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Campo Grande

Lucro bilionário, cheiro insuportável: o descaso da JBS com Nova Campo Grande

Enquanto acumula bilhões, gigante frigorífica ignora conciliação e deixa moradores à mercê do mau cheiro e da desvalorização de suas vidas

Publicado em 30/12/2024 12:00 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Com o término de 2024, os moradores do bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande (MS), encerram mais um ano convivendo com o persistente problema do mau cheiro, originado do curtume da JBS. A questão, que já ultrapassou o campo ambiental, tornou-se uma batalha judicial com centenas de processos movidos pela população contra a empresa, que registrou um lucro de R$ 3,9 bilhões apenas no terceiro trimestre deste ano.

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Apesar da lucratividade robusta, a JBS tem demonstrado pouco interesse em conciliar. Recentemente, a Justiça designou audiências para mediar os processos, mas a empresa afirmou nos autos que não pretende participar, alegando o grande volume de ações similares e a falta de disposição dos autores em aceitar um acordo.

O peso de uma convivência forçada

Enquanto o impasse jurídico se arrasta, os moradores lidam com as consequências diretas de viver ao lado de um curtume que, segundo relatos, compromete não apenas a qualidade do ar, mas também a dignidade cotidiana. Para muitos, o odor intenso torna as festas de final de ano inviáveis. Moradores afirmam que viver em meio ao fedor é terrível.

Justiça e indenizações: uma espera longa

Os processos contra a JBS incluem pedidos de indenização que variam de R$ 25 mil a R$ 150 mil, valores calculados com base no número de pessoas representadas em cada ação. Além do dano moral pelo mau cheiro, os moradores também demandam compensação pela desvalorização de imóveis na região.

O problema afeta o bem-estar físico, mental e econômico dos moradores, agravando a sensação de abandono pelo poder público e pelo setor privado. Casos como o de Nova Campo Grande ilustram o conflito estrutural entre lucro corporativo e justiça socioambiental.

O que está em jogo?

O caso revela uma contradição central no modelo econômico brasileiro, que frequentemente prioriza a competitividade empresarial em detrimento de impactos sociais e ambientais. A JBS, gigante do setor frigorífico mundial, é exemplo emblemático de uma indústria que opera em larga escala, mas enfrenta recorrentes críticas por práticas ambientais e sociais.

Para os moradores do Nova Campo Grande, a batalha não é apenas judicial, mas também simbólica: ela representa a luta por dignidade em um cenário de negligência. Essas comunidades acabam sendo invisibilizadas. Não há incentivos reais para que empresas dialoguem com populações vulneráveis, especialmente em regiões economicamente periféricas.

Perspectivas para 2025

Com a postura de resistência da JBS e a morosidade natural do sistema judicial brasileiro, 2025 já se desenha como mais um ano de incertezas para o Nova Campo Grande. O problema do mau cheiro parece estar longe de uma solução definitiva, o que reforça a necessidade de mobilização social e política.

Especialistas sugerem que ações coletivas, combinadas a uma pressão institucional mais robusta, podem acelerar a busca por resoluções. Ainda assim, o desafio de equilibrar interesses empresariais e direitos humanos continua sendo um dos maiores obstáculos no cenário contemporâneo brasileiro.

Para os moradores, resta a esperança de que a justiça ambiental e social seja mais do que uma promessa distante no horizonte de um novo ano. Afinal, como questiona o antropólogo Milton Santos: “De que serve o progresso, se não incluir aqueles que mais dele precisam?”.

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