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Campo Grande
Capital recebe, entre hoje e o dia 29, representantes de 130 países
Publicado em 23/03/2026 2:18 - Semana On
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A Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias – COP 15, que reúne representantes de mais de 130 países entre os dias 23 e 29 de março, traz impactos positivos à economia local e projeta internacionalmente Campo Grande, cidade anfitriã da programação.
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O evento reflete na capacidade do município em sediar agendas de grande porte, ao mesmo tempo que estimula o turismo, amplia a circulação de visitantes e fortalece cadeias como hotelaria, gastronomia e serviços, consolidando um ambiente favorável a novos investimentos e ao desenvolvimento sustentável.
No setor hoteleiro, os números já indicam esse movimento. Cerca de 40% dos leitos da rede foram reservados para atender à demanda da COP15, com hotéis das regiões centrais e próximos aos espaços oficiais registrando lotação máxima nos dias principais da conferência.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Mato Grosso do Sul (ABIH-MS) aponta que a demanda da COP15 está concentrada no período central da programação. Segundo a presidente da ABIH-MS, Alexandra Corrêa Martins, a COP15 representa uma oportunidade relevante para o município. “Eventos dessa magnitude geram impacto direto e positivo na economia local. A hotelaria é um dos setores mais beneficiados, com aumento na taxa de ocupação, maior permanência dos hóspedes e incremento na receita”, destaca. Ela ressalta ainda que segmentos como gastronomia, transporte e comércio acompanham esse movimento.
Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Júnior, os reflexos em favor de Campo Grande vão além da ocupação hoteleira. “Mesmo com agendas específicas, esse público circula pela cidade, utiliza hotéis, transportes e restaurantes, gerando impacto positivo direto na economia local, movimentando toda a cadeia produtiva do turismo”. Ele também destaca a projeção internacional: “o evento fortalece a cidade como destino internacional, amplia sua visibilidade e pode influenciar na atração de investimentos”.
A rede de bares e restaurantes também sente os benefícios. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, João Francisco Denardi, a expectativa é positiva, com aumento no movimento durante os dias centrais. “Estamos incentivando os empresários a se prepararem para esse público, com cardápios em outros idiomas, divulgação nas redes sociais e foco na qualidade do atendimento”, afirma.
Denardi ressalta ainda um ponto sensível observado em outros eventos no país: a política de preços. “A orientação é manter os valores atuais”, diz, indicando uma preocupação do setor em evitar distorções e garantir uma boa experiência aos visitantes.
Em Campo Grande, o setor busca equilíbrio: aproveitar o aumento da demanda sem comprometer a imagem da cidade. A estratégia é consolidar o destino não apenas pelo volume de visitantes, mas pela qualidade da experiência oferecida.
Para o presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Mato Grosso do Sul (Sindha-MS), Juliano Wertheimer, o setor vem se preparando para atender os visitantes. “Criamos um guia online com meios de hospedagem, bares e restaurantes da Capital, disponível em outros idiomas, para facilitar o acesso dos visitantes. Também estamos promovendo diálogo com os empresários e apoiando o planejamento das reservas, contribuindo para um ambiente mais organizado”, explica.
Embora a COP15 não seja um evento turístico em essência, por se tratar de um encontro de caráter prioritariamente técnico-científico, seus efeitos se aproximam desse cenário, além do fato de a cidade ser capital do turismo de observação de aves (birdwatching), bem como a mais arborizada entre as capitais brasileiras. Parte dos participantes acaba consumindo a cidade para além da agenda técnica, frequentando restaurantes, utilizando serviços e ampliando o tempo de permanência.
Cidade ganha placas bilíngues
A mobilidade urbana também recebeu atenção especial. Cerca de 60 placas com informações em português e inglês foram instaladas em pontos estratégicos da cidade para facilitar a locomoção das delegações.
De acordo com a diretora-executiva da Planurb, Mariana Massud, a medida busca tornar a comunicação mais acessível.
“A gente está recebendo pessoas de diferentes nacionalidades. Então, elas ficam em pontos estratégicos que levam até esses locais em que vão acontecer a maioria dos eventos. São espaços que também vão ser utilizados e que precisam também ter essa linguagem mais acessível para essas delegações, que muitas não falam português e precisam entender aonde estão indo”, explica a diretora-executiva
Os principais espaços que vão receber atividades incluem um shopping da capital, o Bioparque Pantanal e o Parque das Nações Indígenas.
Segurança reforçada e atendimento em outros idiomas
A segurança pública também foi reforçada para o evento. Cerca de 100 policiais militares foram deslocados para atuar durante a conferência, além do efetivo já existente. Parte deles foi remanejada de setores administrativos.
Segundo o tenente-coronel Wellington Klimpel, equipes terão ao menos um policial com noções de outro idioma. “Se for necessário, haverá alguém preparado para orientar turistas estrangeiros”, afirma.
Os agentes passaram por treinamento específico, com foco no atendimento a visitantes e comunicação em inglês, incluindo situações do dia a dia e também casos de emergência.
“A população terá o seu policiamento normalmente ordinário e esse pessoal foi cooptado dos setores administrativos, remanejados para poder trabalhar exclusivamente com isso”, afirma o tenente-coronel.
A Guarda Civil Metropolitana também vai atuar com cerca de 100 agentes por dia, distribuídos em hotéis, no aeroporto e em pontos estratégicos da cidade.
Já a Agetran ficará responsável por garantir o fluxo do trânsito, com monitoramento em tempo real e acompanhamento dos ônibus oficiais do evento.
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