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Campo Grande

Fecomércio anuncia R$ 1 milhão para Horto Florestal, mas plano ainda é vago

Sem cronograma, escopo definido ou detalhes técnicos, federação assume gestão parcial do espaço em Campo Grande

Publicado em 09/09/2025 10:59 - Semana On

Divulgação PMCG

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A Fecomércio prevê investimento inicial de R$ 1 milhão no Horto Florestal de Campo Grande, mas ainda não sabe exatamente no que o valor será aplicado nem por quanto tempo o parque permanecerá fechado ao público. O protocolo de intenções assinado entre a entidade e a Prefeitura de Campo Grande formaliza uma cooperação para revitalização do espaço, porém sem clareza sobre prazos, metas ou detalhamento técnico das ações previstas.

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A cerimônia de assinatura ocorreu na tarde de segunda-feira (8), na sede da federação, no bairro Amambaí, e contou com a presença da prefeita Adriane Lopes (PP) e do presidente do Sistema Comércio, Édson Araújo. Segundo ele, o investimento inicial será de R$ 1 milhão, mas o montante total pode ser maior, conforme forem definidos os termos do compromisso.

“O que nós temos até agora é um termo de cooperação. Só depois que os nossos jurídicos definirem o que cabe a cada um, é que a gente vai ver isso”, admitiu Araújo, ao ser questionado sobre o escopo das intervenções.

A indefinição contrasta com a urgência de reformas em estruturas históricas do parque, como o campo de bocha, o orquidário e os espelhos d’água — todos atualmente em estado de abandono. Essas áreas serão de responsabilidade da Fecomércio, enquanto a parte externa do Horto, segundo a prefeita, permanecerá sob gestão da prefeitura, que já realiza inventário da vegetação existente.

“A parte estruturante será com a Fecomércio, que vai trazer de volta o Horto Florestal para os campo-grandenses”, afirmou Adriane Lopes, sem apresentar estimativas de prazo ou custo das intervenções municipais.

O termo assinado prevê que o espaço continuará sendo público, mas sob gestão compartilhada. A promessa é que o Horto passe a abrigar eventos e atividades promovidas pelo Sesc e pelo Senac, instituições do Sistema Comércio, fortalecendo o uso cultural e comunitário da área. No entanto, sem um projeto técnico apresentado até agora, especialistas apontam riscos de desvio do foco ecológico original do parque.

Falta de transparência e histórico de abandono

Criado em 1938, o Horto Florestal é uma das áreas verdes mais tradicionais de Campo Grande e já foi símbolo de lazer, educação ambiental e conservação. Nas últimas décadas, porém, passou por sucessivos ciclos de abandono, promessas de revitalização e reformas paliativas.

Segundo levantamento do Correio do Estado, ao menos quatro propostas diferentes para o Horto foram anunciadas desde 2010, com pouca execução prática. A falta de planejamento detalhado — como a atual indefinição sobre o novo projeto da Fecomércio — repete um padrão de improviso na gestão de áreas públicas na capital sul-mato-grossense.

Para o urbanista e professor da UFMS, Luís Eduardo Costa, a ausência de diretrizes claras compromete o potencial do espaço. “Sem um plano diretor específico e consulta pública estruturada, qualquer tentativa de revitalização corre o risco de virar uma maquiagem urbana”, afirmou em entrevista ao portal Midiamax, em março de 2023.

Proposta paralela de novo horto em área de preservação

Enquanto o destino do Horto Florestal segue indefinido, uma nova proposta surge no horizonte: a criação de um segundo horto na Avenida Tamandaré, no Jardim Seminário. A iniciativa é do vereador Ronilço Cruz (Podemos).

A área escolhida, que pertence à prefeitura, possui características de reserva ecológica e inclui uma lagoa em estado de degradação, identificada como nascente de um córrego da região. “A ideia é transformar o espaço em um novo horto florestal, com pista de caminhada, viveiro de plantas e a participação ativa da população no processo”, afirmou o vereador.

O projeto ainda está em fase inicial e carece de estudos técnicos, mas já desperta apoio popular, especialmente por propor um modelo de gestão participativa. A experiência contrasta com a condução atual da revitalização do Horto original, cuja gestão foi delegada a uma entidade privada sem debate público prévio.

Opacidade na gestão do espaço público

A entrega da gestão parcial do Horto Florestal à Fecomércio reabre o debate sobre o uso de parcerias público-privadas na administração de bens coletivos. Embora essas parcerias possam trazer recursos e expertise técnica, sua eficácia depende de critérios de transparência, metas bem definidas e controle social.

Sem um plano público de revitalização, prestação de contas periódica e mecanismos de fiscalização, o risco é transformar um espaço ambiental e historicamente relevante em mera vitrine institucional. A opacidade atual da proposta — marcada por discursos vagos e falta de cronograma — acende um sinal de alerta.

Como destacou o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim em sua obra O Desafio das Cidades (2006), “a cidade é um espaço público por excelência, e sua qualidade está diretamente ligada ao grau de participação que permite aos seus cidadãos”. Ao que tudo indica, esse princípio ainda não encontrou morada no Horto Florestal de Campo Grande.

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