13/04/2024 - Edição 540

Meia Pala Bas

A Mentalidade das Ovelhas

Publicado em 04/09/2014 12:00 - Rodrigo Amém

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Os seres humanos são animais gregários. Nossa sobrevivência está nos números. Grandes tribos tinham melhores chances de sobrevivência. Isso ficou marcado nos nossos genes através da seleção natural. Nós já nascemos programados a responder em grupo. Corremos para o lado em que os outros correm. Atacamos quem os outros estão atacando.  Os especialistas chamam isso de mentalidade de rebanho. Tem gente que acha o termo ofensivo. Somos indivíduos únicos, verdadeiros floquinhos de neve, ora bolas. Mas, em grupo, nos portamos como peixes num cardume.

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Leeds, basta que 5% dos membros do grupo adotem uma postura de condução para que os outros 95%, inconscientemente, sigam essa minoria. Da mesma forma que ovelhas e pássaros fazem.  

Nós já nascemos programados a responder em grupo. Corremos para o lado em que os outros correm. Atacamos quem os outros estão atacando.  Os especialistas chamam isso de mentalidade de rebanho.

Você pode ser uma fofa, trabalhadora, que dá bom dia a vizinho mulato e vez ou outra dá uns amassos num negão no baile. No calor de uma torcida, buscando desestabilizar o goleiro adversário, você vai na onda: enche os pulmões e grita: “Macaco! Macaco! Macaco!” Significa que você é racista? Não, necessariamente. Significa que você merece ser punida? Sim, necessariamente.

Você pode ser um cidadão ponderado, respeitador das minorias, a favor de uma sociedade mais tolerante. No calor do linchamento online da gremista racista, você curte e compartilha mensagens pedindo que ela seja estuprada por mil Kids Bengalas e que a casa dela seja consumida pelas chamas. Significa que você é um monstro sanguinário? Não, necessariamente. Significa que você deve ser punido? Sim, necessariamente.

Viver em sociedade exige uma civilidade que, à vezes, bate de frente com nossos instintos mais primários: o desejo de vingança, a intolerância, a mentalidade de rebanho. Às vezes, é preciso punir umas ovelhas para que os 5% de lobos não comecem a gostar do jogo.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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