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Campo Grande
Paralisação ocorreu após os motoristas receberem apenas metade do salário de novembro
Publicado em 18/12/2025 2:48 - Semana On
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Diante do agravamento da greve dos motoristas de ônibus, que chegou ao quarto dia nesta quinta-feira (18), o governo do Estado decidiu agir para evitar o colapso do transporte coletivo na Capital. O governador Eduardo Riedel (PP) anunciou a liberação antecipada de recursos à prefeitura, medida que pode encerrar a paralisação ainda hoje ou, no mais tardar, nesta sexta-feira — desde que haja manifestação formal da prefeita Adriane Lopes (PP).
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Durante coletiva de imprensa na manhã desta quinta, Riedel informou que o Estado está disposto a adiantar a terceira parcela do convênio firmado com o município para subsidiar o passe dos estudantes da rede estadual matriculados em escolas municipais. “Basta que a prefeita formalize o pedido para que a equipe técnica do governo dê encaminhamento ao processo de liberação do dinheiro”, afirmou.
Fontes da própria prefeitura confirmaram que o ofício solicitando o adiantamento foi encaminhado ao governo estadual ainda nesta manhã.
A paralisação dos trabalhadores do transporte coletivo ocorreu após os motoristas receberem apenas metade do salário de novembro. A categoria cobra o pagamento do adiantamento salarial (vale), com vencimento no dia 20, além do 13º salário.
Convênio de R$ 13,4 milhões
O convênio, firmado de forma voluntária pelo governo do Estado desde 2022, prevê para este ano um repasse total de R$ 13,4 milhões à prefeitura. O valor é dividido em quatro parcelas iguais de R$ 3.367.643,47.
As parcelas referentes aos meses de julho e agosto já foram pagas. Restam ainda os repasses previstos para janeiro e fevereiro de 2026. Segundo o governador, a parcela de janeiro será depositada imediatamente após a conclusão do processo de adiantamento, que depende exclusivamente da solicitação formal da prefeita.
A iniciativa do governo estadual contrasta com a incapacidade da administração municipal de honrar compromissos básicos com o sistema de transporte, situação que levou diretamente à greve.
Calotes sucessivos
A paralisação é resultado de reiterados atrasos e calotes da gestão Adriane Lopes junto ao Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo. O mesmo padrão de inadimplência se repete em outras áreas, como no Hospital Santa Casa e junto a fornecedores de medicamentos e serviços.
Mesmo diante da crise, a prefeita afirmou publicamente que não haveria pendências financeiras com as empresas de ônibus — informação desmentida pelos números. As dívidas acumuladas ultrapassam R$ 35 milhões.
Nesta semana, Adriane Lopes também divulgou em seu perfil no Instagram um valor incorreto sobre os repasses estaduais. Segundo ela, o município teria a receber até 9 de dezembro a quantia de R$ 4.861.550,67 referente ao convênio. O número, no entanto, não existe.
Pelos termos do acordo, as parcelas são fixas e iguais, no valor de R$ 3.367.643,47. Considerando os repasses ainda não pagos, o crédito seria de R$ 6.735.286,94 — jamais o montante divulgado pela prefeita.
Desequilíbrio contratual ignorado
Além dos atrasos diretos, a prefeitura também descumpre o 4º termo aditivo do contrato de concessão do transporte coletivo, assinado em 25 de março de 2022. O acordo definiu a diferença entre a tarifa pública e a tarifa de remuneração, mecanismo essencial para garantir o equilíbrio econômico-financeiro do sistema.
Atualmente, a tarifa de remuneração — que reflete o custo real do serviço e deve ser paga pelo poder público — é de R$ 6,57. Já a tarifa pública, paga pelos usuários, é de R$ 4,95. A diferença de R$ 1,62 por passagem deve ser repassada mensalmente pela prefeitura ao Consórcio Guaicurus.
Essa apuração é responsabilidade da Agência de Regulação de Serviços Públicos do município (Agereg), que há meses deixou de calcular e repassar os valores. A omissão resultou em uma dívida estimada em cerca de R$ 35 milhões.
Enquanto a prefeitura se mostra incapaz de cumprir contratos e prestar informações corretas à população, coube ao governo do Estado intervir para evitar que a crise no transporte público se transformasse em um colapso ainda maior — evidenciando, mais uma vez, o papel decisivo do governador Eduardo Riedel diante da inoperância da administração municipal.
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