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Campo Grande
Mais de 100 procedimentos serão realizados neste sábado para reduzir a fila do SUS
Publicado em 04/07/2025 9:36 - Semana On
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Num momento em que o acesso à saúde pública ainda representa um desafio para milhões de brasileiros, especialmente em áreas críticas como cirurgias eletivas e diagnósticos por imagem, um mutirão de saúde organizado em Campo Grande oferece um alento concreto à população. Neste sábado, 5 de julho, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), promove um conjunto de mais de 100 procedimentos gratuitos, com o objetivo de reduzir a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.
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A ação contempla cirurgias de laqueadura tubária, tomografias, ultrassonografias, biópsias de tireoide e ecocardiogramas, todos agendados conforme a ordem de prioridade e o tempo de espera dos pacientes já cadastrados no sistema de regulação da saúde pública.
Segundo informações oficiais, serão oferecidas:
– 20 cirurgias eletivas de laqueadura tubária;
– 60 tomografias de abdome;
– 60 ultrassonografias (musculoesqueléticas, renais, abdominais e de vias urinárias);
– 14 biópsias de tireoide;
– 15 ecocardiogramas transtorácicos.
A importância dos mutirões para o SUS
O modelo de mutirões de saúde tem sido uma resposta recorrente em diversas regiões do país diante da sobrecarga estrutural do SUS — que, embora seja um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, enfrenta desafios crônicos relacionados a financiamento, pessoal e logística. De acordo com dados do Ministério da Saúde, havia mais de 1 milhão de pessoas aguardando por cirurgias eletivas em todo o Brasil ao final de 2023.
Além disso, exames de imagem — essenciais para diagnóstico precoce de doenças graves — frequentemente sofrem com esperas superiores a seis meses, o que compromete não apenas o tratamento, mas também a sobrevida dos pacientes.
Iniciativas como a da UFMS funcionam, portanto, como intervenções pontuais de alto impacto, permitindo que pacientes saiam da fila e tenham acesso a serviços que, muitas vezes, não poderiam pagar na rede privada. Elas também são exemplos da colaboração entre universidades públicas e o SUS, um modelo reconhecido por sua eficiência na formação de profissionais e no atendimento à população.
Saúde reprodutiva como prioridade
A inclusão de cirurgias de laqueadura tubária no mutirão também aponta para um esforço em ampliar o acesso das mulheres a direitos reprodutivos — tema frequentemente negligenciado nas políticas públicas de saúde. A laqueadura é um procedimento legal e gratuito pelo SUS desde a Lei nº 9.263/1996 (Lei do Planejamento Familiar), mas a burocracia, o preconceito e a escassez de profissionais ainda são entraves à sua realização.
Em 2023, a legislação foi alterada para permitir que mulheres maiores de 21 anos possam realizar a laqueadura sem a exigência de consentimento do cônjuge — avanço considerado fundamental por organizações de direitos das mulheres. Segundo levantamento da Agência Senado, a fila por esse tipo de procedimento cresceu 38% entre 2020 e 2023.
Universidade, ciência e serviço público
Ao promover um mutirão com essa estrutura, a UFMS reafirma o papel social das universidades públicas brasileiras. O Hospital Universitário é vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal responsável pela gestão de hospitais universitários federais. Criada em 2011, a Ebserh é parte da estratégia nacional para integrar ensino, pesquisa e atendimento público, fortalecendo o SUS a partir da formação técnica e científica de excelência.
Como destaca o pesquisador e sanitarista Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa, “o SUS só será forte se contar com a inteligência das universidades públicas. Os hospitais universitários são a ponte entre a ciência e a saúde de quem mais precisa”.
Compromisso com quem mais precisa
A expectativa é de que as ações deste sábado em Campo Grande não apenas aliviem momentaneamente a fila de espera, mas também sirvam de exemplo replicável para outras unidades da federação. Iniciativas como essa mostram que, mesmo diante das dificuldades orçamentárias e institucionais, é possível construir respostas ágeis, humanas e eficientes — desde que haja vontade política, articulação técnica e comprometimento com o interesse público.
Em tempos de desigualdade crescente e tensões sociais, oferecer saúde gratuita e de qualidade continua sendo um dos maiores atos de cidadania e justiça social que o Estado brasileiro pode realizar.
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