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Re-existir na diferença

Ágora ou Nunca

Vencer o medo com alegria

Publicado em 26/08/2022 11:28 - Ricardo Moebus

Divulgação Ricardo Stuckert

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O primeiro comício de Lula nesta campanha presidencial de 2022 foi em Belo Horizonte, na Praça da Estação Ferroviária da cidade.

Palco das grandes manifestações públicas, palco de comícios históricos como de Juscelino Kubitschek, lugar onde tantas vezes Lula já esteve, em campanhas desde a década de oitenta do século passado.

Diante das ameaças veladas ou abertas da extrema direita, o clima pré comício era de preocupação e algum temor.

Mesmo assim, quis levar minha neta de seis anos de idade, fiz questão que ela estivesse nesse momento histórico, quis que ela pudesse contar que esteve lá, naquele dia, que ela soubesse que conheceu ao vivo a maior liderança política brasileira do século XX, e quem sabe do século XXI também. Que ela tivesse essa história para contar com satisfação, assim como eu contei muitas vezes para amigos como conheci Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, nos anos oitenta.

Chegamos na grande praça completamente tomada de gente, parecendo que não caberia mais ninguém, mas para quem tem amor, sempre tem cabimento, aproximamos, um risco da violência viral da contaminação, um risco da violência brutal absurda da extrema direita, pairava sobre nossas cabeças, ela acabou recuando diante da multidão: “não quero entrar”.

Insisto: “a vovó não está aí no meio também?”

Ela confirma: “sim, a vovó disse que ia ver o Lula”.

Eu emendo: “então vamos procurar a vovó”.

Ela aceita, mergulhamos no mar de gente, circulando pelas galerias e labirintos humanos, até achar algum lugar para estacionar o próprio corpo.

Ela escuta aquela voz rouca, sonora e firme de tantas décadas de comícios, campanhas e caravanas intermináveis pelo Brasil.

Ela está sobre meus ombros, sente os fluxos de medo invisível que circulam pela multidão, me diz pertinho: “vovô, estou com medo”. Respondo: “está tudo bem, vai ficar tudo bem”.

Passa algum tempo, fluxos de alegria contagiante a atinge, ela se alegra, está feliz. Pronto.

É um rito de passagem, um ritual de iniciação na grande celebração democrática dos comícios em praça pública.

Ainda que hoje corações e mentes estejam sendo disputados sobretudo nas praças digitais, é somente na grande ágora presencial que se pode vivenciar estes afetos e emoções, o contato, a celebração política viva em ato, insubstituível.

Ela e eu aprendendo que é com alegria que se vence o medo,

Ela e eu aprendendo que é coletivamente que se enfrenta o medo.

Que juntos é que tecemos a manhã que apaga a noite escura do fascismo.

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Emerson Merhy, Túlio Franco, Ricardo Moebus e Cléo Lima


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