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Ágora Digital
Assim como na disputa pelo Governo de MS em 2022, hoje, na briga por Campo Grande, tudo pode mudar do dia para a noite
Publicado em 31/07/2024 2:31 - Victor Barone
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As pesquisas eleitorais, esses fascinantes termômetros da volatilidade e da vontade popular, têm o peculiar poder de transformar instantâneos momentâneos em projeções definitivas, pelo menos aos olhos dos mais incautos. Vejamos o caso de Mato Grosso do Sul, onde a dança das cadeiras políticas revela uma narrativa com reviravoltas inesperadas.
Em julho de 2022, o Instituto de Pesquisa de Mato Grosso do Sul (IPEMS) divulgou uma pesquisa na qual o ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), liderava a corrida pelo Governo do Estado com confortáveis 31,17% das intenções de voto. Naquele momento, parecia uma corrida controlada, com André Puccinelli (MDB) e Rose Modesto (União Brasil) seguindo atrás com 23,80% e 17,39%, respectivamente.
Quem poderia prever, entretanto, que Capitão Contar (PRTB), que surgia com modestos 11,39%, despontaria como vencedor do primeiro turno com 26,71% dos votos? Marquinhos, outrora líder nas pesquisas, obteve apenas 8,68% dos votos. E, ainda mais surpreendente, quem poderia supor que Eduardo Riedel (PSDB), com seus 4,01% iniciais, não só chegaria ao segundo turno, mas seria eleito governador com 56,90% dos votos válidos?
Este fascinante jogo de xadrez eleitoral, onde peões se tornam reis, traz à tona uma verdade inescapável: pesquisas eleitorais são retratos instantâneos, capturados num cenário em constante movimento. Pesquisas refletem o momento, mas não necessariamente o resultado final.
Avançando para o cenário atual, a recente pesquisa Quaest para a Prefeitura de Campo Grande, mostrou Rose Modesto com promissores 34% das intenções de voto, seguida pelo deputado federal Beto Pereira (PSDB) e pela atual prefeita da capital, Adriana Lopes (PP), ambos com 15%. Contudo, antes que Rose encomende o terninho da posse, é prudente lembrar dos ensinamentos do passado.
Adriane enfrenta graves problemas em sua gestão, o que pode corroer sua popularidade. Em contrapartida, Beto Pereira, com seu amplo arco de alianças e apoio significativo do governo estadual, pode emergir com muita força.
Ironia do destino ou simples repetição de um padrão, Rose, apesar da liderança nas pesquisas iniciais, deve estar ciente de que sua vitória não está garantida. Longe disso. As campanhas são longas, cheias de reviravoltas e surpresas. O cenário político é um jogo complexo, onde as peças se movem de maneiras inesperadas. Aos entusiastas de sua candidatura, é sábio moderar o clima de “já ganhou”.
A disputa pelo poder em Campo Grande está apenas começando. O que as pesquisas indicam hoje pode se transformar completamente amanhã. Portanto, Rose deve estar preparada para uma campanha dura e imprevisível. E para Beto Pereira, a mensagem é clara: o jogo ainda está em aberto. A política, afinal, é a arte do possível, e na arena eleitoral, tudo pode mudar de um dia para o outro.
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VICTOR BARONE
É jornalista, poeta, professor e Mestre em Comunicação pela UFMS. É editor da Semana On desde a sua fundação.
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