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Campo Grande

Câmara e Conselho pedem transparência na saúde em Campo Grande

Mais de 100 mil pessoas aguardam por consultas, exames e cirurgias na capital

Publicado em 09/09/2025 9:44 - Semana On

Divulgação PMCG

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A exoneração da secretária municipal de Saúde de Campo Grande, Rosana Leite, anunciada na última sexta-feira (6), provocou reações na Câmara Municipal e no Conselho Municipal de Saúde. A medida adotada pela prefeita Adriane Lopes (PP) surpreendeu ao extinguir, temporariamente, o cargo de secretário e instituir um comitê gestor para conduzir a pasta, que administra um orçamento de R$ 2 bilhões.

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Segundo nota da Prefeitura, o comitê tem caráter provisório e funcionará por até seis meses como parte da reforma administrativa da atual gestão, que visa, segundo o Executivo, melhorar a eficiência dos serviços públicos.

Na manhã de ontem (8), a prefeita se reuniu com vereadores da Comissão de Saúde e representantes do Conselho Municipal de Saúde para apresentar a nova estrutura e discutir os próximos passos.

O presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), disse ter compreendido a decisão política da prefeita e avaliou como positiva a abertura para que a comissão legislativa acompanhe os trabalhos do comitê.

Já o presidente da Comissão de Saúde, vereador Vitor Rocha (PSDB), afirmou que a reunião foi marcada por cobranças e sugestões, destacando a preocupação com a ausência de um nome oficialmente designado para liderar a Secretaria de Saúde.

“Questionamos a prefeita e sua equipe jurídica. Eles sustentam que o comitê é legal, mas defendo que Campo Grande precisa de um secretário de fato e de direito, mesmo que interino. Uma cidade com quase um milhão de habitantes, mais de 6 mil servidores na Saúde e um orçamento bilionário precisa de uma liderança dedicada integralmente”, afirmou Rocha.

Desafios na Saúde

Durante a reunião, o vereador também elencou os principais desafios enfrentados pela rede municipal de saúde:

Atenção básica: necessidade de ampliar e reforçar os postos de saúde para aliviar a demanda nas UPAs e hospitais.

Rede hospitalar: dificuldades na regulação de leitos após a transferência da gestão do Hospital Regional e do Hospital Universitário para o governo estadual.

Judicialização: impacto das decisões judiciais que obrigam a realização de tratamentos, onerando o sistema.

Fila de espera: mais de 100 mil pessoas aguardam por consultas, exames e cirurgias, segundo dados apresentados.

Rocha também destacou a importância da nomeação de um novo secretário como medida para garantir legitimidade à condução da pasta:

“Sem nomeação, a prefeita acaba acumulando as funções de chefe do Executivo e da Saúde, concentrando responsabilidade demais em uma única pessoa”, argumentou.

Mudanças na gestão

Rosana Leite atuava na administração municipal desde o primeiro mandato de Adriane Lopes. Foi secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 entre 2021 e 2022, assumiu como secretária-adjunta da Sesau em seguida e, em fevereiro de 2023, foi nomeada titular da pasta. Permaneceu no cargo após a reeleição da prefeita em 2024.

Com a reestruturação, Rosana foi transferida para a Secretaria Especial da Casa Civil, onde atuará como assessora executiva em articulações com o Ministério da Saúde.

A Secretaria Municipal de Saúde passa a ser conduzida por um comitê gestor, formado por servidores da própria pasta, com funções divididas por áreas. Veja a composição:

Coordenação geral: Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli

Planejamento e Execução Estratégica: Catiana Sabadin Zamarreño

Jurídico: Andréa Alves Ferreira Rocha

Finanças e Orçamento: Isaac José de Araújo

Administrativo: Vanderlei Bispo de Oliveira

Contratações: André de Moura Brandão

A Prefeitura, no entanto, não informou quais cargos os integrantes ocupavam anteriormente dentro da estrutura da secretaria.

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