18/05/2024 - Edição 540

Brasil

Porto Alegre não investiu um centavo em prevenção contra enchentes em 2023: de 513 deputados, só uma destinou verbas às mudanças climáticas

Cúmplices da tragédia: extrema direita inunda redes sociais com fakenews

Publicado em 07/05/2024 9:18 - Felipe Pereira, Carolina Nogueira, Leonardo Sakamoto, Josias de Souza, Isabela Aleixo, Carlos Iavelberg e Márcio Padrão (UOL) – Edição Semana On

Divulgação Foto: Lauro Alves - Secom

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A Prefeitura de Porto Alegre não investiu um real sequer em prevenção a enchentes em 2023. A situação ocorre mesmo com o departamento que cuida da área tendo R$ 428,9 milhões em caixa. Os dados foram retirados do Portal da Transparência de Porto Alegre. A imprensa questiona a prefeitura sobre o assunto desde domingo (5), mas ainda não obteve resposta. Procurada, a assessoria do prefeito Sebastião Melo (MDB) não se manifestou.

O que aconteceu

Até chegar a R$ 0, o investimento para prevenção a enchentes caiu dois anos seguidos em Porto Alegre. O orçamento tem um item chamado “Melhoria no sistema contra cheias”, que recebeu zero recurso ano passado.

Gastos por ano

– 2021 – R$ 1.788.882,48 (R$ 1,7 milhão)

– 2022 – R$ 141.921,72 (R$ 141 mil)

– 2023 – R$ 0

Dinheiro em caixa

Apesar da falta de investimentos, há dinheiro disponível. O DMAE (Departamento Municipal de Águas e Esgotos), responsável por cuidar da gestão desta área, tem R$ 428,9 milhões no chamado “ativo circulante”. Esta expressão representa os bens de maior liquidez de uma empresa, ou seja, que podem ser convertidos em dinheiro em até 12 meses. Enquanto o gasto com proteção contra cheias foi zero, o resultado patrimonial apresentou superávit de R$ 31.176.704,80 (R$ 31,1 milhões), informa trecho do balanço do DMAE.

Os valores citados nesta reportagem constam da demonstração contábil de 2023. Este é o documento mais atualizado sobre a situação financeira do departamento responsável por prevenir enchentes em Porto Alegre.

Redução de pessoal

O quadro de servidores do DMAE foi reduzido quase pela metade desde 2013.

– 2.049 servidores em 2013;

– 1.072 servidores hoje;

– 47,6% de redução;

Apesar da redução dramática de pessoal, o prefeito Sebastião Melo recusou a contratação de 443 funcionários. A Secretaria Municipal da Fazenda havia autorizado abrir estas vagas em 2022, mas o procedimento foi interrompido ano passado por decisão do prefeito.

Plano de privatização

A contradição é que uma empresa pública não busca o lucro, mas atender a população. A afirmação é de Edson Zomar, diretor do Simpa (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre).

O líder sindical acusa a prefeitura de sucatear a DMAE para vendê-la. Zomar declarou ao UOL que a falta de manutenção e novos investimentos é pensada para a população considerar o departamento ineficaz e aceitar a privatização.

O diretor do Simpa disse que o primeiro passo para precarização foi diminuir o número de funcionários. Zomar afirmou que a DMAE tem metade dos servidores necessários. Com menos empregados, fica difícil manter a qualidade dos serviços, e os problemas começam a aparecer.

Pesquisadores confirmam que a falta de manutenção colocou o sistema de prevenção em risco. Parafusos, borrachas e trilhos se deterioraram ao longo da estrutura de proteção.

Não é uma crença, é uma constatação. Falta manutenção no sistema.Fernando Dornelles, professor e doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental da UFRGS

O sistema de proteção de Porto Alegre foi implementado na década de 1970. Composto por um muro de três metros, diques e comportas, ele funciona como uma barreira que protege a cidade ao longo de 60 quilômetros.

