Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Brasil

Mercosul fecha pacto com europeus e mira Canadá contra Trump

Acordos com EFTA e negociações com canadenses reforçam ofensiva do Brasil contra tarifas

Publicado em 11/09/2025 9:54 - Semana On

Divulgação Ricardo Stuckert - Abr

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Em uma resposta direta ao crescente protecionismo adotado pelos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, o Mercosul assinará no próximo dia 16, durante a cúpula do bloco no Rio de Janeiro, um acordo de livre comércio com o EFTA — grupo formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Após oito anos de negociações, o pacto foi finalizado em julho, mas só agora os últimos detalhes foram definidos, incluindo a cerimônia de assinatura.

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

O acordo cria uma zona de livre comércio envolvendo quase 300 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 4,3 trilhões, abrangendo 97% das exportações entre os dois blocos. A assinatura ocorrerá dias antes da ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos EUA, onde ele abrirá a Assembleia Geral da ONU com críticas ao unilateralismo comercial de Trump, que recentemente voltou à cena com medidas tarifárias agressivas contra aliados históricos.

O movimento do Mercosul, embora negociado ao longo de anos, ganhou impulso como forma de resposta aos absolutismos tarifários de Washington. A Suíça, por exemplo, foi surpreendida com uma tarifa de 39% sobre seus produtos, mais que o dobro do que incide sobre exportações da União Europeia e quase quatro vezes superior às taxas aplicadas ao Reino Unido. A presença recente de Trump na final do US Open, a convite da suíça Rolex, foi vista como provocação em meio ao clima tenso com os europeus.

O acordo Mercosul-EFTA vai além da mera redução de tarifas. Ele estabelece regras claras para comércio de serviços, investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais, concorrência e desenvolvimento sustentável, além de criar um mecanismo de solução de controvérsias comerciais — uma salvaguarda essencial diante do cenário internacional cada vez mais volátil.

Em 2024, o intercâmbio comercial entre Brasil e EFTA somou US$ 7,2 bilhões, com destaque para exportações brasileiras de ouro, café, soja e carnes, e importações de máquinas, petróleo e frutos do mar. Quase 95% das exportações suíças ao Mercosul estarão isentas de tarifas ao final do cronograma de redução. Segundo o governo suíço, isso pode representar uma economia anual de até US$ 180 milhões em tarifas. O acordo é considerado o mais relevante para a Suíça desde os firmados com China e União Europeia.

A Noruega, por sua vez, aposta na ampliação de suas exportações de energia, serviços marítimos e pescados. Em nota oficial, o governo norueguês destacou que o pacto garante competitividade diante de um possível avanço da UE nas negociações com o Mercosul, cuja conclusão também é esperada até o fim deste ano.

Aposta no Canadá

Paralelamente à ofensiva com os europeus, o Brasil busca consolidar uma nova frente comercial com o Canadá, outro parceiro historicamente afetado pelas tarifas de Trump. Nesta semana, uma missão empresarial brasileira, liderada por ApexBrasil, Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento, chega a Toronto para ampliar relações bilaterais e iniciar negociações rumo a um acordo de livre comércio.

De 2022 a 2024, o Brasil saltou de 11º para 9º maior fornecedor do mercado canadense, com destaque para aeronaves, aço e produtos industriais. A balança comercial de 2024 registrou superávit de US$ 3,5 bilhões para o Brasil, com exportações de US$ 6,3 bilhões e importações de US$ 2,8 bilhões. Entre 2014 e 2024, o crescimento médio das exportações brasileiras ao Canadá foi de 10,6% ao ano.

A missão empresarial brasileira tem como foco os setores de alimentos, bebidas, tecnologia, energias renováveis, biotecnologia e agronegócio. Além de rodadas de negócios e visitas técnicas, o evento inclui o seminário “Doing Business in Brazil”, voltado à promoção do ambiente de negócios brasileiro junto a investidores canadenses.

Segundo a diretora de negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, a aproximação com o Canadá é estratégica para diversificar mercados e reduzir dependência de economias sujeitas a instabilidades políticas e tarifárias. O governo canadense, por sua vez, vê no Brasil uma alternativa relevante para diversificar suas exportações frente à pressão do vizinho do sul.

Contexto geopolítico

A movimentação do Brasil e do Mercosul deve ser lida dentro de uma conjuntura mais ampla: a reconfiguração do comércio global frente ao isolacionismo norte-americano. Desde sua gestão anterior, Donald Trump impôs uma política comercial centrada no America First, que resultou em disputas com parceiros tradicionais, tarifas elevadas e rompimento de acordos multilaterais.

O avanço de novos acordos, como o do EFTA e as tratativas com o Canadá, sinalizam um realinhamento do Brasil com parceiros que apostam em regras estáveis, abertura de mercados e multilateralismo pragmático.

“O sistema comercial global está cada vez mais fragmentado. Numa ordem em que grandes potências abandonam compromissos, países de porte médio precisam se articular com base em regras claras e parcerias confiáveis”, analisa Pascal Lamy, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), em entrevista à Financial Times.

Com uma diplomacia comercial mais ativa, o governo brasileiro busca não apenas compensar os impactos das tarifas unilaterais americanas, mas também reposicionar o país como ator relevante no xadrez global do comércio. Os acordos com o EFTA e a aproximação com o Canadá refletem uma estratégia clara de diversificação, mitigação de riscos e fortalecimento da posição do Mercosul num cenário internacional cada vez mais instável.

As próximas semanas serão decisivas: a assinatura no Rio e os desdobramentos da missão em Toronto podem definir o tom da nova política externa brasileira, que parece ter compreendido que, em tempos de muros e tarifas, abrir portas é mais urgente do que nunca.

Em reunião do Brics, Lula acusa Trump de “chantagem tarifária”

O presidente Lula promoveu na segunda-feira (8) uma reunião virtual de debates entre líderes do Brics. Sem citar nomes, condenou as sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e demais membros do bloco, acusando o presidente Donald Trump de atentar contra os princípios diplomáticos que regem as relações de livre-comércio internacional.

“A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas”, declarou o presidente. Ele disse que princípios fundamentais como as cláusulas de Nação Mais Favorecida e de Tratamento Nacional, que garantem igualdade nas relações comerciais, foram ignorados em poucas semanas. “Agora assistimos ao enterro formal desses princípios”, afirmou.

Brasil e Índia foram os países mais afetados pelas tarifas de importação implementadas por Trump, que chegam a 50%. China e África do Sul também foram duramente afetados, com imposições de 30%.

O presidente também alertou para o risco de enfraquecimento das instituições multilaterais. Segundo ele, a Organização Mundial do Comércio (OMC) está paralisada, e as sanções extraterritoriais impõem barreiras à liberdade dos países. “A imposição de medidas extraterritoriais ameaça nossas instituições. Sanções secundárias restringem nossa liberdade de fortalecer o comércio com países amigos”, completou.

Lula defendeu uma ação coordenada do Brics para fortalecer a integração econômica entre os países membros como forma de enfrentar o que chamou de ofensiva unilateralista. “Cabe ao Brics mostrar que a cooperação supera qualquer forma de rivalidade”. Para o presidente, o bloco reúne “condições necessárias para promover uma industrialização verde” e liderar a reforma do sistema multilateral de comércio.

Diploma de ensino superior pode mais que dobrar salário no Brasil


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *