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Brasil
Publicado em 07/07/2022 12:00 -
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Quase 30% da população brasileira vive insegurança alimentar moderada ou grave, revela relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) divulgado no último dia 6.
São 61,3 milhões de pessoas que não têm garantia de alimentação – dentre elas, 15,4 milhões convivem com insegurança alimentar grave. Os dados são do período de 2019 a 2021.
O novo relatório mostra um forte agravamento da situação no Brasil: entre 2014 e 2016, eram 37,5 milhões de pessoas com insegurança alimentar, dentre elas 3,9 milhões em condição grave – quase quatro vezes menos do que hoje.
De acordo com a classificação da FAO, insegurança alimentar grave é quando a pessoa fica sem comida por um dia ou mais. Já insegurança alimentar moderada significa que a pessoa não tem certeza se conseguirá comida ou precisa reduzir a qualidade e/ou quantidade dos alimentos.
Agravamento da situação mundial
No mundo todo, o número de pessoas que sofrem com insegurança alimentar severa chegou a 2,3 bilhões em 2021, o que representa quase 30% da população mundial e revela um "grande retrocesso nos esforços para eliminar a fome e a desnutrição", segundo a FAO.
Os dados do relatório não inclui os reflexos da guerra na Ucrânia, O futuro se apresenta ainda mais preocupante após o início da guerra na Ucrânia, que provocou distúrbios nas redes mundiais de distribuição e um aumento dos preços dos alimentos, energia e fertilizantes.
Em nível global, 828 milhões de pessoas sofriam com fome devido aos efeitos da pandemia da covid-19 e da crise climática no fim de 2021, segundo o mesmo relatório.
Desde o início da emergência global provocada pelo novo coronavírus, a quantidade de pessoas sem acesso a alimentos aumentou em 150 milhões.
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA), o Fundo de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo para a Infância (Unicef) cobram uma iminente revisão das ajudas atuais para encarar essa "situação catastrófica".
As agências preveem que, se a situação prosseguir, o objetivo da ONU de alcançar a "Fome Zero" em 2030 não será alcançado – ou seja, 670 milhões de pessoas, o que representa 8% da população mundial, continuará enfrentando a fome, a mesma quantidade que em 2015, quando foi lançada a Agenda da ONU.
As regiões mais afetadas no mundo pela fome são a Ásia, com 20,2% da população afetada; a África, com 9,1%; a América Latina e Caribe, com 8,6%.
Nesta última, a insegurança alimentar afetou, em 2021, 40,6% dos habitantes de forma severa, especialmente, no Caribe e na América do Sul, onde a desnutrição dobrou desde 2015.
"Se não atuarmos desde já, nessa resposta imediata que é necessária, mas com planejamento a longo-médio prazo, vamos ver que não apenas estamos retrocedendo no nível de pobreza e de acesso aos serviços básicos, mas também que isso irá desestabilizar as comunidades mais vulneráveis e abrir as portas para novos conflitos e guerra", alerta Helene Papper, diretora de comunicação e advogada global da FIDA.
Outras pesquisas
No final do mês passado, uma pesquisa do Datafolha revelou que um em cada quatro brasileiros (26%) afirma não ter comida suficiente para alimentar seus familiares.
No começo de junho, o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil apontou que 33,1 milhões de pessoas no Brasil não têm o que comer, fazendo o país regredir a um patamar de insegurança alimentar equivalente ao da década de 1990.
A pesquisa revela que 58,7% da população brasileira convive com a insegurança alimentar em algum grau – leve, moderado ou grave (fome). Atualmente, apenas quatro em cada 10 domicílios brasileiros conseguem manter acesso pleno à alimentação, ou seja, estão em condição de segurança alimentar.
Brasileiros vão ter que trocar leite por água com disparada do preço no Brasil?
A riqueza de uma família já pode ser medida pela quantidade de caixinhas longa vida que ela mantém na despensa. Depois do óleo de soja, do café e da carne bovina, o leite está se tornando produto de luxo na mesa e na cozinha de muitos brasileiros.
De acordo com o tradicional levantamento mensal de preços do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgado nesta quarta (6), o litro de leite subiu em todas as 17 capitais avaliadas pelo instituto. Em alguns lugares, já há marcas vendidas a impressionantes R$ 10.
Ironicamente, a capital que apresentou maior alta do preço médio, entre maio e junho, foi a de Minas Gerais, estado que é o maior produtor do país.
Em Belo Horizonte, o litro de leite integral UHT aumentou 23,09% entre maio e junho, seguida por Porto Alegre (14,67%), Campo Grande (12,95%) e Rio de Janeiro (11,09%). Em São Paulo, a subida foi de 9,3%.
No acumulado de 12 meses, BH teve alta de 48,89%, Florianópolis, 46,7%, Porto Alegre, 44,55% e São Paulo, 29,66%.
Há fatores sazonais e climáticos. Estamos na entressafra de inverno e a estiagem veio mais dura, o que prejudicou a qualidade das pastagens, reduzindo a oferta de leite.
Mas também há o impacto da inflação nos custos de produção, que vão da alimentação das vacas, passando pelo custo de medicamentos e fertilizantes até o combustível usado na produção, processamento e transporte do produto.
Inflação que, segundo pesquisa Genial/Quaest, divulgada também nesta quarta, é apontada como o principal problema econômico, sendo que a economia é, por sua vez, avaliada como o principal problema do país.
Os laticínios importados que ajudam a suprir a demanda nacional também encareceram com o dólar, fazendo com que essa indústria disputasse a matéria-prima.
A manteiga, por exemplo, também subiu 5,69% em Campo Grande, 5,38% em Belém, 3,23% em Recife entre maio e junho. No acumulado de 12 meses, o produto disparou 23,85% na capital do Mato Grosso do Sul. e 10,28%, em Goiânia.
Ou seja, mesmo com o fim da entressafra, o dólar alto (a moeda norte-americana subiu e fechou hoje a R$ 5,42, sob receio de recessão global) deve manter pressão sobre leite e os derivados.
Com a inflação galopante, muitos que comiam carne bovina tiveram que trocá-la por frango, quem comia frango mudou para ovo e quem comia ovo hoje passa fome. Em menos de dois anos, o número de famintos subiu de 19 milhões para 33,1 milhões. O mesmo pode acontecer com famílias que trocarão o leite pela água.
O governo Bolsonaro, que negou propostas do Congresso para garantir R$ 600 aos brasileiros mais vulneráveis no ano passado, quando a fome estava escalando, agora corre para pagar esse valor como Auxílio Brasil a fim de comprar votos na eleição de outubro. Como está atropelando regras fiscais, vai ajudar a fomentar ainda mais a inflação que encarece o leite.
Mas esse alento para as famílias que estão vivendo a ovo e água só dura até o final das eleições. Em 2023, o auxílio desaparece, pois não é mais útil para o governo e seus aliados. Daí, é cada um por si e Deus acima de todos.
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