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Campo Grande
Paciente aguarda desde dezembro por atendimento e só deve ser atendido em abril; falta de compressores paralisa consultas
Publicado em 06/03/2025 9:53 - Semana On
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A crise na saúde pública de Campo Grande atinge níveis alarmantes e expõe a ineficiência da gestão municipal da prefeita Adriane Lopes (PP). A falta de equipamentos essenciais para o atendimento odontológico, como compressores, tem adiado consultas e colocado pacientes em uma espera indefinida, evidenciando o abandono da saúde básica na capital sul-mato-grossense.
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Reportagem do site Campo Grande News mostra que, desde dezembro de 2023, um paciente de 31 anos, com dois dentes quebrados, tenta agendar um simples procedimento de restauração na Unidade de Saúde da Família (USF) Dr. Walfrido Ferreira de Azambuja, no Bairro Alves Pereira. Após sucessivos reagendamentos e promessas não cumpridas, ele foi informado de que seu atendimento ficou para abril – isso, se houver o conserto do equipamento até lá. Sua esposa, que enfrenta situação semelhante, teve o atendimento empurrado para maio.
A resposta da prefeitura e da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) não apenas é insuficiente, como revela um problema crônico na gestão da saúde pública da cidade. O Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul (Sioms) já havia alertado sobre a precariedade dos equipamentos e a falta de manutenção adequada, fatores que hoje comprometem mais de 90% dos atendimentos odontológicos. Ainda assim, o poder público se limitou a soluções paliativas, como o remanejamento de pacientes para unidades sobrecarregadas e o deslocamento de profissionais sem reposição adequada.
A omissão da prefeitura e o sofrimento da população
A saúde pública municipal já vinha sofrendo com sucessivos cortes e precarização dos serviços, mas a atual administração parece ter elevado a negligência a um novo patamar. Ao não garantir o funcionamento dos equipamentos essenciais, a gestão Adriane Lopes condena centenas de pacientes a uma espera que pode transformar problemas odontológicos tratáveis em quadros irreversíveis de infecção e dor crônica.
O paciente em questão foi orientado a procurar os serviços de urgência e emergência, mas seu caso não exige um curativo de emergência, e sim um tratamento adequado e preventivo. “Meu caso não precisa de curativo, tô com dois dentes quebrados que incomodam e precisam de restauração antes que chegue ao ponto de não dar mais pra fazer”, relatou.
A questão central não se resume apenas ao colapso de um equipamento. A crise nos consultórios odontológicos é sintoma de uma administração pública desorganizada, que não prioriza o básico da atenção à saúde. Como destacou o presidente do Sioms, David Chadid, o compressor é indispensável para procedimentos como remoção de cáries e restaurações. Sem ele, a cadeira odontológica torna-se inutilizável.
A resposta da Sesau tenta minimizar a gravidade da situação ao afirmar que há um processo de compra emergencial em andamento. No entanto, enquanto os trâmites burocráticos se arrastam, os pacientes seguem sofrendo.
Gestão de saúde pública: quando a omissão gera sofrimento
O caso de Campo Grande não é isolado. O colapso da saúde pública no Brasil tem raízes históricas e estruturais. O subfinanciamento crônico do Sistema Único de Saúde (SUS), combinado com gestões municipais ineficientes, resulta na degradação dos serviços básicos. Como apontou o sanitarista Gastão Wagner de Souza Campos, professor da Unicamp e ex-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), “o SUS sofre ataques constantes de gestores que não compreendem seu papel essencial e promovem sua deterioração por meio de políticas de desmonte”.
A situação de Campo Grande reflete esse processo. O problema da falta de compressores não surgiu de repente. A manutenção de equipamentos essenciais deve ser planejada com antecedência, garantindo a continuidade dos serviços. Quando a gestão municipal permite que falhas técnicas interrompam por meses os atendimentos básicos, ela assume a responsabilidade pelo agravamento da saúde da população.
O cenário atual escancara um descaso institucionalizado, onde o direito à saúde – garantido pelo artigo 196 da Constituição Federal – é tratado com negligência. Uma gestão pública que permite que problemas previsíveis se transformem em crises humanitárias está, no mínimo, falhando em seu dever fundamental.
A responsabilidade da prefeita Adriane Lopes
Eleita vice-prefeita em 2020 e alçada ao cargo máximo do município em abril de 2022, após a renúncia de Marquinhos Trad (PSD), Adriane Lopes assumiu Campo Grande prometendo eficiência administrativa. No entanto, sua gestão tem acumulado denúncias de precarização dos serviços públicos e falta de transparência.
A prefeita e sua equipe tentam justificar a situação alegando dificuldades nos trâmites burocráticos para a compra dos compressores. Contudo, a pergunta que fica é: por que a manutenção preventiva não foi feita? Por que a compra desses equipamentos essenciais não foi antecipada?
Enquanto isso, a população segue pagando o preço da má gestão. A espera de um paciente por quatro meses para restaurar dentes quebrados não é apenas uma falha administrativa – é um descaso que compromete a dignidade humana.
Se a administração municipal não consegue garantir sequer o funcionamento de equipamentos básicos, como pode prometer avanços em outras áreas? E, mais importante: quem será responsabilizado pelo sofrimento dos pacientes negligenciados por um sistema que deveria protegê-los?
A saúde pública de Campo Grande está em colapso, e a resposta da prefeitura tem sido insuficiente, burocrática e indiferente à realidade dos cidadãos que dependem do SUS. O caso do paciente que aguarda desde dezembro por um procedimento simples é apenas um dos muitos exemplos de como a má gestão pode transformar o direito à saúde em uma espera angustiante – quando não, em um verdadeiro pesadelo.
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Essa inútil tem que ser caçada.