Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Brasil

Inflação limita ganho de auxílio de R$ 600 e impõe teto a Bolsonaro

Para 76%, Auxílio Brasil diminui ou não afeta chance de votar no presidente

Publicado em 31/08/2022 11:27 - Leonardo Sakamoto e Josias de Souza (UOL) – Edição Semana On

Divulgação Agência Brasil

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O pagamento do Auxílio Brasil de R$ 600 ainda não se traduziu em votos para o presidente Jair Bolsonaro como ele esperava ao buscar a aprovação da PEC da Compra dos Votos. Uma das razões para isso é que 81% dos mais pobres não sentiram o preço dos alimentos baixar. Os dados são da nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta (31).

Entre junho e agosto, Bolsonaro teve uma queda em sua avaliação negativa (de 51% para 39%) e um aumento na positiva (de 18% para 28%) junto aos beneficiários do Auxílio Brasil. Isso ocorreu na expectativa dos R$ 200 extras.

Porém, após o início do pagamento, em 9 de agosto, não houve mais variação entre os que recebem o benefício. Mesmo o quadro entre o grupo mais amplo dos que têm renda mensal de até dois salários mínimos também é de estabilidade, tanto na avaliação negativa quanto na positiva.

Apesar de o governo Bolsonaro estar sendo mais bem avaliado pelo conjunto da sociedade (mesmo entre quem votou em Haddad em 2018), isso não está se convertendo em vantagem numérica para o presidente.

Lula tem 44% e Bolsonaro 32% – mesmos patamares da pesquisa de 3 de agosto. Ciro ganhou três pontos no mês, passando de 5% a 8%. A rejeição de Bolsonaro segue alta, com 56%, enquanto que a de Lula está em 43%.

É possível inferir, baseado nos números da Quaest, que os mais pobres ainda não tiveram a chamada percepção coletiva de melhora da qualidade de vida.

Não é a chegada dos R$ 600 às contas individuais dos beneficiários que muda o voto, mas as famílias sentirem que a vida delas e de sua comunidade está de fato melhor. O que inclui pagar as dívidas com a mercearia, ter geladeiras mais cheias, poder dar um dinheiro para os filhos comprarem um sacolé, tomar uma cerveja com os amigos no domingo.

E, ao que tudo indica, isso ainda não ocorreu.

Todos os estratos sociais sentiram a queda no preço da gasolina, causada pela redução do ICMS (quando o Congresso tirou à força recursos de educação, saúde e segurança nos Estados para baratear os combustíveis). Mas os mais pobres, que têm nos alimentos seu principal gasto, não comem gasolina.

A inflação acumulada nos últimos 12 meses está caindo, mas o preço dos alimentos continua subindo ou em um patamar muito alto. O ministro da Economia, Paulo Guedes, vende que os indicadores mostram que vida melhorou. Mas, novamente, os mais pobres não comem indicadores.

A questão aqui é de timing, ou seja, quando os eleitores mais pobres vão sentir, de fato, que os R$ 200 fizeram diferença no seu poder de compra de comida. O presidente tenta empurrar a resposta para isso para outubro, contando com a melhora da economia e o pagamento de uma terceira parcela do auxílio.

A pesquisa aponta que 84% sabe que o Auxílio Brasil subiu para R$ 600, mas apenas 51% atribui a Bolsonaro o aumento – o que explica que as primeiras peças do presidente na propaganda de rádio e TV tentem, incessantemente, atribuir a ele a paternidade da ideia. Mas os que recebem sabem que foi o governo dele que está pagando.

A pesquisa também aponta que 63% avaliam que as medidas econômicas tomadas por Bolsonaro têm o objetivo de ajudar em sua reeleição e 66% sabem que o benefício é temporário e, a depender do orçamento aprovado pelo presidente, volta a ser de R$ 400 em janeiro.

Análise

O pagamento de um benefício social turbinado demora a surtir o efeito eleitoral desejado pelo comitê de Bolsonaro e temido pela campanha de Lula. A nova rodada da Quaest ajuda a entender os motivos. Perguntou-se aos eleitores se a existência do Auxílio Brasil de R$ 600 eleva ou reduz as chances de votar em Bolsonaro. As respostas jogam baldes de água fria no projeto político da reeleição, sinalizando o tamanho do desafio de Bolsonaro.

Para 35% dos entrevistados, o benefício social diminui o ânimo de votar em Bolsonaro. Esse índice subiu sete pontos em 15 dias. Outros 41% afirmam que não faz diferença. Somando-se os dois grupos, verifica-se que quase oito em cada dez eleitores (76%) avaliam que o Auxílio Brasil reduz ou não interfere nas chances de votar em Bolsonaro na corrida presidencial. Apenas 22% declaram que o benefício aumenta a possibilidade de optar pelo presidente.

A despeito dos esforços de Bolsonaro para convencer o eleitorado de que manterá o valor de R$ 600 em 2023 se for reeleito, 66% dos entrevistados da Quaest dizem saber que o benefício voltará a ser de R$ 400 a partir de janeiro. A pesquisa também revela que o eleitor não comprou a pose de defensor dos pobres que os estrategistas da reeleição tentam grudar em Bolsonaro. A grossa maioria (66%) declara que as medidas econômicas do governo visam ajudar a reeleição do presidente. Apenas 31% acham que o objetivo é “ajudar as pessoas”.

O resultado global da Quaest é numericamente idêntico ao da mais recente pesquisa do instituto Ipec. Lula (44%) continua doze pontos à frente de Bolsonaro (32%). Entre os beneficiários do Auxílio Brasil, a distância é bem maior: 29 pontos —54% para Lula, 25% para Bolsonaro. A campanha de Bolsonaro precisa cuidar dos minutos, porque as horas passam. Faltam 32 dias para a eleição.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *