19/07/2024 - Edição 550

Meia Pala Bas

Coxinha, Caviar e Cara de Mamão

Publicado em 23/01/2014 12:00 - Rodrigo Amém

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Coisa besta é chamar o outro de “coxinha.” Não dá pra saber muito sobre o rotulado. Mas sobra informação sobre o detrator. Coxinha (a pessoa, não o salgadinho) não é real. É um arquétipo mal intencionado. Serve para demonizar a visão conservadora do mundo e desconsiderar qualquer argumento liberal.

Aí, na internet, alguém grita: “Isso é coisa dessa esquerda caviar!” Trata-se de um espantalho ideológico. Por detrás do xingamento, insinua-se que só a hipocrisia justifica um branco rico sair em defesa de negros pobres. Tem que ser pose. Tem que ser da boca pra fora. Porque se não for, meu conservadorismo soa alienado. Então, desconsidera-se a pessoa para não ter que considerar seus argumentos.

Coisa besta é chamar o outro de coxinha. Não dá pra saber muito sobre o rotulado. Mas sobra informação sobre o detrator.

Quando eu era criança e não conseguia convencer alguém a brincar comigo, eu gritava: “Cara de Mamão!” Não que a pessoa parecesse um mamão. Ou que parecer um mamão fosse uma falha grave de caráter, personalidade ou mesmo estética. Eu só precisava desmoralizar aquele moleque que não queria brincar comigo. E o defeito mais grave que alguém poderia ter era sempre aquele que eu inventava.  

Muito marmanjo ganha fama pela capacidade de destilar neologismos ofensivos contra quem não partilha das suas convicções. Xingamento no lugar de argumento, como eu fazia quando era pequeno. Foi só depois de velho que eu aprendi que é mais produtivo discutir ideias que pessoas.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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