vai quase dobrar em 20 anos e chegar a 25 vezes área de arroz e feijão, aponta estudo

Crescimento da produção do grão está relacionado a demanda chinesa e põe em risco segurança alimentar do país

Publicado em 13/09/2023 11:08 - Vinicius Konchinski - Brasil de Fato

Divulgação Foto: José Medeiros / Sudeco

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A área ocupada por lavouras de soja no Brasil deve atingir, em 2033, 55 milhões de hectares –cerca de 85% a mais do que ocupava em 2013. Nesse mesmo período, a área dedicada à plantação de arroz e feijão cairá 61% e passará a somar 2,2 milhões de hectares.

Isso quer dizer que, daqui a dez anos, haverá 25 vezes mais terra no país ocupada por plantações de soja do que por lavouras de arroz e feijão, juntos.

As previsões constam do estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2022/23 a 2032/33, feito pela Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ele foi publicado em julho.

O estudo traz um panorama da produção agrícola nacional e balizam investimentos públicos em pesquisa agrícola no país.

De acordo com ele, a produção de grãos no Brasil deverá aumentar 24% em dez anos, chegando perto de 390 milhões de toneladas na safra 2032/2033. O crescimento se dará, principalmente, por conta da produção de soja, que já é o que mais se planta no país.

“As previsões apontam para a manutenção da tendência de produção para a exportação. Isso tem a ver com o crescimento da China, que demanda cada vez mais alimentos”, explicou Walter Belik, professor titular aposentado de Economia Agrícola do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Belik também é diretor do Instituto Fome Zero e presidente da Associação Prato Cheio.

Dentre os grãos, entretanto, a produção de arroz e feijão cairá até 2033 –2% e 5%, respectivamente. Isso acontecerá porque a área plantada das duas culturas cairá 66% e 36%, também respectivamente, numa década.

As lavouras de arroz, por exemplo, ocupavam 2,3 milhões de hectares em 2013. Nesta safra, passaram a ocupar 1,4 milhão de hectares. Em 2033, serão de 489 mil hectares –queda total de 79% em 20 anos.

O feijão ocupava 3,3 milhões de hectares em 2013. Nesta safra, baixou a 2,7 milhões de hectares. Em 2033, serão de 1,7 milhão hectares –queda 48%.

O consumo de feijão vem caindo. O consumidor brasileiro come cada vez menos feijão”, acrescentou Belik. “Já o arroz está com consumo estagnado, mas há anos que temos que importar do Uruguai.”

Rumo à monocultura

Belik disse que, independentemente das tendências de consumo, o crescimento da soja e a queda do arroz e feijão preocupam. “Isso é ruim. Temos uma diversidade cada vez menor de culturas à disposição do brasileiro”, afirmou. “Fora a dependência que temos do mercado externo, para onde vai toda essa soja.”

Para Belik, o governo precisa aumentar o incentivo para a produção de alimentos e a agricultura familiar.

Diego Moreira, da coordenação nacional do setor de produção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), também pede mais incentivos. “O governo brasileiro precisa recolocar o Estado em defesa dos interesses nacionais. Entre eles, está o interesse no combate à fome e na defesa da nossa população”, afirmou.

“O modelo hegemônico do agronegócio reforça a produção de matéria-prima. O aumento da área plantada de milho e soja para exportação coloca em risco a segurança alimentar da população”, acrescentou.

Plano Safra

O governo federal anunciou em junho um Plano Safra para Agricultura Familiar com valores recordes. O programa destinará R$ 71,6 bilhões em crédito rural para fomento ao trabalho de pequenos produtores durante a safra 2023/2024 – 34% a mais do que na safra anterior.

Essa parte do Plano Safra terá incentivos extras para produção de alimentos e, principalmente, para produção de orgânicos.

Também em junho, porém, governo anunciou um Plano Safra de R$ 364,2 bilhões à agricultura convencional –crescimento de 27% com relação ao da safra anterior.

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Equipe Semana On

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