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Campo Grande

Protetoras protestam contra corte de castrações em Campo Grande

Decisão da Prefeitura afeta controle populacional de cães e gatos

Publicado em 20/08/2025 11:53 - Semana On

Divulgação PMCG

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Campo Grande voltou a registrar protestos na manhã desta quarta-feira (20) diante da suspensão de atendimentos exclusivos para castração de animais resgatados por protetoras independentes e ONGs. A manifestação, com cerca de 60 pessoas — a maioria mulheres —, ocorreu em frente à sede da Superintendência de Bem-Estar Animal (Subea), e cobra da prefeitura o retorno imediato do serviço, considerado vital para o controle populacional de cães e gatos e para a prevenção de doenças zoonóticas.

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O corte foi consequência direta do decreto municipal nº 16.313/2025, que determinou uma redução de 25% nos serviços públicos. Embora a prefeitura afirme tratar-se de um “remanejamento”, na prática, a medida representou um encolhimento de quase 99% na capacidade de atendimento voltado às protetoras. Antes da nova regra, as quartas-feiras eram reservadas exclusivamente para o grupo, com média de 250 castrações por dia. Agora, cada protetor cadastrado pode agendar no máximo 10 animais em dias aleatórios da semana, por meio do programa itinerante.

“Todos os animais que nós doamos precisam ser castrados. Só no último fim de semana, foram mais de 40 adoções. Com a suspensão, isso vai atrapalhar não só a vida das protetoras, mas também a saúde pública”, afirmou Dani Matos dos Reis, representante do movimento, que atua há cinco anos na causa.

O novo modelo, segundo as manifestantes, força mais de 200 protetoras a disputar 200 vagas mensais — um número irrisório diante da demanda crescente. “Foram retirados mais de 90% das nossas castrações. Se hoje consigo agendar 10 animais, quando será a próxima vez? Daqui seis meses?”, questiona Dani, apontando a falta de previsibilidade e a sobrecarga gerada pela mudança.

A crítica também se estende à forma como a decisão foi comunicada. Juliana Zanoni, que há um ano acolhe animais abandonados, relata frustração: “Nunca foram vagas à vontade, só queremos o que nos foi prometido. Avisaram de última hora e não levam nosso trabalho a sério”.

A indignação se repete em relatos como o da babá Muriel Benites, responsável por 20 cães resgatados. “É uma falta de respeito com as protetoras, um descaso. Querem tirar o que é dever deles e empurrar para nossas casas, mas não temos estrutura. Precisamos de uma instituição.”

A médica veterinária Layrez Reis, que acompanha feiras de adoção na capital, destaca os riscos sanitários do esvaziamento do programa. “Existe um estudo que preconiza a quantidade mínima necessária para reduzir a população de cães e gatos de rua. Hoje, nem esse valor é atingido. O resultado será mais abandono e mais animais doentes circulando pela cidade”, alertou. Pesquisas como as do World Animal Protection e da International Companion Animal Management Coalition indicam que, para haver impacto real na redução populacional, é necessário castrar entre 70% e 80% da população de rua e semi-domiciliada — metas ainda distantes da realidade campo-grandense.

Em nota oficial, a Subea informou que já realizou mais de 9.000 castrações em 2025 e que a mudança visa reorganizar os atendimentos. Segundo o órgão, os serviços não foram suspensos, mas redistribuídos: o atendimento agora está limitado a cinco protetoras por período, com cinco animais cada, somando os atuais 200 procedimentos mensais. A superintendência também afirmou que o antigo formato deve ser retomado em setembro, sem, no entanto, garantir que as quartas-feiras voltarão a ser exclusivas para protetores independentes.

Enquanto isso, os serviços regulares seguem abertos ao público em geral na Unidade de Bem-Estar Animal (Ubea) e no consultório móvel, com a distribuição de 15 senhas por período — sendo 10 para consultas e cinco para castrações. Para acessar os serviços, é preciso apresentar documento com foto e comprovante de residência.

A mobilização das protetoras, no entanto, segue firme. O grupo lançou uma petição online e promete manter a pressão sobre a administração municipal. Para Dani Reis, o impacto da mudança é devastador. “Cinco anos de trabalho árduo foram jogados fora com essa redução. É um retrocesso”, resume.

A crítica vai além da pauta animal. O episódio expõe as fragilidades de políticas públicas mal planejadas, que desconsideram o papel estratégico da sociedade civil no cuidado com populações vulneráveis — inclusive as de quatro patas.

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