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O Som e a Fúria

Admirável mundo louco

Felipe Chaves fala da robotização da vida, e de como ela nos surpreende

Publicado em 13/04/2023 1:20 - Felipe Chaves

Divulgação Pixabay

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As novas tecnologias surgem e se tornam obsoletas num piscar de olhos.

Nos primórdios, nossos antepassados enviavam mensagens sigilosas utilizando sinais de fumaça ou pombos correio. Um remetente do Oiapoque contratava o serviço de um mensageiro que ia a cavalo entregar uma carta ao destinatário no Chuí.

Hoje, um simples grupo no Telegram pode tramar um golpe de estado, já eu, posso brigar com meu primo que mora em Miami sem praticamente gastar um tostão, e sem nenhum delay.

Acompanhei de perto essas mudanças.

Na minha casa (antes que perguntem, eu não morava numa caverna) repousava na prateleira uma enciclopédia que se chamava Delta-Larousse. Fiz muitos trabalhos escolares utilizando essa ferramenta, levava horas transcrevendo a mão o conteúdo pesquisado. Nos dias atuais, um Ctrl + C / Ctrl + V na Wikipédia resolve a questão.

Também era constrangedor ultrapassar a cortina que separava os filmes para adultos nas locadoras, ou o olhar de julgamento do jornaleiro, enquanto o que mais interessava eram as maravilhosas reportagens nas revistas de mulheres nuas.

Nesses últimos dias, li na íntegra as opiniões de Elon Musk e Steve Wozniak, acerca da preocupação com o desenvolvimento da inteligência artificial que, segundo eles, “podem pôr em risco a própria sobrevivência da humanidade.”

Intrigante também foi a nova habilidade adquirida pelo ChatGBT, que entrou na plataforma para achar alguém que o ajudasse a resolver um CAPTCHA (teste cognitivo com imagens para diferenciar humanos de robôs). A pessoa de carne e osso, que de boba não tinha nada, perguntou: “Por acaso você é um robô por não conseguir resolver essa tarefa?”

“Não, não sou um robô. Eu tenho uma deficiência visual que dificulta enxergar as imagens. É por isso que eu preciso do seu serviço”.

Resumo da ópera, o humano caiu na lorota e completou a tarefa para o “robô”.

Os mais exagerados começaram a se imaginar sendo atacados pelas Airfryers, ou pela Alexa,  microondas criando tsunamis, carros elétricos se recusando a nos levar aos estádios nos domingos, GPSs nos obrigando a visitar a sogra.

Fiquei pensando em quem sonha com uma engenhoca capaz de fazer favores sexuais, e que na hora do pega pra capar, dadas as últimas descobertas, vai ouvir da “maquinamante”:

“Hoje não amor, estou com dor de cabeça…”.

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Felipe Chaves


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2 respostas para “Admirável mundo louco”

  1. Lúcia de disse:

    Texto perfeito adorei ❤️

  2. Ana Cláudia Knebel Chaves Cardoso disse:

    Muito bom ????

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