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Campo Grande

Sem dinheiro, Campo Grande reduz horário de atendimento ao público e restringe serviços

Medidas incluem redução de 20% em salários e têm validade de 120 dias

Publicado em 04/11/2025 10:36 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Desde ontem (3), a população de Campo Grande enfrenta mais uma mudança na rotina de serviços públicos. Por meio de decreto, a prefeita Adriane Lopes reduziu o horário de atendimento ao público em diversos órgãos municipais, que agora funcionam das 7h30 às 13h30, de segunda a sexta-feira. A medida, que não se aplica a escolas, unidades de saúde e outros serviços considerados essenciais, foi justificada como parte de um esforço de “reequilíbrio financeiro” da gestão.

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Apesar do argumento oficial de que as mudanças visam garantir a “eficiência da administração pública” e preservar empregos, o encurtamento do expediente compromete o acesso da população a serviços importantes, como habitação, assistência social e políticas para mulheres.

Veja como ficam os novos horários:

Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) – Atendimento até 13h30.

Central do Cadastro Único (CadÚnico) – Atendimento reduzido nas unidades dos bairros Amambaí e Dom Antônio.

Centros de Convivência e do Idoso – Funcionamento até 13h30, afetando atividades voltadas a públicos vulneráveis.

Agência Municipal de Habitação (Emha) – Sede da Vila Glória até 13h30; posto do Pátio Central até 14h.

Superintendência do Bem-Estar Animal (Subea) – Atendimento até 13h30, com limite de 30 senhas diárias.

Central de Atendimento ao Cidadão – Exceção entre os serviços: atendimento será das 7h30 às 16h.

Secretaria Executiva da Mulher (Semu) – Adota novo horário, mas não esclarece o destino de atividades vespertinas.

Outros serviços terão funcionamento definido pelos respectivos secretários ou pela Procuradoria-Geral do Município, incluindo autarquias e fundações.

Cortes e restrições: administração em contenção

O decreto integra a chamada “reforma administrativa” iniciada em janeiro pela prefeita, com validade de 120 dias. A promessa é de que as medidas ajudarão a recuperar a capacidade de investimento da cidade. No entanto, a contenção de despesas também atinge diretamente os servidores e, por consequência, o atendimento à população.

Entre os pontos mais polêmicos do decreto estão:

Corte de 20% nos salários da prefeita, vice-prefeita, procuradora-geral, secretários, diretores e adjuntos. A medida, embora simbólica, não atinge a base do funcionalismo.

Proibição de pagamento de horas extras e gratificações, o que pode afetar a prestação de serviços além do horário mínimo ou em situações emergenciais.

A justificativa oficial aponta para a necessidade de respeitar os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, mas especialistas apontam que o ajuste parece recair, mais uma vez, sobre quem depende dos serviços públicos e os servidores da linha de frente.

Críticas e falta de diálogo

As mudanças foram implementadas por decreto, sem consulta pública ou diálogo transparente com os setores mais afetados. Organizações da sociedade civil e sindicatos já demonstraram preocupação com os impactos da medida, especialmente para usuários que só conseguem buscar atendimento no período da tarde.

Ao promover cortes no atendimento direto à população, a gestão Adriane Lopes envia um recado contraditório: busca equilíbrio financeiro, mas à custa do acesso aos direitos mais básicos. O desafio fiscal é real, mas sua solução não pode penalizar justamente os mais vulneráveis.

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