Mas a estrutura não foi suficiente para proteger Porto Alegre na última semana. A falência no sistema coincide com o corte de verbas. A cidade tem racionamento de água, aeroporto fechado por tempo indeterminado e 7.500 moradores em abrigo. Não há previsão para a normalidade voltar à cidade.

Calamidade pública

Na segunda-feira (6), o governo federal reconheceu estado de calamidade pública na maioria dos municípios do Rio Grande do Sul, incluindo Porto Alegre. A formalidade permite uma facilidade maior no repasse de verbas federais para locais afetados por desastres e tragédias.

Mais de 80 pessoas morreram em decorrência das chuvas em todo o Rio Grande do Sul, segundo a Defesa Civil. Outros quatro óbitos estão sendo investigados sob suspeita de relação com os eventos meteorológicos. 111 pessoas estão desaparecidas, 291 ficaram feridas, 129.279 estão desalojadas e, no total, 873.275 foram afetadas.

Imagens de uma Porto Alegre submersa chocam os negacionistas do clima?

Mais de 80 pessoas já morreram após tempestades caírem em um Rio Grande do Sul que não foi preparado para o clima extremo pelos governantes. Contudo, em um país anestesiado por 711 mil óbitos devido à covid-19 e outros dezenas de milhares todos os anos pela violência, parece que “só” a perda de vidas não é capaz de fomentar uma resposta de longo prazo da sociedade. Ou seja, a mobilização seca junto com o chão.

Por isso, as imagens que estão chegando ao restante do Brasil tanto do interior do estado quanto da capital Porto Alegre precisam ser viralizadas à exaustão — e não as bizarras fake news que passam pano para a responsabilidade do aquecimento global no episódio. Elas têm potencial de forçar o poder público a, finalmente, abraçar políticas para mitigar o impacto do clima extremo e adaptar cidades e campo para essa nova realidade.

As cenas da população mais pobre, que perdeu tudo com a catástrofe, sendo resgatada do telhado de suas casas de barco após dias isolada e com fome são desesperadoras. Infelizmente, elas não chocam parte da população que perdeu (ou nunca teve) a capacidade de sentir empatia pelo semelhante.

Para essas pessoas, talvez, só talvez, faça mais efeito a percepção de que as mudanças climáticas afetarão a vida de todos, ricos e pobres, a nossa, mas a deles também.

Era inimaginável que o principal aeroporto do sexto estado mais populoso do país pudesse ser fechado por tempo indeterminado, mas aconteceu. As imagens do saguão de passageiros e das pistas de pousos e decolagens inundados só não são mais desoladoras do que perceber que isso significa o isolamento aéreo de uma das principais capitais do país em termos políticos e econômicos.

Isso é tão inimaginável quanto as imagens dos estádios do Grêmio e do Internacional, dois dos principais clubes de futebol do Brasil, transformados em piscinas de lama. De longe, a Arena do Grêmio, próximo à foz do rio Gravataí no rio Jacuí, parece o saibro terroso de uma quadra de tênis como Roland Garros, como pode ser visto no vídeo que abre este texto.

Muitos representantes de governos, bem como parlamentares, magistrados e procuradores ainda não entenderam que o clima do mundo mudou e que, por conta disso, eventos extremos já estão acontecendo anualmente com uma frequência que deveria ser de décadas. O Rio Grande do Sul é uma prova disso, com secas absurdas seguidas de dois ciclos destruidores de tempestades, em 2023 e 2024.

Neste momento, a prioridade é resgatar as pessoas que estão ilhadas, atender feridos e doentes, hospedar os refugiados ambientais da melhor maneira possível, enterrar os mortos.

Porém, quando a reconstrução começar, ela não pode ir pelo mesmo caminho do erro trilhado até aqui. O Estado precisa estar preparado para tragédias, porque elas vão acontecer com a mesma intensidade e frequência com o qual lançamos toneladas de gás carbônico na atmosfera. Infelizmente, o Rio Grande do Sul será um dos locais mais afetados por esse terrível clima novo.

