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Campo Grande

Campo Grande à beira de greve geral

Servidores pressionam por reajuste após congelamento de salários

Publicado em 18/07/2025 10:32 - Semana On

Divulgação Divulgação

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Campo Grande vive uma tensão crescente entre a gestão municipal e os servidores públicos. A insatisfação com o anúncio de reajuste zero nos salários, feito pela prefeita Adriane Lopes (PP), já mobiliza categorias estratégicas para uma possível greve geral. Em assembleias marcadas para os dias 21 e 22 de julho, os servidores irão deliberar sobre paralisações e indicativo de greve por tempo indeterminado. A medida extrema surge após o rompimento de um acordo firmado em maio entre o Executivo e o Sindicato dos Funcionários e Servidores Municipais (Sisem), que previa negociações para recomposição salarial.

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A decisão de manter os salários congelados pelo quarto ano consecutivo não apenas desrespeita o pacto firmado com os trabalhadores, como também intensifica a crise vivida em setores essenciais, como a Saúde, que já opera no limite. “Não é justo que agora ela volte atrás, pois se trata de 30 mil servidores que acumulam uma defasagem salarial de 30%”, afirma William Freitas, presidente do Sisem. A declaração foi dada ao jornal Midiamax em 16 de julho, e reflete o clima de revolta entre os trabalhadores da base.

No centro da polêmica está a publicação da Lei nº 7.443, que estabelece um teto para o crescimento das despesas primárias do município, restringindo aumentos aos índices da inflação medida pelo IPCA. A medida é exigência para a adesão da Prefeitura ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), do Governo Federal, que impõe contrapartidas rigorosas em troca da liberação de novos financiamentos, com juros mais baixos e aval da União.

Na prática, o plano limita a política salarial do município e suspende progressões de carreira, atingindo duramente os servidores de menor remuneração, enquanto abre espaço para o aumento substancial dos vencimentos de cargos do alto escalão. Desde junho, a prefeita Adriane Lopes recebe um salário reajustado em 66,7%, passando a ganhar R$ 35.462,22. Seus secretários tiveram um aumento ainda mais expressivo: 159%, com salários saltando de R$ 11.619,70 para R$ 30.142,70. A vice-prefeita Camilla Nascimento também teve seu salário dobrado. No Legislativo, os vereadores de Campo Grande aprovaram para si um aumento de 37,32%.

A disparidade entre o congelamento imposto à base do funcionalismo e os generosos reajustes no topo da pirâmide salarial municipal tem inflamado os ânimos e ampliado a mobilização.

O cenário não é isolado. Desde 2016, com a promulgação da Emenda Constitucional 95, que estabeleceu o teto de gastos para a União, estados e municípios têm recorrido a medidas de contenção de despesas que impactam diretamente os serviços públicos. O economista e pesquisador do Ipea Pedro Rossi lembra que “a política de austeridade fiscal tem implicações severas sobre a capacidade de investimento do Estado e sobre a valorização do serviço público”. A citação foi feita em entrevista à Carta Capital em maio de 2023, no contexto da discussão sobre os efeitos sociais do PEF.

As assembleias do Sisem estão previstas para ocorrer na sede do sindicato, no Bairro Monte Líbano. No dia 21, reúnem-se médicos veterinários, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais de saúde, além de técnicos e auxiliares em saúde bucal. No dia seguinte, será a vez dos servidores efetivos da saúde definirem os rumos da mobilização.

Se confirmada, a greve afetará principalmente a rede pública de Saúde, que já enfrenta sobrecarga e escassez de pessoal. Diante da possível paralisação, cresce a pressão para que a Prefeitura revise sua posição e cumpra os compromissos assumidos com a categoria.

A equação entre equilíbrio fiscal e valorização do funcionalismo revela-se mais do que uma disputa orçamentária: é uma escolha política. Em um momento em que a confiança entre gestores e servidores se desfaz, o risco de colapso institucional cresce — e o preço será pago pela população que depende dos serviços públicos essenciais.

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