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Ponte Aérea
Metade do bandidos do 8 de janeiro teve chance de fazer acordo e não ir em cana
Publicado em 24/03/2025 10:14 - Raphael Tsavkko Garcia
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Só lembrando que pelo menos mil bandidos de 8 de janeiro tiveram a chance de fazer acordo e não ir em cana. Metade recusou. Antes de ter pena lembrem-se, são radicais perigosos, fanáticos que não se arrependem de tentar dar golpe.
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“Ah, coitados, não sabiam o que tavam fazendo”.
Sabiam. E não se arrependem. Que paguem pelo crime. Com batom e tudo.
E outra, o STF tá dando PENA MÍNIMA pros golpistas. Só que tão somando as penas mínimas de vários crimes. De organização criminosa a golpe de Estado, dano, abolição violenta do Estado de direito, etc. Mas em geral com penas MÍNIMAS. Só que você soma….
Em resumo, você tem crimes graves MAS cometidos por gente retardada e radical que não necessariamente representam aquele perigo individualmente (mas que coletivamente efetivamente tentaram dar um golpe), que o STF acredita que dá pra desradicalizar – o que o STF estava tentando com o curso sobre democracia, mantendo os radicais longe das redes, etc.
Os que aceitaram legal, os que não, bem, aí soma-se as penas e vão se dar mal.
Não é como se o STF estivesse pesando a mão de propósito, estão dando pena mínima, só que para vários crimes. Os golpistas estão se dando mal na somatória e não tem o que fazer. Vão pagar pelo que fizeram e por serem radicais ao ponto de recusar acordo.
OPOSIÇÃO E MÍDIA
A mídia brasileira tem dois problemas fundamentais: Em primeiro lugar, entender que seu papel é SEMPRE ser oposição aos que estão no poder – mas, claro, uma oposição decente, capaz de reconhecer o que é certo, o que é correto e bem feito, capaz e disposta a criticar com argumentos decentes e de fato defender a democracia, a imprensa livre, os direitos humanos e o progresso.
Nas palavras do Millôr Fernandes, “a imprensa é oposição. O resto é um armazém de secos e molhados”.
Em segundo lugar, quando tenta entender a primeira grande questão e se comportar de fato como oposição, é raro que a imprensa entenda que ser uma força de oposição não significa apoiar a oposição legislativa ou o partido de oposição, mas ser uma oposição em si, independente, com opinião própria, posição política e posicionamento próprios.
Entender como é difícil para a imprensa se comportar como, bem, a imprensa, nos ajuda a entender por que a democracia brasileira está sempre em uma situação tão ruim, no meio de uma crise e em um ponto de ruptura, com ambos os lados da polarização acusando a imprensa de ser tendenciosa e de apoiar o outro lado e, em geral, de não ser confiável.
Não que os polos me disputa não sejam em geral estúpidos, mas a imprensa não ajuda (a si e à democracia).
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RAPHAEL TSAVKKO GARCIA
É jornalista, editor e Ph.D em Direitos Humanos pela Universidade de Deusto.
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