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Campo Grande
Negacionismo científico “bolsonarista” ainda prejudica alcance da vacinação em MS
Publicado em 23/04/2026 12:51 - Semana On
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Campo Grande já registra, em 2026, 287 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 40 confirmações por Influenza e 5 mortes, conforme dados da Coordenadoria de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS-CG). O cenário acende um alerta: a cobertura vacinal entre os públicos prioritários está em apenas 18%, índice considerado muito abaixo do esperado.
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O avanço do negacionismo científico associado ao bolsonarismo teve efeitos mensuráveis sobre a percepção pública da vacinação no Brasil, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Declarações recorrentes do ex-presidente Jair Bolsonaro, colocando em dúvida a eficácia e a segurança das vacinas, coincidiram com uma queda histórica na cobertura vacinal infantil. Dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), compilados pelo Ministério da Saúde e analisados por instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram que o Brasil deixou de atingir metas básicas de imunização em diversas vacinas infantis — algo que não ocorria de forma consistente desde a década de 1990. A cobertura da vacina tríplice viral, por exemplo, caiu abaixo do nível recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), abrindo espaço para o retorno de doenças previamente controladas.
Esse fenômeno não pode ser dissociado do ambiente informacional da época. Estudos publicados em revistas científicas e relatórios da própria Fiocruz e da Organização Mundial da Saúde indicam que a disseminação de desinformação — muitas vezes amplificada por autoridades públicas — contribuiu diretamente para o aumento da hesitação vacinal. A literatura em saúde pública aponta que a confiança institucional é um dos principais determinantes da adesão às campanhas de vacinação. Quando líderes políticos questionam evidências consolidadas, o efeito não é apenas retórico: ele se traduz em comportamento. No Brasil, isso se refletiu no atraso de campanhas, na recusa de doses e no crescimento de bolsões de baixa cobertura, elevando o risco de surtos.
Em nível local, os impactos também são perceptíveis. Em Campo Grande, assim como em outras capitais brasileiras, autoridades de saúde vêm alertando para dificuldades em recuperar os índices de vacinação infantil aos patamares anteriores à pandemia. Campanhas municipais têm intensificado ações de busca ativa e conscientização, justamente para combater um cenário em que a desinformação deixou marcas duradouras. O resultado é um sistema de saúde que precisa lidar não apenas com vírus e bactérias, mas com a erosão da confiança pública — um efeito colateral do negacionismo que, embora menos visível, é igualmente perigoso.
Como vacinar
Diante da baixa adesão, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande intensifica as estratégias para ampliar a proteção da população e realiza, neste sábado (25), um novo Dia D de vacinação contra a gripe em Campo Grande — reforçando a mobilização já realizada anteriormente, no dia 28 de março, no início da campanha.
A vacinação começou em 26 de março, mas a procura segue aquém do necessário. Paralelamente, tem sido observado aumento na demanda por atendimentos nas unidades de urgência e emergência, impulsionado pela maior circulação de vírus respiratórios, o que pode gerar momentos de superlotação e impactar no tempo de espera.
“Isso é extremamente preocupante, considerando que ainda podemos ter períodos de queda de temperatura, o que tende a agravar o cenário das síndromes respiratórias na Capital”, alerta a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo.
A orientação é clara: os públicos prioritários devem buscar a vacinação o quanto antes, principalmente aqueles mais vulneráveis às complicações da doença, como idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com comorbidades.
Grupos prioritários

Novo Dia D reforça mobilização
Para ampliar a cobertura vacinal, a Sesau abre 24 unidades de saúde neste sábado, das 7h30 às 16h45, além de um pontos estratégicos na região central, na Praça Ary Coelho, das 8h às 16h; e no Jardim Anache, a partir das 8h, durante o Mutirão Todos em Ação.
Para garantir o acesso da população, a vacinação estará disponível em unidades distribuídas por todas as regiões da cidade. No Distrito Segredo, a imunização vai acontecer na USF Paradiso e na Escola Municipal Prof. João Cândido de Souza (durante o Mutirão Todos em Ação). No Imbirussu, participam as USFs Aero Itália, Silvia Regina, Serradinho, Zé Pereira e Albino Coimbra. Já no Bandeira, a vacinação ocorre nas USFs Universitário, Mape, Tiradentes e Cristo Redentor.
No Distrito Lagoa, estarão abertas as unidades Caiçara, Antártica, Vila Fernanda, Tarumã e Santa Emília. Na região Prosa/Centro, a população poderá procurar as USFs Noroeste, Nova Bahia e 26 de Agosto. E, no Anhanduizinho, participam as unidades Alves Pereira, Dona Neta, Anhanduí, Dom Antônio, Paulo Coelho e Los Angeles.
A iniciativa reforça a necessidade de aumentar a adesão da população, especialmente após a mobilização inicial realizada em março.
“No ano passado, a cobertura ficou bem abaixo do esperado, atingindo apenas 59%. Esse cenário nos preocupa e é justamente por isso que reforçamos o chamamento à população com mais um Dia D, ampliando o acesso à vacina para quem mais precisa”, destaca a superintendente.
A Sesau reforça que a vacinação segue disponível durante a semana nas 74 Unidades de Saúde da Família (USFs) e que o engajamento da população é fundamental para reduzir os casos graves e evitar novas mortes por influenza.
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