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Campo Grande
Até quando? Podas radicais e derrubada irregular são comuns em toda a cidade
Publicado em 22/04/2025 10:00 - Semana On
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Campo Grande lidera o ranking nacional de arborização urbana entre as capitais brasileiras, segundo dados do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento revela que 91,4% dos domicílios da capital sul-mato-grossense estão localizados em vias públicas com pelo menos uma árvore, índice que coloca a cidade à frente de todas as demais capitais do país.
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O estudo do IBGE, que analisou as características urbanísticas do entorno dos domicílios, considerou apenas a presença de árvores em áreas públicas, excluindo aquelas em quintais privados. A metodologia adotada avaliou cada trecho das vias — chamados de “faces de quadra” —, compreendida como um pedaço da quadra onde fica o domicílio, por exemplo, de uma esquina a outra. Isso significa que as árvores precisavam estar no trecho da rua em que os moradores residiam.
No contexto nacional, a média de brasileiros que vivem em ruas arborizadas é de 66%. Em contraste, 34% da população reside em vias sem nenhuma árvore. Entre os estados, Mato Grosso do Sul se destaca como o único com percentual acima de 90% de moradores em ruas arborizadas, atingindo 92,5%12.
Benefícios da floresta urbana para a qualidade de vida
A presença massiva de árvores nas ruas traz inúmeros benefícios à população como redução das temperaturas e mitigação das ilhas de calor urbanas, tornando o ambiente mais agradável e saudável, melhoria da qualidade do ar, com remoção de poluentes e aumento da produção de oxigênio, diminuição do estresse, ansiedade e promoção do bem-estar físico e mental, além de incentivo à prática de atividades ao ar livre.
Para a prefeita, Adriane Lopes, esses reconhecimentos reforçam a importância das políticas públicas e da gestão eficiente da arborização urbana “Campo Grande serve de exemplo para outras cidades brasileiras e do mundo. A floresta urbana, além de embelezar a cidade, é fundamental para garantir qualidade de vida, saúde e bem-estar à população, promovendo um desenvolvimento verdadeiramente sustentável”.
Além de contribuir para a valorização imobiliária, reduzir risco de enchentes, já que as árvores ajudam a absorver e filtrar a água da chuva, melhorando o escoamento urbano, promoção da biodiversidade e criação de ambientes mais resistentes e sustentáveis.
Até quando?
No entanto, apesar do título, Campo Grande enfrenta um problema crescente: a derrubada ilegal e a poda radical de árvores, especialmente nos fins de semana, quando a fiscalização municipal é praticamente inexistente. Esse cenário ameaça a sustentabilidade do título de cidade mais arborizada do país.
Segundo o doutor em biologia José Milton Longo, o título de uma das cidades mais arborizadas do mundo não depende apenas da quantidade de árvores plantadas, mas da forma como a cidade administra suas florestas urbanas. “O reconhecimento é resultado de um planejamento eficiente, mas sem fiscalização e políticas públicas eficazes, a manutenção desse título pode ser comprometida”, alerta.
A arborização urbana oferece inúmeros benefícios à população, como a redução das ilhas de calor, a melhora na qualidade do ar e o aumento do bem-estar físico e mental dos cidadãos. Além disso, projetos comunitários têm desempenhado um papel fundamental na conservação das áreas verdes, por meio de mutirões de plantio e programas de adoção de espaços arborizados.
Entretanto, a falta de fiscalização da Prefeitura tem permitido que a poda irregular e o corte ilegal de árvores aconteçam sem controle, principalmente nos fins de semana. Essas práticas não apenas prejudicam a vegetação, mas também colocam em risco o equilíbrio ambiental da cidade, que pode perder sua posição de destaque caso a degradação continue sem intervenção.
Futuro da arborização em Campo Grande
Especialistas alertam que a arborização urbana de Campo Grande corre risco caso medidas mais efetivas de fiscalização e educação ambiental não sejam implementadas. “Ser uma cidade premiada não significa que estamos isentos de problemas. A gestão pública precisa estar atenta para garantir que o título seja mantido com responsabilidade ambiental”, ressalta Longo.
A Prefeitura ainda não se manifestou sobre possíveis estratégias para intensificar a fiscalização, principalmente nos fins de semana, quando ocorrem os principais casos de poda radical e cortes irregulares de árvores. Enquanto isso, moradores e ambientalistas seguem cobrando medidas mais rígidas para preservar o verde da cidade e garantir que o reconhecimento internacional não se torne apenas um título simbólico.
Se Campo Grande deseja continuar entre as cidades mais arborizadas do mundo, será necessário um esforço conjunto entre gestão pública, população e entidades ambientais. Caso contrário, a realidade da cidade pode se transformar, e o status de “Cidade Árvore do Mundo” pode ter vida curta.