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Campo Grande

Popularidade de Adriane Lopes despenca: 90% de desaprovação

Pesquisa aponta crise política e administrativa agravada por denúncias

Publicado em 24/03/2026 3:19 - Semana On

Divulgação PMCG

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A gestão da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), enfrenta seu momento mais crítico desde o início do mandato. Pesquisa do Instituto Ranking Brasil, divulgada no domingo (22), revela que 90% da população desaprova a administração municipal, enquanto 80% a classificam como ruim ou péssima — o pior índice da série histórica recente.

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O levantamento, realizado entre os dias 16 e 20 deste mês com mil eleitores, indica uma deterioração contínua da imagem da prefeita. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, e o estudo foi registrado na Justiça Eleitoral sob os números MS-02346/2026 e BR-04749/2026.

Apenas 4% dos entrevistados consideram a gestão ótima ou boa, número que caiu pela metade em relação a dezembro de 2025 (8%) e muito distante dos 24% registrados em março do ano passado. Outros 13% classificam a administração como regular.

Escalada de desgaste e crise política

O levantamento evidencia que o desgaste da gestão não se limita a indicadores administrativos. A crise foi intensificada por uma série de denúncias envolvendo integrantes do primeiro escalão — todas ainda no campo das acusações e investigações, mas com forte impacto político.

Entre os casos citados:

– O secretário municipal da Juventude, Paulo Lands, é acusado de assédio sexual e investigado pela Polícia Civil por estupro de vulnerável.

– Um pastor ligado à administração, atuante no Centro de Convivência do Idoso, foi acusado de estuprar uma adolescente.

– O ex-secretário municipal de Saúde e então presidente da Fundação Municipal de Esportes, Sandro Benites, foi acusado de agredir uma mulher.

Nos três episódios, os envolvidos deixaram os cargos por afastamento, não por exoneração direta. A ausência de demissões formais contribuiu para ampliar a pressão política sobre a prefeita.

Especialistas em ciência política apontam que crises éticas têm efeito imediato na confiança pública. Segundo o cientista político José Álvaro Moisés, da USP, “escândalos envolvendo autoridades corroem rapidamente a legitimidade dos governos, sobretudo quando há percepção de omissão ou leniência”.

Colapso de serviços e promessas não cumpridas

Para além das denúncias, a pesquisa revela um quadro de insatisfação generalizada com os serviços públicos.

A saúde aparece como principal problema, citada por 32,4% dos entrevistados, especialmente pela falta de exames e medicamentos nas unidades básicas. Outros 27,2% apontam a carência de médicos e a não concretização da promessa de construção do Hospital Municipal — cuja licitação fracassou recentemente.

A infraestrutura urbana também é alvo de críticas. Buracos em ruas e avenidas, mencionados por 18,8%, deixaram de ser apenas um transtorno logístico e passaram a ser associados a acidentes graves, incluindo mortes.

Outros fatores citados incluem:

– escândalos políticos (20,6%)

– corrupção (15%), em referência a investigações do Ministério Público

– enchentes e alagamentos (13,6%)

– aumento de tributos e taxa do lixo (10,2%)

Pressão fiscal e desgaste social

A política tributária adotada pela gestão também contribui para o desgaste. Moradores relatam aumento significativo no IPTU e na taxa de lixo, com reajustes que chegam a até 396% em alguns casos.

Ao mesmo tempo, a administração municipal concedeu aumentos salariais relevantes ao alto escalão:

– a prefeita teve reajuste de 66%, com salário passando de R$ 21,2 mil para R$ 35,4 mil

– secretários e vice-prefeita receberam aumento de até 159%

Em contraste, servidores municipais seguem sem reposição inflacionária desde abril de 2022.

Para o economista e professor da Unicamp, Eduardo Fagnani, políticas fiscais percebidas como desiguais tendem a ampliar a rejeição popular:

“Quando a população sente aumento de carga tributária sem retorno em serviços públicos, a confiança no governo se deteriora rapidamente”.

Estrutura administrativa sob questionamento

A composição da equipe de governo também é alvo de críticas. Entre os pontos levantados estão:

– nomeações com vínculos familiares, como na chefia da Casa Civil

– presença de aliados com histórico político controverso

– perfil técnico questionado em áreas estratégicas

Além disso, a gestão extinguiu a Secretaria de Meio Ambiente e criou novas pastas de articulação política, o que gerou questionamentos sobre prioridades administrativas.

Isolamento político e impacto nacional

Outro elemento que aparece no debate local é o posicionamento político da prefeita no cenário nacional. Críticos apontam que o alinhamento ideológico dificultou a interlocução com o governo federal, historicamente responsável por financiar obras estruturais na capital sul-mato-grossense.

Projetos anteriores, como intervenções contra alagamentos e obras do PAC, dependeram diretamente de recursos federais — o que reforça a percepção de isolamento institucional.

Tendência de queda e cenário incerto

Os dados do Instituto Ranking mostram uma trajetória consistente de deterioração:

– março de 2025: 55% avaliavam a gestão como ruim ou péssima

– dezembro de 2025: 70%

– março de 2026: 80%

No mesmo período, a desaprovação geral subiu de 85% para 90%.

O cenário indica que a prefeita enfrenta não apenas uma crise conjuntural, mas um desgaste estrutural da gestão. A combinação de problemas administrativos, denúncias envolvendo aliados e insatisfação econômica cria um ambiente político adverso — com impactos diretos na governabilidade e na capacidade de recuperação da imagem pública.

Se mantido o atual ritmo, a administração tende a enfrentar um ciclo prolongado de pressão social e política nos próximos anos.

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