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Campo Grande
Projeto prevê três etapas de aumento salarial até 2027 para a prefeita
Publicado em 23/04/2025 10:45 - Semana On
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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), está prestes a receber um reajuste escalonado de salário que elevará seus vencimentos dos atuais R$ 21.263,62 para R$ 35.462,22 até 2027. O aumento será implementado em três etapas, com início em 1º de abril de 2025, conforme minuta do projeto de lei. O primeiro salto, de R$ 5.679,43, eleva o salário da gestora para R$ 26.943,05 no próximo ano.
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O novo texto, construído em articulação entre o Executivo municipal e a Câmara de Vereadores, inclui também reajustes para a vice-prefeita Camila Nascimento e para os secretários municipais e dirigentes de autarquias. Os subsídios, segundo a proposta, crescerão de forma gradual: os da vice, por exemplo, sairão dos atuais R$ 22.334,53 e alcançarão R$ 31.915,80 em 2027; os dos secretários saltarão de R$ 19.028,90 para R$ 30.142,70 no mesmo período.
Segundo a prefeita, o escalonamento é fruto de diálogo com diferentes setores do poder público: “Essa situação vem sendo discutida com o sindicato, com a Câmara e com a Procuradoria. Estamos dialogando para encontrar a melhor forma de pagamento e cumprimento”.
A justificativa apresentada pela gestão é a defasagem salarial das categorias envolvidas, que estariam há 12 anos sem aumento real — o que, segundo a prefeitura, compromete a atratividade e a valorização dos cargos de direção pública. No entanto, o projeto ainda será submetido à análise do Ministério Público antes de seguir para votação em plenário.
A decisão de consultar o MP tem objetivo claro: blindar juridicamente a medida e evitar questionamentos futuros. O presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), confirmou a cautela: “Nós apenas estabelecemos o subsídio. A Prefeitura quer que o reajuste seja concedido de forma escalonada, para costurar de novo esse acordo vamos enviar uma minuta para o MP”, disse o parlamentar após reunião com a prefeita na terça-feira (22).
O Legislativo e o Executivo correm contra o tempo para acelerar a tramitação do projeto. Embora a expectativa inicial fosse votar a proposta já na quinta-feira (24), Papy admitiu que o rito formal e as exigências legais podem atrasar o cronograma.
A prática de reajustes escalonados não é inédita e tem sido usada por administrações municipais como forma de suavizar o impacto orçamentário e reduzir resistência política e social. No entanto, especialistas alertam que medidas como essa, mesmo legalmente amparadas, podem gerar desgaste junto à opinião pública — especialmente em contextos de crise econômica ou dificuldades fiscais enfrentadas pelos municípios.
A cientista política Vânia Aieta, professora da UERJ, pondera: “Reajustes em cargos de alto escalão sempre demandam transparência e um esforço de comunicação por parte dos gestores. O cidadão precisa entender o porquê desses aumentos, principalmente quando se vive um cenário em que boa parte da população sente o peso da inflação e da estagnação salarial”.
A proposta de escalonamento, apesar de envolver cifras expressivas, busca justamente evitar o desgaste político de uma elevação súbita. Resta saber se os argumentos técnicos e o respaldo institucional serão suficientes para garantir sua aprovação sem sobressaltos no plenário da Câmara — e na avaliação da sociedade.
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