19/07/2024 - Edição 550

Meia Pala Bas

A Vingança do Vampiro

Publicado em 16/02/2018 12:00 - Rodrigo Amém

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Michel Temer dava passos decididos rumo ao seu lugar de direito na lata de lixo da História, ao lado de João Figueiredo, Hermes da Fonseca e Washington Luís. Nos últimos dias de 2017, ele brigava por uma reforma da previdência que não tocava nos privilégios e distorções de militares, funcionários públicos e afins, mas destruía a aposentadoria do assalariado. Uma empreitada cínica que não só não resolveria o problema, mas também ajudaria a enterrar qualquer resquício de sua relevância política.

Semana passada, Temer foi representado como um vampiro adornado em notas de dólar no carnaval carioca. A Unidos do Tuiuti, vinda de um desfile literalmente trágico, com direito a mortes e desmembramentos em plena Sapucaí, chegou à vice-liderança. Em grande parte, impulsionada por essa paixão nacional que é sentir asco de Michel Temer.

Mas aí o governador Pezão, seu comparsa de MDB, pediu ajuda. A situação no Rio estava fora de controle. "Não estavam preparados para o Carnaval", disse Pezão. Precisam do exército, mais uma vez. Dessa vez, na forma de intervenção, ou seja: arrego total. O exército vai assumir a segurança pública. Temer assinou a intervenção tão rápido que esqueceu de pedir o CPF na nota.

Alguns dizem que Temer precisava de uma saída para evitar uma derrota humilhante na reforma da Previdência. Outros dizem que é uma cortina de fumaça para as últimas falcatruas deste governo moribundo. Há quem diga que é só o partido da situação mostrando que também sabe colocar milico na rua atirando em favelado, uma vez que as pesquisas indicam que este é o desejo do eleitor de bem. Com uma coisa todo mundo concorda: pra resolver o problema da violência no Rio é que não é.

Imagina-se que o nível da violência tenha transformado a cidade maravilhosa numa praça de guerra. No entanto, a taxa de assassinatos per capita em Sergipe é duas vezes maior. Mas as notícias da criminalidade no carnaval sergipano não ganharam tanto destaque na cobertura Globeleza. Nas palavras da diretora-executiva do Fórum de Segurança, Samira Bueno, o Rio é o "cartão-postal do país". Portanto, acaba recebendo mais atenção da imprensa, o que distorce a realidade da violência. Para o general Walter Braga Netto, o interventor, a violência no Estado não está tão ruim. Tem "muita mídia" no assunto. E quando a mídia resolve distorcer, ninguém segura. Plim-plim, quero imagens na tela.

Sinceridade: a segurança no Rio é um problema sério, sim. Pezão e seu padrinho político Sérgio Cabral, ex-governador do Rio e atual detento em Curitiba, abandonaram o projeto das Unidades de Polícia Pacificadoras – as famosas UPPs – à própria sorte e a todo tipo de desmando. O empresário (que atualmente cumpre prisão domiciliar) Eike Batista, por exemplo, deixou de destinar seus 20 milhões anuais ao projeto. Entre déficit orçamentário, superfaturamento de fornecedores e o completo descaso com a formação dos novos PMs e com a própria comunidade, as UPPs foram sucateadas sem muita cerimônia assim que cumpriram seu papel eleitoreiro. Mas intervenção militar é tão eficiente para resolver o problema quanto importar areia do Saara para represar os deslizamentos de encosta.

Então, ora bolas, se a situação não é pra tanto e o que precisa ser feito não é o que está se fazendo, por que Pezão pediu e Temer autorizou a Intervenção Militar do MDB?

Alguns dizem que Temer precisava de uma saída para evitar uma derrota humilhante na reforma da Previdência. Outros dizem que é uma cortina de fumaça para as últimas falcatruas deste governo moribundo.

E há quem diga que é só o partido da situação mostrando que também sabe colocar milico na rua atirando em favelado, uma vez que as pesquisas indicam que este é o desejo do eleitor de bem. É difícil dizer. Mas uma coisa todo mundo concorda: pra resolver o problema da violência no Rio é que não é.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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