25/07/2024 - Edição 550

Meia Pala Bas

Da palhaçada à polêmica

Publicado em 17/04/2015 12:00 - Rodrigo Amém

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Primo da cidade grande do voto de cabresto, o voto de protesto tem pose de posicionamento político e profundidade crítica de rabiscar bigodes em cartazes de propaganda eleitoral. O Brasil tem uma longa historia com o voto de protesto. Os paulistas elegeram o rinoceronte Cacareco vereador nos anos 60. Nos anos oitenta, o macaco Tião fez bonito na corrida pela prefeitura do Rio de Janeiro.

Enquanto os hipsters eleitorais se limitavam a embasar seus posicionamentos irônicos nos passeios dominicais nos zoológicos de seus municípios, a brincadeira era só isso mesmo. Uma brincadeira inócua e uma excelente maneira de dizer alguma coisa sem dizer nada.

Não são políticos, são personagens. Não estão indignados, estão atuando. Não querem defender a família, a pátria, os bons costumes. Eles querem é defender ‘o deles’.

Aí trocamos as celebridades do zoológico pelas celebridades da TV. Talvez para economizar na pipoca. Aí passamos a eleger cantores, atores, jogadores de futebol. Mas foi preciso eleger um palhaço (literalmente) para que as pessoas se dessem conta de que o voto de protesto era gol contra. No rastro desses candidatos “engraçadinhos”, chegou gente que não deveria exercer cargos públicos nem de graça.  Não era uma forma de afrontar a classe política. Pelo contrário. Era mais uma forma de trollar o eleitor.

Mas o voto de protesto é bom negócio e está em franco processo de reformulação. Saem os candidatos engraçadinhos, entram os polêmicos. Os novos Macacos Tiões da política usam a internet para lançar suas fezes digitais e marcar presença nos trending topics da política.

Não são políticos, são personagens. Não estão indignados, estão atuando. Não querem defender a família, a pátria, os bons costumes. Eles querem é defender “o deles”. Querem apenas arrebanhar o voto de quem está amedrontado e confuso demais para votar de verdade. Eles querem é poder. E, se você deixar, amigo eleitor. Eles vão poder com você. 

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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