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Agromundo

Discurso de Flávio Bolsonaro contrasta com ações do governo Lula em favor do agronegócio

Senador acusa Planalto de hostilidade, mas medidas recentes e articulações internacionais indicam apoio institucional e incentivo ao setor

Publicado em 04/05/2026 1:30 - Sérgio Pedra

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Recebido sob aplausos e palavras de ordem como “Meu presidente” e “Fora, Lula”, o senador Flávio Bolsonaro (PL) participou, no mês passado, da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), um dos principais eventos do agronegócio brasileiro. Ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o parlamentar adotou um tom crítico ao governo federal, classificando como “lixo” o tratamento dispensado ao setor pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Durante o discurso, o pré-candidato ao Planalto afirmou que seria uma “insanidade” tratar o agronegócio como “vilão”, defendendo o segmento como peça central para o desenvolvimento econômico do país. A fala ocorreu em meio a manifestações da plateia contra o atual governo, criando um ambiente politizado em um evento voltado, em tese, à atividade produtiva.

Flávio Bolsonaro também criticou o acesso ao crédito rural, alegando que o setor estaria sendo “asfixiado” por taxas elevadas. Como contraponto, mencionou que, durante a gestão de seu pai, os juros teriam chegado a cerca de 2% ao ano, enquanto produtores atualmente enfrentariam encargos que podem alcançar 25%.

Além das críticas econômicas, o senador fez ataques pessoais ao presidente Lula, afirmando que ele representaria uma liderança “vencida” e sem condições de conduzir o país — declaração que reforça o caráter político-eleitoral de sua participação no evento.

No entanto, as afirmações do parlamentar entram em choque com sinais recentes de apoio institucional ao agronegócio por parte do governo federal. Analistas apontam que a retórica adotada na Agrishow não encontra respaldo consistente nas ações do Executivo.

Em agenda internacional recente, por exemplo, Lula destacou o potencial tecnológico do agronegócio brasileiro durante visita à Alemanha, em uma das maiores feiras industriais do mundo. Na ocasião, o presidente defendeu o setor como protagonista na transição energética, ressaltando sua capacidade de desenvolver alternativas aos combustíveis fósseis sem comprometer a produção de alimentos.

O posicionamento contrasta com a narrativa de hostilidade apresentada por Flávio Bolsonaro e indica uma tentativa do governo de reposicionar o agro brasileiro no cenário global, associando-o à inovação e à sustentabilidade.

Outro ponto que tensiona o discurso oposicionista diz respeito às ações emergenciais adotadas pelo governo federal após as enchentes no Rio Grande do Sul. A União ampliou gastos, inclusive fora das regras fiscais vigentes, para viabilizar socorro ao estado — medida que beneficiou diretamente produtores rurais afetados pela tragédia climática.

Especialistas também relacionam a gravidade desses eventos extremos à fragilidade de políticas ambientais em períodos anteriores. Durante o governo de Jair Bolsonaro, houve críticas recorrentes à condução da agenda ambiental, marcada por flexibilização de normas e aumento do desmatamento, especialmente na Amazônia.

Nesse contexto, a crítica de que o agronegócio estaria sendo tratado como “lixo” pelo atual governo perde consistência diante de iniciativas concretas de incentivo, defesa internacional e suporte emergencial ao setor. A discrepância entre discurso político e ações verificáveis revela uma disputa narrativa que extrapola os limites da economia e se insere no campo mais amplo da polarização política brasileira.

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SÉRGIO PEDRA

É agrônomo e pequeno produtor rural em Mato Grosso.

Apesar dos ataques de parte do setor, Lula defende agronegócio no exterior

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Sergio Pedra


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