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Campo Grande
Alta sazonal de vírus respiratórios, aliada a déficit histórico de leitos, intensifica superlotação em unidades médicas
Publicado em 29/04/2026 3:58 - Semana On
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O aumento progressivo de doenças respiratórias em Campo Grande já começa a impactar diretamente o funcionamento de hospitais e unidades básicas de saúde, que registram crescimento na demanda por atendimento de pacientes com sintomas gripais. O cenário, recorrente nesta época do ano, reacende o alerta para a sobrecarga do sistema público diante da intensificação dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
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Levantamento do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da capital (CIEVS-CG) aponta que, embora os números atuais ainda não tenham ultrapassado os registrados em 2025 no mesmo intervalo — entre janeiro e abril —, o volume de ocorrências já é significativo: foram contabilizados 548 casos de síndromes respiratórias em 2026. A distribuição revela predominância de quadros não especificados (195), seguidos por infecções por rinovírus (141), vírus sincicial respiratório (56) e influenza A (34). Também aparecem registros de metapneumovírus (17), covid-19 (16), adenovírus (12) e influenza B (9), além de outros agentes em menor escala. Há ainda 60 notificações em investigação.
A dinâmica de disseminação desses vírus acompanha um padrão conhecido na epidemiologia: a sazonalidade. De acordo com o médico Marcelo Santana Silveira, presidente do SinMed-MS, a circulação de agentes respiratórios ocorre ao longo de todo o ano, mas se intensifica em períodos específicos, especialmente durante o outono e o inverno. A queda das temperaturas altera comportamentos cotidianos e favorece a transmissão.
Se nos meses mais quentes prevalecem atividades ao ar livre, maior hidratação e ambientes ventilados, o frio estimula o confinamento em espaços fechados e, muitas vezes, com pouca circulação de ar. A combinação de proximidade física e ventilação inadequada cria condições propícias para a propagação viral. A isso se soma um fator cultural relevante: a baixa adesão a medidas preventivas simples, como o uso de máscaras em locais fechados e a higienização frequente das mãos e objetos pessoais — práticas amplamente difundidas durante a pandemia de covid-19, mas que perderam força no cotidiano.
Entre os grupos mais impactados, as crianças se destacam. Dos casos registrados neste ano, 287 envolvem menores de cinco anos. A explicação passa, em grande parte, pelo ambiente escolar, onde a convivência próxima em salas cheias facilita a circulação de vírus. Além disso, a menor adesão a hábitos de higiene nessa faixa etária contribui para ampliar o risco de contágio. Esse processo não se limita ao ambiente escolar: ao retornarem para casa, as crianças podem atuar como vetores de transmissão para outros membros da família.
A pressão sobre o sistema de saúde, contudo, não se explica apenas pelo aumento sazonal dos casos. Há um componente estrutural que agrava o cenário. Segundo o especialista, Campo Grande possui cerca de 200 mil crianças e adolescentes, o que demandaria aproximadamente 300 leitos hospitalares para atendimento adequado. No entanto, a rede disponível opera com apenas um quarto dessa capacidade ideal — um déficit que persiste há mais de uma década e que ajuda a explicar a recorrente sensação de colapso nas unidades de saúde durante períodos de maior demanda.
No campo da prevenção, especialistas reforçam que mudanças bruscas de hábitos, comuns com a chegada do frio, podem comprometer a imunidade. A busca indiscriminada por suplementação vitamínica, por exemplo, não substitui uma alimentação equilibrada. A recomendação médica é priorizar dieta rica em frutas, verduras e legumes, além de manter hidratação adequada — fatores que, em conjunto, garantem melhor aporte nutricional ao organismo.
A vacinação contra a gripe permanece como uma das principais estratégias de proteção contra formas graves da doença. Embora ainda não esteja disponível para toda a população neste momento, a orientação é que, assim que liberada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seja prontamente procurada. A imunização, baseada em evidências científicas, é considerada um dos pilares da saúde pública e responsável por avanços significativos na expectativa de vida nas últimas décadas.
Além da vacinação, medidas preventivas seguem sendo recomendadas: proteção das vias respiratórias em dias frios, hidratação constante, higiene nasal com soro fisiológico, ventilação adequada dos ambientes e controle de fatores irritantes, como poeira e fumaça. Pacientes com doenças crônicas, como asma e rinite, devem manter o tratamento conforme prescrição médica. Já sinais de agravamento — como falta de ar em repouso, febre alta persistente e dor torácica — exigem busca imediata por atendimento especializado.
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