Se a morte não choca, a imagem de uma cidade embaixo d’água, que precede a de um país inundado ou seco, talvez gere constrangimento a quem acha que mudança climática é invenção de comunista.

Bolsonarismo aprova socorro de Lula a gaúchos em raro silêncio

Depois de passar o final de semana politizando a tragédia nas redes sociais, a oposição bolsonarista teve um surto de ridículo no plenário da Câmara, na noite desta segunda-feira. Aprovou em raro silêncio o pedido de Lula para a decretação de estado de emergência no Rio Grande do Sul. A providência abre caminho para que a União socorra financeiramente os gaúchos sem estourar a meta fiscal.

No início da sessão, Arthur Lira fez um apelo. Rogou ao plenário que evitasse as brigas, pois elas desrespeitam a dor das vítimas das enchentes.

O deputado gaúcho Osmar Terra, um bolsonarista cloroquínico, concordou: “Trata-se de uma catástrofe inédita no estado e não cabem disputas neste momento.” A coisa foi aprovada em votação simbólica, sem contestações.

Embora momentâneo, o silêncio do bolsonarismo não foi trivial. O próprio clã Bolsonaro havia puxado o coro da insensatez nas redes sociais. O deputado Eduardo Bolsonaro, por exemplo, compartilhara uma publicação que dizia:

“Enquanto o Rio Grande do Sul está submerso nas águas das chuvas, rios de dinheiro são enviados para o show da Madonna. Lula e Janja afundam a nação, flertando com as catástrofes”.

A postagem foi ilustrada com uma foto da primeira-dama dançando sobre corpos na lama. Não havia verba federal no show de Madonna. Janja tampouco esteve no espetáculo da praia de Copacabana. Alheio às mentiras, Lula agiu com rapidez. Apenas 24 horas depois de sobrevoar a enchente gaúcha pela segunda vez, colocou em pé uma proposta.

A agilidade inusual evitou debates internos que poderiam ter retardado o inevitável. A transmissão ao vivo de entrevistas de Lula em Porto Alegre e da assinatura do documento enviado ao Congresso ofereceu ao país a oportunidade de testemunhar um socorro surgindo do nada em ritmo de truque cinematográfico.

Antes mesmo de saber quanto será necessário gastar, Lula colocou-se à disposição do Rio Grande do Sul. Não ajudou apenas os gaúchos, mas a si próprio.

De 513 deputados, só uma destinou verba de emenda às mudanças climáticas

Apenas a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) indicou recursos para ações relacionadas à mudança do clima no Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática desde o início de 2023. Por outro lado, dos 513 parlamentares eleitos em 2022 nenhum destinou verbas ao Ministério da Integração para recuperação das cidades após desastres naturais.

Parlamentares eleitos em 2022 não demonstraram prioridade na aplicação de suas emendas para temas relacionados ao meio ambiente e mudanças climáticas, mesmo com o aumento de tragédias, como a vivida atualmente no Rio Grande do Sul.

Desde o início da gestão de Marina Silva, o Ministério de Meio Ambiente e Mudança Climática recebeu indicação de emenda de apenas uma deputada: Célia Xakriabá (PSOL-MG). A parlamentar indicou R$ 1 milhão para a ação de “Implementação e Monitoramento da Política Nacional sobre Mudança do Clima”, em seu estado.

A pasta foi uma promessa do presidente Lula para tornar o Brasil protagonista na discussão sobre emergência climática, sobretudo no cenário internacional. O ministério é encarregado de formular e implementar políticas públicas ambientais nacionais.

A emenda de Célia Xakriabá foi indicada somente em 2024, mas ainda não está empenhada.

A destinação de emendas parlamentares é a forma que deputados e senadores têm de alimentar suas bases eleitorais. É possível indicar valores para diversas áreas por meio dos ministérios, de acordo com a negociação feita com prefeitos e governadores de cada localidade.

Ações de Proteção e Defesa Civil

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional têm medidas específicas para recuperação de desastres climáticos nas cidades. Em 2023 e 2024, porém, nenhum deputado indicou emendas para “Ações de Proteção e Defesa Civil”. A rubrica permite executar obras de estabilização de encostas, reconstrução de estruturas danificadas por alagamento, enxurradas ou inundações e operações para evitar danos.

Em 2023, a pasta gastou R$ 1 bilhão do próprio orçamento para a reparação dos municípios atingidos por desastres. Este ano, foram R$ 255 mil até ontem (6), segundo o sistema de execução do Orçamento da Câmara dos Deputados.

A indicação dos valores é o primeiro passo para que um parlamentar envie dinheiro para o seu estado. A próxima etapa é o empenho, quando o recurso é reservado, e só depois pago.

Cidades brasileiras sofrem com chuvas fortes que causam mortes e deixam centenas de pessoas desabrigadas todos os anos. Se os deputados tivessem indicado emendas para os ministérios da Integração e Meio Ambiente, os recursos poderiam auxiliar no desastre vivido agora do Rio Grande do Sul.

Câmara aprova PDL acelerar liberação de recursos para RS

Os deputados aprovaram ontem à noite um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que dá celeridade no envio de recursos ao Rio Grande do Sul. O texto reconhece estado de calamidade pública no estado até 31 de dezembro de 2024 e determina que qualquer ação relacionada ao estado de calamidade fica fora do limite de gastos do governo federal e das metas fiscais.

A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Senado antes de ser promulgado. Segundo a ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), o decreto dá segurança jurídica para as ações do governo federal e permite outra série de atos.

A expectativa é que o texto seja aprovado nesta terça-feira pelos senadores e promulgado. O PDL não precisa de sanção presidencial.

Governo quer liberar mais emendas

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, anunciou ontem (6) que o governo e o Congresso negociam para liberar R$ 1,06 bilhão em emendas parlamentares para o Rio Grande do Sul ainda nesta semana.

A proposta, segundo o ministro, é que o Congresso Nacional vote na quinta-feira (9) a liberação de emendas individuais da bancada gaúcha.

O governo diz que trabalha para empenhar e pagar verbas já indicadas. Segundo Padilha, já está em andamento a liberação de cerca de R$ 588 milhões em emendas da bancada gaúcha por meio de oito ministérios.

Quem solta fake news que atrapalha socorro no RS é cúmplice da tragédia

Porto Alegre e o interior do Rio Grande do Sul vivem o maior desastre de sua história. O rio Guaíba, que banha a capital, atingiu o maior nível já registrado, superando o recorde histórico de 1941. Há dezenas de mortos e desaparecidos e milhares de ilhados e desabrigados. Um esquema de guerra foi montado e adversários políticos se juntaram para atender à vítimas.

Mas há uma parcela de brasileiros, que pela ignorância ou pela safadeza, espalha desinformação nas redes e aplicativos de mensagens, dificultando o atendimento às vítimas. Não apenas porque autoridades precisam gastar tempo com as bizarrices que viralizam, mas também porque isso interrompe resgates, causa pânico, desvia recursos humanos e financeiros.

Há mentiras circulando para todos os gostos. Das que afirmam que pessoas com embarcações particulares serão multadas caso realizem resgates de vítimas, passando pelas que alertam sobre o rompimento de certas barragens que não se romperam e pelos avisos para pessoas ilhadas não deixarem o telhado de casas e subirem em barcos de salvamento porque a água estaria matando por choque, até as que dizem que pessoas estão morrendo por conta de determinados hospitais fechados que, ao contrário, estão abertos.

