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Brasil
Trabalhador gastou mais horas e comprometeu maior parte da renda para comprar produtos da cesta básica
Publicado em 03/01/2023 9:28 - RBA
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Com o abandono da política de valorização do salário mínimo e o avanço da inflação, o piso nacional perdeu o poder de compra de forma significativa nos últimos anos. Um dos compromissos do governo Lula é retomar a garantia de ganhos reais (acima da inflação). No primeiro governo Lula, isso foi resultado de acordo com as centrais sindicais, após uma série de “marchas” a Brasília.
Em janeiro de 2019, primeiro mês do atual governo, o salário mínimo necessário, calculado pelo Dieese, correspondia a 3,94 vezes o piso nacional oficial. Em novembro deste ano, último dado disponível, correspondia a 5,43 vezes. Com base na cesta básica mais cara, entre 17 capitais pesquisadas, o Dieese calcula qual seria o valor necessário para as despesas básicas de uma família de quatro integrantes.
Outros dados mostram a perda sofrida sob o atual governo. Em janeiro de 2019, a jornada média necessária para comprar os produtos da cesta era de 88 horas e 5 minutos. Em novembro último, estava em 121 horas e 2 minutos – 37,4% a mais.
Quase 60% da renda
Além disso, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo comprometeu, no mês passado, 59,47% de sua renda líquida com os itens da cesta básica. Quatro anos atrás, comprometia 43,52%.
O futuro ministro do Trabalho, Luiz Marinho, já destacou a importância do salário mínimo e de um ambiente favorável à negociação coletiva. “O salário mínimo atende milhões de famílias em todo o território nacional, impactando no combate à desigualdade e à miséria. Talvez seja a principal política de distribuição de renda no Brasil”, afirmou recentemente no programa Entre Vistas, da TVT.
Campanhas salariais
As negociações coletivas realizadas em novembro confirmaram tendência de melhoria dos reajustes, também segundo o Dieese. De 276 acordos pesquisados no mês passado, 93,5% tiveram aumento igual (47,8%) ou superior (45,7%) à inflação medida pelo INPC-IBGE. A variação real média, descontada a inflação, foi de 0,54%.
No acumulado do ano, no entanto, o resultado ainda é negativo, com variação de -0,78%. De janeiro a novembro, 36% dos acordos tiveram reajuste equivalente ao INPC e 23,8% ficaram acima. Assim, foram praticamente 40% de acordos abaixo da inflação.
Também no ano, o valor médio dos pisos salariais é de R$ 1.544,36, ou 27% acima do salário mínimo. O maior é do setor de serviços (R$ 1.571,02) e o menor, na área rural (R$ 1.467,12).
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