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Campo Grande
Capital sul-mato-grossense figura entre os cinco maiores preços do país
Publicado em 08/04/2025 10:02 - Semana On
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Após uma trégua em fevereiro, o preço da cesta básica voltou a subir em Campo Grande (MS) e colocou a capital sul-mato-grossense na incômoda 5ª posição entre as cidades com os maiores custos do país. De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a alta foi de 1,89% em março de 2025. O impacto no orçamento do trabalhador é direto: 56,16% do salário mínimo passou a ser destinado à compra de alimentos essenciais.
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A elevação representa um aumento de 0,27 ponto percentual em relação a março de 2024, quando o comprometimento do salário mínimo era de 55,89%. Para arcar com os custos da cesta, o trabalhador que recebe o piso nacional precisaria dedicar 114 horas e 17 minutos de sua jornada mensal — ou seja, mais de 14 dias úteis de trabalho apenas para alimentar a família. Em comparação com o mês anterior, são 2 horas e 7 minutos a mais de esforço.
Tomate lidera a disparada
O principal responsável pela alta foi o tomate, que teve aumento expressivo de 27,80% no mês. Historicamente volátil por conta da sensibilidade às condições climáticas e à sazonalidade, o tomate voltou a pesar no bolso do consumidor. Também apresentaram alta significativa o café em pó, com elevação de 6,79%, e a banana, com 2,45%. A pressão nos preços desses alimentos reflete não apenas questões de produção, mas também os custos logísticos e a dinâmica de oferta e demanda.
Quedas pontuais não aliviam o quadro
Apesar da elevação média da cesta, alguns itens apresentaram redução de preço. A batata teve a maior queda no mês, com recuo de 6,77%. O arroz, produto essencial na mesa dos brasileiros, caiu 3,22%, enquanto o açúcar ficou 2,66% mais barato. O feijão carioca, por sua vez, segue em trajetória de baixa desde novembro e teve queda de 1,19% em março.
Produtos como o leite e a manteiga, embora estáveis ou com pequenas reduções no mês — como a manteiga, que caiu 0,53% — ainda acumulam altas significativas nos últimos 12 meses. Já o pão francês e a farinha de trigo, com quedas de 0,41% e 0,45%, respectivamente, apresentaram retração pelo segundo mês consecutivo.
Um reflexo das desigualdades estruturais
O peso da cesta básica sobre o salário mínimo é um indicador direto das desigualdades de renda e do desequilíbrio no custo de vida brasileiro. Segundo o próprio DIEESE, para garantir um padrão de vida minimamente adequado, o salário mínimo deveria ser, em março de 2025, de R$ 6.946,37 — quase cinco vezes o valor atual de R$ 1.412. Essa estimativa considera despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
O cenário reforça o alerta já feito por especialistas. Em artigo publicado pela Revista Econômica do Nordeste, o economista e pesquisador Carlos Eduardo Carvalho afirma: “O custo da alimentação básica ainda é um termômetro poderoso da desigualdade social no Brasil. Quanto maior o comprometimento do salário com itens essenciais, menor a margem para educação, saúde e mobilidade social”.
Perspectivas e desafios
As oscilações de preços na cesta básica devem continuar ao longo do ano, influenciadas por fatores climáticos, políticas agrícolas e variações nos combustíveis. Especialistas apontam que medidas estruturais — como o fortalecimento da agricultura familiar, investimentos em armazenagem e políticas de regulação de estoques — são essenciais para garantir maior estabilidade nos preços e segurança alimentar à população.
Enquanto isso, o trabalhador campo-grandense precisa lidar, mês a mês, com um orçamento cada vez mais comprimido pela inflação de alimentos. E a cesta básica, que deveria representar o mínimo necessário para a dignidade humana, segue como um dos principais indicadores das distorções de um país que ainda enfrenta dificuldades para tornar o essencial verdadeiramente acessível.