Ao mesmo tempo, os negacionistas estão irritados com o fato de as mudanças climáticas terem entrado de vez na pauta nacional por conta da tragédia. E postam fotos da grande enchente de 1941, dizendo que ela foi muito pior que a de agora, o que mostraria, por uma lógica doente, que há um exagero do poder público sobre a situacão atual. E, consequentemente, diminui os cuidados que a população tem que tomar, como economizar água. O Guaíba atingiu, na sexta (3), o maior nível já registrado, superando 1941.

E isso sem contar quem compartilha que o dinheiro federal para o atendimento às vítimas teria ido ao show da Madonna, quando os recursos do evento no Rio foram de empresas, do governo estadual e da prefeitura de lá.

Em tragédias, ondas de desinformação costumam vir após a onda do desastre natural, revitimizando milhares de pessoas. Nas últimas décadas, isso foi potencializado pela natureza das redes e da difusão de mentiras em massa e em tempo real.

Já as razões que levam a desinformação a surfar nesses eventos são várias, desde o boato criado por ignorância ou mau entendimento sobre a comunicação de um fato, passando por pessoas mal intencionadas que querem ver o circo pegar fogo ou desejam evacuar localidades com objetivo de saqueá-los até gente que transforma toda tragédia em munição.

Independentemente da razão, o que temos é um naco dos brasileiros que pouco se importa com quem vive e quem morre no Rio Grande do Sul, contanto que ele possa faturar em likes, em grana, politicamente.

Fake news sobre RS têm 300 corpos em Canoas e vídeos de outros países

As enchentes que atingem o Rio Grande do Sul desde a semana passada, na maior catástrofe ambiental do estado, viraram também um campo fértil para a circulação de desinformações nas redes sociais.

Veja a seguir alguns casos:

É falso que 300 corpos foram achados em Canoas

O que diz o post. Em um áudio que circula nas redes sociais, uma pessoa não identificada afirma que havia mais de 300 corpos na região de Mathias (bairro Mathias Velho, em Canoas), e que os bombeiros calculariam que há mais de 2.000 pessoas mortas. O áudio diz:Ouvi aqui os caras que tavam de barco na Mathias tem mais de 300 corpos mortos num canto que eles tão tocando ali na entrada da Mathias e fora os corpos que eles não tem mais como pegar. E os bombeiros tudo tão calculando mais de 2.000 pessoas mortas“.

Por que é falso. De acordo com a Defesa Civil do Estado, o número oficial de mortos em decorrência da enchente é de 83 pessoas, até a manhã desta segunda-feira (6). Ao UOL Confere, a assessoria de imprensa da prefeitura de Canoas disse que são confirmadas apenas duas mortes no município até a tarde de segunda-feira. A Secretaria de Segurança Pública do RS também disse que não há confirmação oficial sobre o fato relatado no áudio.

Viralização. Um publicação no X com o áudio em questão registrava mais de 4.000 curtidas e mil compartilhamentos.

Gado foi arrastado pela água no México

O que diz o post. Publicação traz um vídeo que mostra bovinos sendo arrastados por uma forte correnteza, com o seguinte texto: “TRAGÉDIA NO RIO GRANDE SUL! CHUVAS FORTES JÁ PROVOCARAM 11 MORTES. PRESIDENTE LULA VISITA ESTADO. Animais são carregados vivos por correntezas que ameaçam a vida de todos no Rio Grande do Sul. Tristeza e dor!

Por que é falso. Busca reversa (aqui) mostra como um dos resultados um texto de 2020 do portal ¡Qué Torta!, da Costa Rica (aqui em espanhol). Ele diz que dois canais de TV erraram ao transmitir o mesmo vídeo, ao afirmar de que era uma enchente no país naquele ano. Mas, na verdade, teria ocorrido na comunidade de Zaculapan, em Nayarit, no México, após passagem do furacão Hanna em 2020. Uma nova busca por “vacas arrastradas Nayarit México” no Google em espanhol (aqui) levou a uma notícia do site Uno TV, que confirma a informação (aqui, em espanhol). O serviço da AP em espanhol também fez a checagem da informação confirmando que o caso ocorreu no México (aqui).

