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Campo Grande

Casos de raiva em morcegos gera alerta na capital

Com nove animais infectados, autoridades pedem atenção, mas descartam pânico

Publicado em 10/07/2025 12:00 - Semana On

Divulgação Prefeitura Umuarama

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Campo Grande confirmou o nono caso de raiva em morcegos em 2025, ultrapassando o total registrado no ano anterior, quando seis casos foram identificados. O animal infectado foi recolhido na região do bairro São Francisco e testou positivo para o vírus, segundo o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Apesar do avanço, a prefeitura descarta risco iminente para a população, reforçando a importância da conscientização e adoção de medidas preventivas.

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A raiva, doença infecciosa viral aguda caracterizada por uma encefalite progressiva e letal em quase 100% dos casos, é considerada um grave problema de saúde pública, conforme alerta o Ministério da Saúde. A transmissão ocorre principalmente pela saliva de animais infectados, por meio de mordeduras, arranhões ou lambidas, afetando todos os mamíferos — humanos inclusive. Embora seja fatal, a raiva é 100% evitável por meio da vacinação e do soro antirrábico, aplicados logo após a exposição ao vírus.

“A única maneira eficaz de evitar a raiva em humanos é por meio da profilaxia adequada, conforme os protocolos do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde”, destaca o manual técnico de vigilância da doença.

Segundo o CCZ, a população deve redobrar a atenção ao encontrar morcegos em situações incomuns, como caídos ou imóveis. Nesses casos, o ideal é isolar o animal, evitar contato direto e acionar os serviços de zoonoses pelos telefones (67) 3313-5000 ou (67) 2020-1794. A recomendação visa proteger tanto as pessoas quanto os animais domésticos, que também podem ser contaminados.

A prefeitura de Campo Grande enfatiza que não se trata de uma epidemia, mas sim de uma tendência sazonal que exige vigilância e informação qualificada. Técnicos do CCZ lembram ainda que, por lei, morcegos são animais protegidos, e sua eliminação indiscriminada é considerada crime ambiental, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998.

Os dados reforçam a necessidade de manter a vacinação de cães e gatos em dia, uma medida essencial para evitar a circulação do vírus entre animais domésticos e silvestres. Segundo o Instituto Pasteur, um dos centros de referência no estudo da raiva no Brasil, “a imunização dos animais de estimação é a primeira barreira contra surtos urbanos”.

Embora os casos humanos de raiva tenham se tornado raros no país — com uma média de menos de cinco por ano, segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) —, o risco permanece latente, especialmente em regiões onde o contato entre animais silvestres e humanos é mais frequente.

Campo Grande já havia registrado aumento expressivo de casos em 2023 e 2024, sinalizando uma tendência de crescimento que exige estratégias mais robustas de monitoramento e educação ambiental. Especialistas apontam que fatores como urbanização acelerada, desmatamento e mudanças climáticas contribuem para o deslocamento de espécies silvestres, como os morcegos, para áreas urbanas — elevando os riscos de zoonoses.

“A raiva, embora controlável, continua sendo um reflexo da nossa relação conflituosa com o meio ambiente. A vigilância precisa ser constante, especialmente nas zonas urbanas que invadem habitats naturais”, afirma o biólogo e sanitarista Pedro Henrique Cabral, pesquisador da Fiocruz.

O cenário atual exige uma atuação coordenada entre poder público, comunidade científica e população, com foco em educação preventiva, vacinação e respeito à fauna silvestre. A raiva pode estar sob controle, mas não deixou de ser um perigo real.

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