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Campo Grande
Relatórios técnicos confirmam falhas ambientais na planta frigorífica em Campo Grande, enquanto ações judiciais e protestos se intensificam contra o incômodo persistente
Publicado em 06/01/2025 9:59 - Semana On
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O mau cheiro emanado da planta frigorífica da JBS, localizada no bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande (MS), continua a ser motivo de revolta e ações legais em 2025. Apesar de denúncias, fiscalizações e até intervenções institucionais, moradores relatam que a situação persiste, afetando sua qualidade de vida e gerando um embate cada vez mais intenso entre a gigante do setor alimentício e a população.
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A mais recente vistoria realizada pela equipe técnica do Daex (Secretaria de Desenvolvimento de Apoio às Atividades de Execução) confirmou os relatos. Segundo o laudo divulgado em outubro de 2024, há emissão de odores resultantes de falhas estruturais, como aberturas que permitem o escape de gases do processo produtivo e uma cobertura arbórea insuficiente para conter os impactos ambientais.
Os técnicos concluíram que, além de incômodo, a exposição contínua a esses odores pode causar sérios transtornos à população. Em resposta, a JBS foi notificada a adotar medidas imediatas, incluindo a vedação total das áreas de maior emissão de gases e a implantação de uma cortina arbórea robusta. A empresa também foi orientada a considerar o deslocamento de sua planta produtiva para uma área industrial mais adequada.
Histórico de descaso e mobilização popular
A crise envolvendo a planta da JBS não é nova. Desde 2023, o frigorífico vem sendo alvo de protestos, denúncias ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), audiências públicas e ações judiciais. Em maio de 2024, o MPMS instaurou um inquérito civil para investigar o problema (nº 06.2024.00000496-4). Desde então, o órgão tem pressionado a empresa a implementar um Plano de Monitoramento Ambiental (PAM) que atenda às exigências legais.
Entretanto, a morosidade nas ações e a resistência da JBS em aceitar acordos judiciais têm prolongado o impasse. O juiz Flávio Saad Peron, da 15ª Vara Cível de Competência Residual, propôs novas audiências de conciliação para lidar com três ações movidas por moradores da região. Em uma dessas ações, marcada para 30 de janeiro de 2025, a JBS já declarou não ter interesse em conciliar.
As demandas judiciais, que já somam cerca de 200 processos, variam entre pedidos de indenizações por danos morais – que vão de R$ 25 mil a R$ 150 mil – e por desvalorização de imóveis na região.
Impacto econômico e ambiental
A JBS, que registrou um lucro de R$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre de 2024, enfrenta a difícil tarefa de conciliar suas operações lucrativas com a responsabilidade socioambiental. O descaso com a comunidade do Nova Campo Grande contrasta com o discurso corporativo de sustentabilidade propagado pela empresa.
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), que fiscaliza questões ambientais, também recomendou melhorias como condição para a renovação da licença ambiental da planta. Porém, a persistência do mau cheiro levanta dúvidas sobre a efetividade dessas medidas.
Especialistas em gestão ambiental apontam que casos como este são emblemáticos dos conflitos entre interesses econômicos e direitos básicos da população. Segundo o professor Ricardo Abramovay, especialista em economia socioambiental, “a sustentabilidade não é um favor das empresas à sociedade, mas uma obrigação que, quando negligenciada, gera custos sociais e ambientais irreparáveis” (Abramovay, Sustentabilidade: o que é, o que não é, 2021).
O que está em jogo
A questão ultrapassa a esfera local. Ela é um reflexo de como grandes corporações muitas vezes negligenciam o impacto de suas operações sobre comunidades vulneráveis. A falta de resposta eficaz da JBS pode não apenas comprometer sua reputação, mas também abrir precedentes para o fortalecimento de mecanismos de controle ambiental e judicial no Brasil.
Para os moradores de Nova Campo Grande, no entanto, a luta é mais imediata. Enquanto a novela do mau cheiro segue, o dilema entre progresso econômico e justiça ambiental persiste como uma questão central para o futuro das cidades brasileiras. Resta saber se a pressão popular será suficiente para trazer alívio a quem convive diariamente com o incômodo.
Lucro bilionário, cheiro insuportável: o descaso da JBS com Nova Campo Grande
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