Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Ponte Aérea

A normalização da extrema direita

Raphael Tsavkko Garcia comenta artigos recentes sobre o tema

Publicado em 22/07/2024 11:48 - Raphael Tsavkko Garcia

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

No debate entre Wilson Gomes e Bruno Boghossian sobre “normalização” da extrema-direita eu fico com o segundo.

Na discussão cabem várias definições de “normal/normalizado”.

Extrema-direita não deveria ser normalizada (pese ter se tornado normal) e o fato de ter apelo popular não altera o fato de que não devem ser tratados de forma normalizada e sim como o perigo que representam pra democracia por se oporem a seus fundamentos.

O objetivo dos democratas deveria ser o e “desnormalizar” o que o voto tem tornado normal. Como diz o meme, “make stupid people ashamed again,” ou, no nosso caso, tornemos o extremismo algo fora do normal, desprezível, novamente. Algo estar se tornando normal não significa que devemos TRATAR como tal e aceitar, pelo contrário.

Não importa que as massas votem em A ou B, a estupidez das massas não pode ser a norma. Tampouco que democracia no fim se trata da vontade da maioria via voto, existem (ou deveriam existir) instrumentos para impedir a ditadura da maioria, especialmente no processo de normalização do fascismo, do radicalismo extremista de direita.

A partir do momento em que se aceita filosoficamente a extrema-direita como normal, mudamos a janela de Overton de lugar de forma possivelmente irreversível, abrindo espaço para que mais extremismo se torne não só normal, como a norma.

Se aceitamos a normalidade da extrema-direita, tornamos ainda mais difícil a busca por instrumentos para combatê-la, oras, como e porque combater o que é simplesmente normal?

Eu diria que o grande erro do Prof. Gomes está nesse trecho:

“Os votos de 1932 não autorizaram Hitler a desmantelar o parlamento alemão como instituição democrática, nem os de 2018 deram a Bolsonaro o direito a um golpe de Estado, mas abusar da legitimidade obtida não significa que o meio de legitimidade possa ser desconsiderado.”

Não autorizaram? Se as plataformas tanto de Hitler quanto de Bolsonaro sempre foram claramente golpistas e anti-democráticas, apenas se valendo da democracia e da incapacidade das instituições de impedir sequer o surgimento de tais forças, como achar que, uma vez no poder e no controle das instituições, aqueles que sempre foram extremistas e golpistas iriam simplesmente passar a participar do jogo?

Quem foi eleito para destruir o jogo não vai simplesmente ficar parado esperando, vai agir. Ao normalizar o discurso extremista, não tem como reclamar que os extremistas colocaram o discurso em prática.

A extrema-direita é inaceitável. Não pode ser normalizada, não pode seguir sendo normal. Democracia não é apenas a vontade da maioria, mas um processo de negociação em que a minoria deve ser protegida. Se não for, então não existe realmente democracia, mas uma fachada para que extremistas possam livremente executar seus planos com um verniz de legitimidade. Um golpe é apenas a tinta descascando.

 

Os textos do Gomes e do Boghossian.

RAPHAEL TSAVKKO GARCIA

É jornalista, editor e Ph.D em Direitos Humanos pela Universidade de Deusto.

Facebook

Linkedin

Twitter

Site

Medium

Leia outros artigos da coluna: Ponte Aérea

Raphael Tsavkko Garcia


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *