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Campo Grande

Câmara e Prefeitura não se entendem após disparada do IPTU em Campo Grande

Contribuinte pode questionar os valores cobrados: saiba como

Publicado em 31/12/2025 11:11 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Os carnês do IPTU começaram a chegar às residências de Campo Grande trazendo um susto que não cabe na planilha oficial da Prefeitura. Moradores relatam aumentos que chegam a 200%, um salto que contrasta frontalmente com o reajuste de 5,32% anunciado pela administração municipal. A discrepância levou a Câmara Municipal de Campo Grande a cobrar explicações da Prefeitura de Campo Grande, comandada pela prefeita Adriane Lopes.

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A cobrança partiu do presidente da Casa, vereador Papy, que afirmou ter sido procurado por contribuintes surpresos com valores muito acima dos praticados no ano anterior. Oficialmente, a Prefeitura sustenta que o reajuste do IPTU segue a correção inflacionária medida pelo IPCA-E, índice previsto em lei e que dispensa votação do Legislativo. Na prática, porém, os números que chegam aos moradores contam outra história.

Para agravar o cenário, em novembro a Prefeitura publicou decreto alterando as regras do imposto, reduzindo de 20% para 10% o desconto para pagamento à vista. A medida, tomada sem debate público ou discussão prévia com a Câmara, aumentou ainda mais o peso do tributo no bolso do contribuinte — justamente em um contexto de queixas generalizadas sobre a elevação do valor venal dos imóveis.

Diante da pressão, a Câmara anunciou a criação de uma equipe técnica para analisar os critérios utilizados no cálculo do IPTU. Também foi encaminhado ofício ao Executivo solicitando esclarecimentos sobre a metodologia aplicada e sobre a decisão de reduzir o desconto. “É nosso dever institucional fiscalizar e compreender os fundamentos técnicos e legais que foram impostos à população sem o devido debate com o Legislativo”, declarou Papy.

A Prefeitura, por sua vez, argumenta que havia defasagem nos valores cadastrados dos imóveis e que, neste ano, foi realizada uma atualização dos preços de casas, terrenos e prédios. O problema é que essa “atualização”, feita de forma pouco transparente, acabou se traduzindo em aumentos abruptos, sem que os critérios fossem claramente apresentados à sociedade.

Segundo o presidente da Câmara, o objetivo da cobrança é obter informações detalhadas sobre os parâmetros técnicos, legais e econômicos que embasaram as mudanças, além de avaliar os impactos reais para a população. Até o momento, porém, a gestão de Adriane Lopes ainda não conseguiu explicar por que um reajuste anunciado como modesto se transformou, para muitos contribuintes, em um verdadeiro salto tributário — mais um episódio que expõe falhas de diálogo, planejamento e transparência na condução da política fiscal do município.

Como contestar o valor do IPTU em Campo Grande

Os campograndenses que já receberam o carnê encontraram valores mais altos e desconto menor para pagamento à vista. O que muitos não sabem é que é possível contestar o valor cobrado pela prefeitura.

De acordo com o edital do IPTU, quem discordar do valor pode apresentar uma contestação administrativa à Coordenadoria de Julgamentos e Consultas da Secretaria Municipal da Fazenda até 10 de março de 2026. É necessário justificar o pedido e apresentar documentos.

Para iniciar o processo, o contribuinte deve acessar o site do IPTU e clicar na opção “Não concordo com o valor”, que leva aos formulários.

Depois disso, é preciso protocolar o pedido. Os documentos devem ser enviados, de preferência, em formato PDF. Se a documentação estiver incompleta, o processo não será aberto. O contribuinte deve aguardar a confirmação por e-mail.

Para protocolar o pedido, o contribuinte deve:

baixar e preencher o requerimento;

reunir a documentação exigida;

preencher o Termo de Adesão ao Domicílio Eletrônico;

enviar o pedido por um dos canais disponíveis.

O pedido pode ser enviado:

por e-mail, para [email protected];

pelo WhatsApp, no número (67) 3314-3487;

presencialmente, na Central de Atendimento ao Cidadão (CAC), na Rua Marechal Rondon, 2655, 4º andar, sala 7, das 8h às 16h.

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