Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
O Som e a Fúria
Robinho, seus parças, e o machismo tóxico da extrema direita
Publicado em 15/06/2023 2:10 - Felipe Chaves
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
Os áudios do ex-jogador Robinho com seus parças, grampeados pela Justiça Italiana e exibidos com exclusividade pelo UOL nesta semana são estarrecedores. É preciso estômago para conseguir digerir o conteúdo das conversas. As gargalhadas, palavras chulas e a já conhecida estratégia de culpar a vítima dão tom a dos áudios.
Em determinado momento, o ex-atleta se mostra muito preocupado em não ter a sua imagem arranhada. Agora ele não precisa mais ter esse tipo de inquietação, ficou escancarado que ele é um estuprador.
Nas conversas Robinho demonstra muita certeza de sua impunidade, como se fosse intocável e inatingível. Qual será a régua moral desse canalha? O nome de Deus e da fé estão muito presentes nesses diálogos, mas que Deus seria esse? Provavelmente aquele que vem antes de pátria e família.
Em um vídeo disponível no youtube, ele se diz perseguido pela “Globo lixo”, assim como Bolsonaro. Porque muitos atletas e cantores que seguem o estilo cowboy se sentem tão representados pelo discurso da extrema direita? Acontece que eles realmente se identificam com essa conversa fiada de meritocracia e machismo tóxico à brasileira.
Obviamente é necessário muito esforço pessoal e dedicação para atingir alguns objetivos, mas cá entre nós, é preciso uma boa pitada de sorte nessas trajetórias. A riqueza, a fama e o luxo não estão ao alcance de todos. Como sempre acabei misturando alhos com bugalhos, mas sigo não comparando talento com sucesso, nem caráter com simpatia.
Termino com uma frase de Nietzsche: “A solidão não me assusta em nada. O que me assusta é a aglomeração humana tentando preencher seus corações vazios, sem vida, com falsas companhias”.
Leia outros artigos da coluna: O Som e a Fúria
Texto perfeito e maravilhoso.
Essa frase de Nietzsche sobre solidão com certeza é falsa atribuição. Procurei em francês, inglês e alemão. Não existe.