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Agromundo
Técnica busca manter produtividade diante das mudanças climáticas
Publicado em 04/02/2026 7:52 - Sérgio Pedra
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Ondas de calor cada vez mais frequentes têm pressionado a produção agrícola ao longo do ano, afetando culturas estratégicas como a soja. Para enfrentar esse cenário, pesquisadores brasileiros avançam no desenvolvimento de variedades mais resistentes às altas temperaturas sem abrir mão da produtividade. O caminho escolhido é a edição gênica — uma técnica que permite intervenções precisas no DNA da própria planta.
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Diferentemente do melhoramento tradicional, baseado em sucessivos cruzamentos entre plantas, a edição gênica atua diretamente nos genes de interesse. Na prática, os cientistas identificam características desejáveis — como tolerância ao calor ou à seca — presentes em determinadas variedades de soja e as introduzem em outras linhagens com maior potencial produtivo. Todo o processo ocorre dentro da mesma espécie, apenas combinando genes que já existem naturalmente.
Essa abordagem distingue-se da transgenia, método no qual há a transferência de genes entre espécies diferentes, como a inserção de material genético de bactérias em plantas. Na edição gênica, não há essa “mistura” interespécies, o que torna o procedimento mais específico e direcionado.
Além de ampliar a resistência da cultura ao estresse térmico, a principal vantagem da técnica está no tempo. Enquanto o melhoramento convencional pode levar cerca de 15 anos até gerar uma nova cultivar estável, a edição gênica reduz esse prazo para até dois anos. A estimativa é do agrônomo Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma das instituições à frente dessas pesquisas no país.
Como funciona a edição do DNA da soja
O processo começa com a seleção criteriosa das variedades que servirão de base para o estudo. A partir delas, os pesquisadores coletam folhas da planta e utilizam nitrogênio líquido para romper as células, liberando o DNA.
Com o material genético isolado, os cientistas analisam o genoma em busca dos genes associados às características desejadas. Uma vez identificado, o gene de interesse é recortado e inserido na variedade escolhida para receber a modificação. O resultado é uma nova linhagem de soja, desenvolvida de forma mais rápida e com atributos ajustados às exigências climáticas atuais.
Em um contexto de mudanças climáticas e pressão por produtividade, a edição gênica surge como uma ferramenta estratégica para garantir a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro.
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SÉRGIO PEDRA
É agrônomo e pequeno produtor rural em Mato Grosso.
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