Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Campo Grande

Servidores denunciam pressão e censura por parte da Prefeitura de Campo Grande

Gestão de Adriane Lopes enfrenta críticas a projeto que pretende privatizar a saúde

Publicado em 27/03/2026 1:28 - Semana On

Divulgação Divulgação

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A prefeita Adriane Lopes (PP) é alvo de críticas por adotar medidas consideradas coercitivas contra servidores públicos municipais, em meio à mobilização contrária à privatização de unidades de saúde em Campo Grande. Documentos internos da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) indicam que funcionários foram alertados sobre possíveis sanções administrativas em caso de ausência no trabalho durante protestos, o que foi interpretado por categorias como tentativa de esvaziar a manifestação.

SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAMFACEBOOK, TIKTOK, X E WHATSAPP

A circular interna, assinada pelo superintendente de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde, Eduardo Luis Mense Rodrigues, foi enviada poucas horas antes de um ato realizado na Câmara Municipal, na quinta-feira (26). O documento reforça que faltas não justificadas, conforme a Lei Complementar nº 190/2011, podem resultar em punições disciplinares. Para representantes dos trabalhadores, o timing da comunicação evidencia caráter intimidatório, sobretudo diante da relevância do protesto.

O episódio se soma a outras ações recentes da gestão que têm sido classificadas como autoritárias. A prefeita também recorreu à Justiça para tentar impedir críticas em redes sociais e censurar reportagens jornalísticas que abordavam questões relacionadas à sua administração, incluindo denúncias sobre redução de tributos em imóvel particular. A prática levanta preocupações sobre liberdade de imprensa e transparência pública, princípios assegurados pela Constituição Federal.

A tensão entre o Executivo municipal e os servidores não é inédita. Em fevereiro, a demissão da líder sindical Natali Pereira de Oliveira, após protestos por reajuste salarial, ampliou o desgaste político da prefeita com categorias do funcionalismo. No mesmo período, exonerações de indicados políticos também foram interpretadas como instrumento de pressão sobre vereadores.

Esse cenário ocorre em meio a críticas mais amplas à gestão da cidade, que enfrenta problemas estruturais na saúde pública, como falta de medicamentos, insumos e manutenção básica nas unidades. Ainda assim, a prefeitura defende a transferência da gestão de unidades como as dos bairros Tiradentes e Aero Rancho para organizações sociais de saúde (OSS), ao custo estimado de R$ 3,9 milhões mensais. A justificativa oficial aponta economia de cerca de R$ 400 mil por mês — cálculo que, até o momento, não foi detalhado publicamente.

A proposta de privatização encontra resistência institucional e política. O Conselho Municipal de Saúde já se posicionou contra a medida e articula mobilização social para barrar a iniciativa. No Legislativo, vereadores de diferentes partidos também manifestaram oposição, enquanto aliados da prefeita defendem o projeto, gerando embates em sessões marcadas por vaias e forte presença popular. Uma audiência pública sobre o tema está prevista para o dia 9 de abril.

Especialistas em gestão pública e saúde coletiva alertam que a adoção de modelos de terceirização, como as OSS, exige transparência rigorosa e mecanismos sólidos de controle. Segundo estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), “a transferência da gestão para organizações sociais não é, por si só, garantia de eficiência ou qualidade, dependendo diretamente da capacidade de regulação do Estado”.

A Sesau negou que a circular tenha caráter de ameaça ou perseguição. Em nota, a secretaria afirmou que o documento segue procedimento administrativo rotineiro e visa apenas padronizar o registro de frequência dos servidores, destacando que a coincidência com o protesto não implica intenção de coibir manifestações.

Ainda assim, o conjunto de ações recentes — que inclui tentativas de censura, exonerações e pressões administrativas — intensifica o debate sobre os limites do poder público na gestão de crises políticas e sociais. Em um contexto democrático, o uso de instrumentos institucionais para conter mobilizações levanta questionamentos não apenas sobre legalidade, mas sobre legitimidade.

SE FIZER SENTIDO PRA VOCÊ, APOIE O JORNALISMO DA SEMANA ON

Morenão terá gestão estadual após acordo de 35 anos e mira retomada do futebol em MS


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *