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Campo Grande

Saúde pública em Campo Grande está abandonada

Falta de insumos e medicamentos na rede coloca população da capital em risco

Publicado em 08/02/2025 9:36 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Campo Grande enfrenta uma crise de saúde pública que se agrava a cada dia. Sob a gestão da prefeita Adriane Lopes e da secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, a falta de medicamentos e insumos básicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) compromete o atendimento da população e coloca em risco a vida de milhares de moradores. Com estoques zerados de medicamentos essenciais, pacientes sofrem com tratamentos interrompidos e profissionais de saúde relatam o colapso de um sistema que, segundo eles, foi “abandonado pela gestão”.

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A ausência de antibióticos, insulina, materiais de coleta e equipamentos médicos transformou o cotidiano das UBS em um cenário de precariedade. Uma enfermeira, que preferiu não ser identificada, desabafa: “É como trabalhar vendada. Você sabe o que o paciente precisa, mas não tem com o que tratar. Os insumos estão em falta, as prateleiras vazias, e somos nós que precisamos olhar nos olhos do paciente e dizer que não podemos ajudar.”

Consultas sem medicamentos e diagnósticos sem suporte

Nas UBS, situações que deveriam ser resolvidas com medicamentos básicos, como antibióticos e anti-inflamatórios, têm se tornado problemas graves. Médicos relatam que a falta de insumos obriga o envio de pacientes para casa sem o devido tratamento, elevando os riscos de complicações.

“Como vou tratar infecções bacterianas básicas na atenção primária sem antibióticos?”, questiona um médico da rede municipal. “Amoxicilina, cefalexina e penicilina estão zeradas no almoxarifado. Isso é inadmissível. São medicamentos de primeira linha para tratar casos simples, mas não temos. Estamos vendo pacientes voltarem com infecções agravadas.”

A situação descrita pelo médico reflete-se diretamente na vida de moradores como Marcela Silva, de 24 anos, que buscou atendimento para tratar uma infecção urinária. “A médica me receitou amoxicilina, mas a farmácia da unidade não tinha o medicamento. Não consegui comprar e, dias depois, minha infecção piorou. Isso poderia ter sido evitado com um simples antibiótico.”

A lista de medicamentos indisponíveis não para de crescer: insulina regular, prednisona, paracetamol, metoclopramida, prometazina e até os anti-hipertensivos losartana e hidroclorotiazida estão fora de estoque. A ausência desses remédios afeta desde pacientes crônicos, como hipertensos e diabéticos, até aqueles que buscam tratamento emergencial.

Rosângela Souza, mãe de uma adolescente diabética de 14 anos, vive diariamente o medo de perder a filha. “Ela precisa da insulina regular para controlar a glicemia. Já faz mais de um mês que não conseguimos pegar o medicamento na UBS do bairro Nova Lima. Consegui comprar um frasco pedindo ajuda nas redes sociais, mas até quando vou conseguir? Não sei. E minha filha não pode esperar.”

Falta de insumos básicos compromete o atendimento

Além dos medicamentos, faltam itens básicos como seringas, cateteres venosos e drenos de tórax, essenciais para procedimentos de emergência. Sem esses materiais, a capacidade de resposta das UBS está gravemente comprometida.

“Na semana passada, atendemos um paciente com trauma no tórax que precisava de drenagem de urgência. Mas não havia dreno disponível na unidade”, relata outro médico da rede, que também prefere manter o anonimato. “Tivemos que transferi-lo para um hospital, mas ele demorou horas para ser atendido lá. Esse tipo de situação pode custar vidas.”

Sem Descartex — caixas para descarte de materiais perfurocortantes —, os profissionais são obrigados a improvisar, aumentando o risco de acidentes com agulhas e contaminações. Bolsas coletoras de urina, papéis cirúrgicos e agulhas de calibres adequados também estão em falta. Uma enfermeira denuncia: “Nós, profissionais, estamos expostos. Sem seringas e agulhas, não conseguimos nem administrar medicamentos básicos. Isso não é apenas um descaso, é uma negligência criminosa.”

Pedro Nogueira, de 67 anos, hipertenso e portador de insuficiência renal, viveu isso na pele. “Preciso tomar losartana para controlar minha pressão, mas está em falta há semanas. Sem o remédio, minha pressão subiu e tive uma crise. Fui para a UBS, mas lá não tinham seringas nem medicamentos para a emergência. Me mandaram para casa e disseram para eu voltar se piorasse. Como piorar mais do que isso?”

O Impacto da Crise nas Unidades de Saúde

Para os profissionais da saúde, o impacto emocional é devastador. Eles relatam exaustão, desespero e revolta diante do descaso da gestão municipal. “Nos formamos para salvar vidas, mas não temos ferramentas para isso. Eu volto para casa todas as noites pensando nas pessoas que poderíamos ter ajudado se tivéssemos o básico”, desabafa um médico. “A Prefeitura simplesmente nos abandonou.”

Essa precarização já está gerando reflexos perigosos. Sem antibióticos, infecções comuns estão evoluindo para quadros graves. Sem insulina, pacientes diabéticos enfrentam crises hiperglicêmicas, com risco de coma. Sem anti-hipertensivos, o número de internações por crises de pressão arterial elevada tem aumentado.

O impacto econômico também é uma preocupação. “Os pacientes que poderiam ser tratados na atenção básica acabam precisando de internações. Isso custa mais para o sistema de saúde, mas, pior do que isso, custa vidas”, alerta outro médico.

Gestão Sem Respostas

Em meio ao caos, a prefeita Adriane Lopes e a secretária Rosana Leite têm sido pressionadas, mas as soluções apresentadas não trouxeram melhorias efetivas. A falta de planejamento na aquisição e distribuição de medicamentos e insumos é apontada como uma das principais causas da crise.

Enquanto a gestão municipal mantém o silêncio, quem paga o preço são os moradores da cidade. “A saúde pública é um direito garantido por lei, mas, em Campo Grande, virou uma luta diária por sobrevivência”, conclui Rosângela, indignada.

O futuro da rede pública de saúde da cidade permanece incerto. Para os moradores, a única certeza é que, se a crise não for solucionada rapidamente, mais vidas serão colocadas em risco.

A lista da vergonha

Medicamentos marcados como estoque zerado no almoxarifado central:

INSULINA REGULAR (FRASCO 10ML)

ÁCIDO FOLICO CPR

AMOXICILINA 500MG CPR

CEFALEXINA 500MG CPR

HIDROCLOROTIAZIDA 25MG CPR

METILDOPA 250MG CPR

METOCLOPRAMIDA 10MG CPR

NITROFURANTOINA 100MG CPR

PREDNISONA 20MG CPR

PROMETAZINA 25MG CPR

FITA GLICEMIA

COMPLEXO B CPR

DICLOFENACO INJETAVEL

PENICILINA G 1200000

POMADA RETINOL

VERAPAMIL 80MG

PARACETAMOL 500MG CPR

LOSARTANA 50MG CPR

GUACO (XPE).

Itens que estão em falta ou são dispensados em quantidades muito pequena e não atendem as demandas das unidades.

COLETOR DE URINA 12 ML  (FALTA) – TUBETE

COLETOR UNIVERSAL 80ML (FALTA) – FRASCO TIPO COPO

BOLSA COLETORA SISTEMA FECHADA (SVD)  (FALTA)

DETERGENTE ENZIMÁTICO

DECARTEX (FALTA)

PVPI (FALTA)

CLOREXIDINA

HIPOCLORITO

CATETER VENOSO PERIFÉRICO  CALIBRE Nº 22 E 24 (FALTA)

SERINGA = 5ML  (FALTA)

AGULHA = 13X4,5  (FALTA)

PAPEL GRAU CIRÚRGICO  ROLO DE 30CM E 20CM  (FALTA)

BISTURI Nº 11

COPOS DESCARTÁVEIS 180 ML

LENÇOL DESCARTÁVEL PARA MACA

FIO DE SUTURA 3,0

GARROTE

MICROPORE

FRASCOS PARA DIETA

EQUIPO PARA DIETA

EQUIPO PARA SORO (FALTA)

ESPÉCULO M (FALTA)

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Comente sobre essa publicação...

Uma resposta para “Saúde pública em Campo Grande está abandonada”

  1. Marinalda disse:

    O povo quis ela novamente não pensaram agora tem que aguentar ela mais 4 anos ela não está nem aí ela está preocupada com o salário dela porque que ela não pega a metade do salário e compra os medicamentos ela não tem amor ao próximo ela fica doente ela vai no hospital e é atendida com rainha porque que ela não vai consultar pelo sus enfrentar uma fila no cem aí você chega na farmácia a resposta não tem e nem previsão desde o dia que ela tomou posse como prefeita a novela é longa receita não cura ninguém ela não coração mais o povo quis agora tem que aguentar tinham mais 2 opções mas votaram nela !!

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