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Campo Grande
Alcides Bernal alega legítima defesa após matar fiscal que havia adquirido imóvel em leilão
Publicado em 25/03/2026 10:41 - Semana On
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O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, foi transferido para o presídio militar estadual após ser preso sob acusação de homicídio qualificado pela morte do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O caso, ocorrido na terça-feira (24), será analisado em audiência de custódia nesta quarta-feira (25), na capital sul-mato-grossense.
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Segundo as investigações iniciais, Mazzini havia adquirido judicialmente o imóvel onde ocorreu o crime e estava no local acompanhado de um chaveiro e outra pessoa para viabilizar a entrada. O ex-prefeito, por sua vez, afirma que foi alertado por um sistema de segurança sobre uma suposta invasão e que reagiu ao se sentir ameaçado.
A dinâmica do crime, no entanto, é alvo de controvérsia. Uma testemunha relatou à Polícia Civil que Bernal teria chegado ao imóvel e efetuado disparos de forma imediata, sem qualquer discussão prévia ou possibilidade de defesa por parte da vítima. O fiscal foi atingido no abdômen e nas costas.
Já a versão apresentada pelo ex-prefeito sustenta que houve reação a uma ameaça direta. Em depoimento, Bernal declarou que um dos homens presentes avançou em sua direção, levando-o a disparar. Ele afirma ainda que não teve intenção de matar e que tentou atingir a perna da vítima.
O Corpo de Bombeiros informou que Mazzini sofreu múltiplas perfurações por arma de fogo. Apesar das tentativas de reanimação por cerca de 25 minutos, o fiscal morreu no local. O corpo foi encontrado na varanda da residência, que estava desocupada no momento do ocorrido.
Após os disparos, Bernal deixou o local e se apresentou posteriormente à polícia, onde entregou a arma utilizada. A defesa afirma que o ex-prefeito possui porte e registro do armamento e sustenta a tese de legítima defesa.
O imóvel em disputa havia sido arrematado por Mazzini em leilão judicial em 2025, por R$ 2,4 milhões — valor abaixo da avaliação inicial de R$ 3,7 milhões, refletindo dívidas acumuladas, incluindo cerca de R$ 344 mil em IPTU. O fiscal já estava em fase final de regularização cartorial e portava um documento de notificação para desocupação voluntária da residência.
A polícia trata o caso como homicídio qualificado, considerando elementos como emboscada ou recurso que dificultou a defesa da vítima. A investigação deve se concentrar na verificação das versões conflitantes e na análise das circunstâncias em que os disparos ocorreram.
O episódio também reacende o histórico controverso de Bernal. Em 2014, ele teve o mandato de prefeito cassado por irregularidades em contratos emergenciais. Mais recentemente, em 2025, foi alvo de decisão judicial que determinou sua saída de uma propriedade rural por inadimplência contratual.
Diante das divergências entre os relatos e da gravidade das acusações, o caso avança agora para a fase de apuração judicial, que deverá esclarecer se houve legítima defesa ou execução deliberada.
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