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Ponte Aérea
As redes sociais podem ter sua serventia, mas no cômputo geral são talvez a pior invenção da humanidade
Publicado em 01/08/2024 3:56 - Raphael Tsavkko Garcia
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Muitos anos atrás, eu e outros tantos que estudamos internet, achávamos que as redes sociais tinham como ponto positivo permitir a comunicação multidirecional e o surgimento de múltiplas vozes.
O que acreditávamos, porém, que esse espaço público (no sentido Habermasiano) serviria como foro de debates e entendimento. Que as diferenças poderiam ser, senão sanadas, ao menos colocadas para debate.
O que vemos é exatamente o contrário. Uma espécie de hobbesianismo onde as instituições falham terrivelmente na mediação e controle das massas cada vez mais burras, com opiniões cada vez mais estúpidas e sem qualquer vergonha de expressar a mais completa e pura ignorância.
Estamos diante da morte da expertise, do conhecimento, da educação. Qualquer “analista” de tik tok que diz o que você quer ouvir tem mais alcance, cliques e “relevância” nesse mundo distópico, nessa idiocracia, do que um analista político conceituado, um PhD que se dedica a pesquisar a fundo um tema.
Opiniões tiradas diretamente do nada (para não usar um palavrão) tem muito mais alcance e relevância e são usados como referência séria até o ponto em que não faz sequer sentido discutir, porque sempre haverá alguma opinião burra pra validar uma visão ainda mais burra sobre basicamente qualquer tema.
As redes sociais podem ter sua serventia, mas no cômputo geral são talvez a pior invenção da humanidade.
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RAPHAEL TSAVKKO GARCIA
É jornalista, editor e Ph.D em Direitos Humanos pela Universidade de Deusto.
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