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Campo Grande
Saída de Rosana Leite ocorre em meio à crise política e suspeitas
Publicado em 06/09/2025 10:39 - Semana On
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A exoneração da secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, publicada em edição extra do Diário Oficial na sexta-feira (5), aponta o desgaste político interno na gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) e levanta questionamentos sobre o uso de R$ 158 milhões em recursos suplementares no Fundo Municipal de Saúde (FMS). A pasta será assumida, a partir de agora, por um comitê gestor formado por seis servidores da própria secretaria, evitando a nomeação de um novo titular.
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Rosana Leite foi oficialmente transferida para a Secretaria Especial da Casa Civil, onde assume o cargo de assessora executiva. A mudança, no entanto, não foi comunicada formalmente pela prefeitura até o fechamento deste texto. A nomeação em outro cargo é vista como forma de acomodar a ex-secretária após meses de fritura política, iniciada no começo do segundo mandato da prefeita.
Segundo o Decreto nº 16.372, publicado junto à exoneração, o comitê gestor terá à frente Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli, que, na prática, exercerá as funções de secretária. Caberá a ela representar a Sesau, ordenar despesas, celebrar contratos e gerir o Fundo Municipal de Saúde. A nova estrutura também contará com outros cinco gestores, responsáveis por áreas como finanças, planejamento e contratação.
Além de Pelegrinelli, o grupo será formado pelos seguintes servidores:
Crise interna e desgaste político
Desde o início do ano, Rosana Leite enfrentava forte resistência dentro da administração municipal. Apesar da pressão para deixar o cargo “a pedido”, o desligamento foi oficializado sem essa formalidade, contrariando expectativas de parte do secretariado e da própria equipe da Sesau, que esperavam um desfecho menos abrupto.
A saída repentina se dá em meio a rumores cada vez mais fortes no Paço Municipal e especulações sobre o envolvimento da Sesau em uma suplementação considerada atípica no valor de R$ 158,6 milhões ao Fundo Municipal de Saúde.
A suplementação e os sinais de alerta
A operação orçamentária foi realizada em abril de 2024, em três etapas distintas — nos dias 17, 26 e 29 — por meio de decretos que somam R$ 93 milhões, R$ 37 milhões e R$ 27 milhões, respectivamente. Os valores teriam sido utilizados para cobrir despesas de pessoal referentes ao exercício anterior, ou seja, ao ano de 2023.
A prática chamou atenção durante uma audiência pública de prestação de contas da Sesau na Câmara de Vereadores. A vereadora Luiza Ribeiro (PT) questionou diretamente Rosana Leite sobre o tema, mas não obteve resposta. A titular da Secretaria de Finanças, Márcia Helena Hokama, também não respondeu, repassando a responsabilidade para a própria Sesau.
Quem acabou se manifestando foi Danilo Souza Vasconcelos, superintendente de economia e saúde da Sesau, que justificou as suplementações com base na Lei Complementar 178/2021 — que alterou dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/2000). No entanto, a explicação foi considerada pouco convincente por parlamentares e servidores da Câmara.
A dúvida central permanece: se houve pagamento de pessoal sem a devida previsão orçamentária, a manobra pode configurar irregularidade administrativa, e até improbidade, segundo apontou a vereadora Luiza Ribeiro durante a audiência. O episódio ainda pode motivar apurações por parte do Ministério Público Estadual, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas.
Evitar ruído político e controle de danos
A permanência de Rosana Leite na pasta estaria relacionada ao risco político e jurídico de sua saída imediata, uma vez que ela detinha conhecimento técnico e documental sobre os trâmites da suplementação bilionária. Sua transferência para a Casa Civil pode ser vista como tentativa de contenção de danos — tanto para evitar atritos com uma figura com potencial para se tornar delatora, quanto para evitar a exposição direta da prefeita em caso de investigações futuras.
Trajetória e saída sob pressão
Médica, Rosana Leite ganhou destaque durante a pandemia, quando atuou como secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 entre 2021 e 2022. Depois, passou ao cargo de secretária-adjunta da Saúde e, em 2023, foi nomeada titular da pasta. Permaneceu no cargo mesmo após a reeleição de Adriane Lopes em 2024, mas já sob fortes tensões políticas nos bastidores.
A ausência de explicações oficiais por parte do Executivo municipal e o silêncio diante das suspeitas levantadas tornam ainda mais nebuloso o cenário da gestão da saúde pública em Campo Grande. A criação do comitê gestor é, por ora, uma solução interna e transitória, mas revela um governo que prefere dividir responsabilidades do que assumir riscos políticos diretos.
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