Viralização: O post desinformativo no Instagram tinha, até segunda-feira (6), 97 mil visualizações, 190 comentários e 650 compartilhamentos.

O conteúdo também foi checado por Reuters (aqui).

Vídeo mostra inundação no Cazaquistão

O que diz o post. Imagens de uma cidade inundada são acompanhadas de uma legenda sobreposta que diz “situação do Rio Grande do Sul”.

Por que é falso. Por meio de uma busca reversa no Google Lens, o mecanismo de pesquisa identifica que as imagens mostram o Rio Ural, na fronteira entre o Cazaquistão e a Rússia (veja aqui). A enchente aconteceu em abril deste ano e deixou centenas de milhares de pessoas desalojadas. Um registro com legenda em russo publicado no dia 15 de abril indica que a localização é em Petropavlovsk, no Cazaquistão (veja aqui). Veja os mesmos frames a partir de 03:55 (aqui). O fato foi noticiado pela imprensa internacional (confira aqui, aqui, aqui) e também brasileira (aqui e aqui).

Viralização. No Threads, um post com o vídeo registrava mais de 1.500 curtidas e 169 respostas.

É falso que 9 pacientes de UTI morreram em Canoas

O que diz o post. Publicações mostram uma conversa do prefeito de Canoas, Jairo Jorge (PSD), com o ministro Paulo Pimenta (Comunicação) em que ele dá a declaração sobre nove mortes em uma UTI na cidade.

Por que é falso. A informação havia sido divulgada pelo próprio prefeito em vídeo publicado nas redes sociais durante uma conversa com o ministro. Em seguida, no entanto, Jairo Jorge publicou outro vídeo em que afirma que, na verdade, foram registrados dois óbitos durante as transferências dos pacientes. “Não eram nove pacientes na UTI, eram 13. Não faleceram nove pessoas, nós tivemos na verdade dois óbitos. Onze pacientes foram transferidos com sucesso”, disse. A correção do prefeito também foi noticiada pela imprensa (veja aqui e aqui).

Viralização. Um dos posts no Facebook registrava mais de 1,9 mil visualizações e 129 curtidas.

Vídeo mostra enchente na Bolívia

O que diz o post. O texto no X diz: “ENCHENTES NO RS. POR QUE NÃO SAIR DE CASA? NO CARRO VC NÃO ESTÁ SEGURO.” A seguir, um vídeo de 16 segundos mostra uma torrente de água por cima de carros em movimento.

Por que é falso. Uma busca reversa nas imagens (aqui) levou a um vídeo publicado em 22 de abril de 2024 (aqui) que aponta o caso como sendo em La Paz, capital da Bolívia. Nova busca em espanhol, com os termos “lluvias arrastrados La Paz Bolivia” (chuvas arrastados La Paz Bolívia, aqui) filtradas até 23 de abril encontrou vídeo do canal Unitel Bolívia com as mesmas imagens (aqui, em espanhol, aos 0:54). A data do vídeo indica que as imagens foram exibidas em 20 de março deste ano (aqui).

Viralização: O post desinformativo tinha no X, até segunda-feira (6), 270 mil visualizações, 70 comentários, 390 compartilhamentos e 1.000 curtidas.

Helicópteros do governo federal auxiliam nos resgates

O que diz o post. Acompanhado de um vídeo de 1m28s com um helicóptero pousando próximo a uma estrada e áreas alagadas, o post no X (antigo Twitter) diz: “Helicópteros do empresário Luciano Hang (da Havan) chegaram voando e seguem voando em resgate. Helicópteros civis seguem auxiliando em resgate. Mas até agora ZERO helicópteros do Governo Federal auxiliaram no resgate porque, segundo Lula, ‘não tem teto’ para voar.

Por que é falso. Segundo a Secretaria de Comunicação do Governo, a FAB atua no apoio aos atingidos pela enchente por meio da coordenação do Comando de Operações Aeroespaciais desde o dia 30 de abril na Operação Taquari II. No dia 1º de maio, Lula, de fato, disse que havia oito helicópteros disponíveis para ir ao Rio Grande do Sul que não conseguiam levantar voo por causa do teto (confira aqui). “(Eles) estão com problema que não consegue levantar voo por causa do teto. Mas os helicópteros já estão preparados para ir ao Rio Grande do Sul assim que o teto permitir”, disse o presidente. Até este domingo (5), segundo a Secom, foram realizados mais de 25 mil resgates por meio aéreo, terrestre e fluvial.

Uma busca no Google (aqui) mostra texto deste domingo (5) no site do governo federal (aqui) informando que um helicóptero da Receita Federal já está com a missão de ajudar na tragédia. Além disso, segundo reportagem do UOL de sábado (4, aqui), uma aeronave foi cedida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e outras duas da Polícia Federal estavam a caminho. Uma segunda busca no Google (aqui) encontrou outra notícia do site gov.br de sábado (4, aqui) informando que operações das Forças Armadas nas regiões afetadas incluíram 29 helicópteros, quatro aeronaves, 866 viaturas e 182 embarcações.

Viralização: O post desinformativo tinha no X, até segunda-feira (6), 1,3 milão de visualizações, 940 comentários e 6.000 compartilhamentos.

O conteúdo também foi checado por Agência Lupa (aqui).

Vaias para Lula no RS foram em março

O que diz o post. Publicações recentes mostram pessoas vaiando uma comitiva do presidente Lula em sua chegada a uma cidade do Rio Grande do Sul. O conteúdo é acompanhado de texto sobreposto: “Recepção calorosa ao ‘descondenado’ no Sul” e “Cada um tem a recepção que merece“. Nada é informado sobre o local específico ou a data de gravação das imagens, dando a entender que seria em uma das visitas atuais de Lula ao estado por causa das enchentes. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) postou em 3 de maio de 2024 o conteúdo desinformativo.

O que diz o post. Publicações recentes mostram pessoas vaiando uma comitiva do presidente Lula em sua chegada a uma cidade do Rio Grande do Sul. O conteúdo é acompanhado de texto sobreposto: “Recepção calorosa ao ‘descondenado’ no Sul” e “Cada um tem a recepção que merece“. Nada é informado sobre o local específico ou a data de gravação das imagens, dando a entender que seria em uma das visitas atuais de Lula ao estado por causa das enchentes. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) postou em 3 de maio de 2024 o conteúdo desinformativo.

Por que é distorcido. O vídeo é real, mas mostra pessoas vaiando Lula em outra ocasião, há dois meses. Uma busca reversa no Google (aqui) trouxe como primeiro resultado um post no X (antigo Twitter) com o mesmo vídeo, mas postado em 16 de março deste ano (aqui), em resposta a outro post na plataforma. Este, por sua vez, afirmava que Lula foi “ovacionado ao participar de cerimônia de anúncios para a reconstrução de municípios gaúchos“. Com esses dados, realizamos busca com os termos “Lula reconstrução de municípios gaúchos” filtrada por dias próximos ao evento (aqui). Os resultados trouxeram texto do site do governo federal sobre o fato (aqui). Foi uma cerimônia em Lajeado (RS) que destinou, naquele dia, R$ 344,6 milhões a cidades atingidas por enchentes anteriores no estado. Procuramos o deputado Mário Frias para comentar a publicação, mas não houve retorno até o momento.

Viralização. O post desinformativo no perfil do Instagram de Mário Frias com esse vídeo tinha, até segunda-feira (6), 1,2 milhão de visualizações, 6.000 comentários e 10,8 mil compartilhamentos.

O conteúdo também foi checado por Agência Lupa (aqui).


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