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Campo Grande
Adriane Lopes questiona constitucionalidade de lei que quase dobra sua remuneração e critica impacto fiscal da medida
Publicado em 20/01/2025 10:37 - Semana On
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A Câmara Municipal de Campo Grande tem cinco dias para responder à ação judicial movida pela prefeita Adriane Lopes (PP), que contesta o aumento de seu próprio salário de R$ 21.263,62 para R$ 41.845,62, estabelecido pela Lei nº 7.006/2023. O desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), determinou que o Ministério Público do Estado (MPMS) também emita parecer em até três dias.
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Embora tenha negado liminar para a redução imediata dos subsídios, o magistrado destacou que a lei só produzirá efeitos financeiros a partir de fevereiro de 2025, o que permite maior análise jurídica.
O aumento de 96,8% no salário da prefeita contrasta fortemente com o reajuste de apenas 7,5% no salário mínimo nacional, que passou de R$ 1.412,00 para R$ 1.518,00 em 2024. Considerados os quatro anos do próximo mandato, incluindo férias e abono natalino, Adriane Lopes poderá receber mais de R$ 2,2 milhões brutos, sem contabilizar eventuais penduricalhos que possam ser adicionados.
A medida também beneficia a vice-prefeita Camila Nascimento, cujo salário saltará de R$ 15.947,03 para R$ 37.658,61, um aumento de 136%. Já os secretários municipais terão reajuste de 206%, com seus rendimentos subindo de R$ 17.369,58 para R$ 35.657,50.
Os diretores de autarquias também se beneficiam, passando a receber R$ 30.142,70, mais do que o dobro do vencimento anterior de R$ 11.619,70. Além disso, o teto salarial, que tem como referência o salário da prefeita, será ampliado, beneficiando diretamente 408 servidores municipais, entre eles auditores fiscais, procuradores, médicos e diretores de escolas, que terão aumento automático de 97%.
Questionamentos e impacto fiscal
Na ação judicial, Adriane Lopes argumenta que a Lei nº 7.006/2023 apresenta vício formal, violando o artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal. A prefeita afirma que o projeto de lei não foi acompanhado de estudos prévios de impacto orçamentário e financeiro, como exige a legislação.
A prefeita também criticou o processo legislativo que originou a norma, ressaltando que a iniciativa foi conduzida exclusivamente pela Câmara Municipal, sem participação do Executivo. A justificativa para o aumento era corrigir a defasagem salarial de servidores vinculados ao teto municipal, como médicos e diretores de escolas, mas a medida gerou controvérsia ao incluir altas remunerações para agentes políticos e secretários.
Embora o reajuste fosse necessário para corrigir desigualdades históricas entre servidores, a forma como foi conduzido evidencia falta de responsabilidade fiscal.
Contexto histórico e legislativo
A polêmica teve início em 2023, quando duas propostas tramitaram na Câmara Municipal. Uma delas previa aumento imediato, mas foi derrubada na Justiça com o argumento de que a medida não poderia ser aprovada e aplicada na mesma legislatura. Posteriormente, foi aprovado outro projeto, com vigência a partir de 2025, escapando de questionamentos legais sobre a legislatura atual.
Apesar de ter se posicionado contra o reajuste em 2023, Adriane Lopes enfrenta agora a possibilidade de ser beneficiada pela norma. Com o fim das folhas salariais secretas e dificuldades para atrair profissionais qualificados para cargos técnicos na administração municipal, a prefeita dificilmente deixará de aplicar os novos valores.
Desafios éticos e políticos
A questão expõe disparidades salariais e éticas na administração pública. Enquanto os subsídios de agentes políticos e altos cargos quase dobram, a maioria dos trabalhadores brasileiros enfrenta aumentos modestos, como os R$ 106,00 que elevaram o salário mínimo para R$ 1.518,00.
O aumento salarial reforça as críticas sobre a desconexão entre a classe política e a realidade da população. O Brasil vive um momento de profunda desigualdade, e decisões como essa alimentam o descrédito nas instituições democráticas.
Perspectivas
Com os prazos judiciais em curso, o desfecho da ação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul será um divisor de águas para a política local. A decisão pode reforçar a necessidade de maior rigor nos processos legislativos que geram impacto financeiro e, ao mesmo tempo, pressionar lideranças a adotar práticas mais transparentes e éticas.
Para a população, a questão é emblemática de um problema maior: como equilibrar a valorização dos servidores públicos e a responsabilidade fiscal, sem que a classe política se coloque acima da realidade vivida pela sociedade.
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Oi então, enquanto a prefeita de Campo Grande, questiona na justiça, proporciona aumento de ate 206% nos vencimentos nos salário dos cargos comissionados. Ou seja o sistema cabresto.
Oi profissionais capacitados é um mero detalhe. O beneficio com um comicionado com capacidade de articulação politica, é mais interessante politicamente. Por isso que foi concedido os 206% nos cargos em comissão ou cargos de confiança. A velha tática, é melhor ter um ou 2 funcionarios com cargo comissionado com possibilidade de 10 à 20, cabos eleitoral. Do que um servidor tecnico competente.