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Campo Grande
Artesãos perderam trabalho e comerciantes relatam prejuízos e insegurança
Publicado em 18/07/2025 12:12 - Semana On
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A reforma da Praça dos Imigrantes, no centro de Campo Grande (MS), deveria durar três meses. Mais de dois anos depois, o espaço continua interditado, com obras paralisadas, estrutura deteriorada e sem qualquer previsão concreta de conclusão. O local, importante ponto de comercialização de artesanato e produtos locais, tornou-se um símbolo de abandono no coração da capital sul-mato-grossense.
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Desde junho de 2023, data oficial de início das obras, a praça permanece cercada, repleta de entulhos, com acúmulo de sujeira e sem iluminação. A degradação visível preocupa trabalhadores que dependiam diretamente da movimentação na praça, além de comerciantes vizinhos afetados pela queda no fluxo de clientes e pelo clima de insegurança.
Cerca de 100 artesãos foram deslocados para um espaço provisório na Morada dos Baís, também na região central. A mudança, no entanto, não compensou. “A gente tem problema de ter que virem, você tem que gastar e não tem venda. Às vezes a gente fica meia sem vender uma peça”, relata a artesã mosaicista Izaura Marim Chaves. Segundo ela, a falta de turistas e o funcionamento irregular do local agravaram ainda mais a situação. Hoje, muitos artesãos trabalham de casa, sem estrutura e com prejuízos acumulados.
Apesar da paralisação evidente, a Prefeitura de Campo Grande ainda afirma em seu site oficial que a obra está “em execução”, com prazo de entrega para dezembro de 2024. No entanto, passados mais de 12 meses desde o início prometido, pouco — ou quase nada — foi feito além de pequenos reparos.
A situação levou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL-CG), Adelaido Vila, a solicitar formalmente à prefeitura a limpeza da área e a interdição do espaço, para evitar o uso irregular. O pedido foi feito há mais de um mês, sem qualquer resposta oficial até o momento.
A degradação da Praça dos Imigrantes é reflexo de um padrão de ineficiência recorrente na gestão de espaços públicos em Campo Grande. A morosidade em obras de pequena escala — como reformas de praças — impacta diretamente a economia local e evidencia uma falta de planejamento e transparência. Neste caso, o descaso público atinge não apenas a infraestrutura urbana, mas a sobrevivência de dezenas de trabalhadores e a vitalidade do centro da cidade.
Especialistas em urbanismo alertam que a falta de continuidade em projetos públicos compromete não só a estética da cidade, mas também sua funcionalidade social e econômica. Em entrevista ao jornal O Globo, a arquiteta e urbanista Luciana Royer, professora da FAU-USP, aponta: “O espaço público tem papel essencial na vida urbana, e o abandono desses locais cria ilhas de insegurança, afeta o comércio e desvaloriza o entorno”.
Com um orçamento municipal de cerca de R$ 5 bilhões em 2024, segundo dados da Lei Orçamentária Anual, a paralisação de uma obra de pequeno porte como essa expõe escolhas administrativas questionáveis. A ausência de explicações concretas da prefeitura acentua a desconfiança de moradores e trabalhadores que, além de invisibilizados, agora pagam a conta da inércia institucional.
A cada mês que passa, a Praça dos Imigrantes deixa de ser um polo cultural e comercial para se tornar um retrato da negligência. Sem transparência, sem avanço e sem perspectiva, a obra parada escancara a distância entre as promessas da gestão municipal e a realidade enfrentada pela população.
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