25/04/2024 - Edição 540

Brasil

Governo Lula anuncia redução no preço do diesel, gasolina e gás

Entenda em 4 pontos a nova política de preços da Petrobras

Publicado em 16/05/2023 1:50 - Anna Satie e Leonardo Sakamoto (UOL)

Divulgação Reprodução

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O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, anunciou que os preços da gasolina, diesel e GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha) vão cair para as distribuidoras a partir de amanhã. Mais cedo, a estatal anunciou uma nova política para precificação de combustíveis nas refinarias e o fim da paridade de importação.

Confira como ficarão novos preços

Gasolina: de R$ 3,18 para R$ 2,78 por litro (redução de R$ 0,40, queda de 12,6%)

Diesel: de R$ 3,46 para R$ 3,02 por litro (redução de R$ 0,44, queda de 12,8%)

GLP: de R$ 3,22 para R$ 2,53 por quilo (redução de R$ 8,97 por botijão de 13 kg, queda de 21,3%)

Preço para distribuidoras não é o preço final para o consumidor

Repasse de preço depende de cada revendedor. O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou que, no posto, o litro da gasolina deve cair, em média, de R$ 5,49 para R$ 5,20; o diesel S10, de R$ 5,57 para R$ 5,18.

Botijão de gás deve ficar abaixo dos R$ 100 pela primeira vez desde outubro de 2021. Segundo Prates, com preço médio ficará em em R$ 99,87 o botijão de 13 kg.

O que o presidente da Petrobras disse

Estamos abrasileirando os preços da Petrobras. Se posso produzir com custos brasileiros, em território nacional, usando para esse efeito a autossuficiência conquistada pelo país, por vários heróis, pessoas, estadistas, regimes diferentes, políticos preservaram a luta pela autossuficiência em petróleo; ela precisa valer alguma coisa, e fica refletida nesse momento da Petrobras.

Isso é volta ao passado? Não necessariamente. Pode parecer, mas não é. Não estamos afastando o efeito da referência internacional, mas estamos colocando um filtro que a Petrobras consegue fazer, com sua capacidade de refino autóctone, para amortecer esses efeitos.

Nova política maximiza vantagens competitivas, vamos usar as vantagens que a Petrobras tem a nosso favor e a favor do país, sem se afastar da referência internacional dos preços.

  1. O que foi anunciado?

A Petrobras disse que vai adotar uma nova estratégia para definir os preços do diesel e da gasolina no Brasil. Desde outubro de 2016, a empresa calculava o preço dos combustíveis com base em valores do mercado internacional, o que aumentou a frequência dos repasses de preços aos consumidores.

Esse modelo é chamado de PPI (Paridade de Preços Internacional). Por essa regra, o dólar e a cotação do petróleo influenciam diretamente o preço da gasolina e do diesel vendidos no Brasil.

  1. Fim da PPI

A nova estratégia comercial significa o fim da PPI. Os reajustes continuarão sendo feitos sem periodicidade definida. Mas, segundo a companhia, o objetivo é evitar o repasse das cotações internacionais e da taxa de câmbio para os preços internos.

Empresa não deixou claro a regra que irá balizar os preços a partir de agora. Segundo comunicado enviado nesta terça-feira, a nova política de preços vai usar “referências de mercado” como o custo alternativo do cliente, valor a ser priorizado na precificação, e valor marginal para a Petrobras. “O custo alternativo do cliente contempla as principais alternativas de suprimento, sejam fornecedores dos mesmos produtos ou de produtos substitutos, já o valor marginal para a Petrobras é baseado no custo de oportunidade dadas as diversas alternativas para a companhia dentre elas, produção, importação e exportação do referido produto e/ou dos petróleos utilizados no refino”, afirmou.

Nova política levará em conta produção interna e a área de influência de cada refinaria da empresa. “Nosso modelo vai considerar a participação da Petrobras e o preço competitivo em cada mercado e região, a otimização dos nossos ativos de refino e a rentabilidade de maneira sustentável”, declarou o diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser.

  1. ‘Abrasileirar’ os preços

Logo após o anúncio do fim da PPI, a empresa anunciou redução nos preços da gasolina, diesel e no gás de cozinha. O valor é referente ao preço de venda para as distribuidoras. Confira de quanto será a redução.

O fim da paridade internacional de preços foi promessa de campanha de Lula. Em março de 2022, o então candidato à presidência prometia “abrasileirar os preços dos combustíveis”.

Desde o começo de seu terceiro mandato, o presidente Lula (PT) indicava que cumpriria a promessa. O fim da paridade de preços com o mercado internacional é uma forma de controlar o preço dos combustíveis no mercado brasileiro.

  1. Mudança com “parcimônia”

Na semana passada, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, já indicava mudanças na política de preços. Ele afirmou, no entanto, que a estatal não vai se “desgarrar” das cotações do mercado internacional.

Lula muda preço de combustíveis e mostra que não estava mentindo na eleição

Para surpresa de ninguém, a Petrobras anunciou sua nova política de preços, cumprindo uma das conhecidas promessas de campanha de Lula. Você pode discordar da mudança. Mas é essa proposta que foi a mais votada nas eleições. Democracia é isso, o contrário é bolsonarista vandalizando o Planalto, o Congresso e o STF.

Com a alteração, divulgada nesta terça (16), outros fatores além do preço internacional do petróleo passam a ser considerados para a formação do preço da gasolina e do diesel ao consumidor final, como custos e concorrência locais. A empresa também anunciou que, a partir desta quarta, o preço do litro do diesel para as distribuidoras vai cair R$ 0,44, da gasolina, R$ 0,40, e do quilo do gás de cozinha, R$ 0,69.

Na prática, a companhia criou um colchão interno para evitar repasses constantes ao preço – reivindicação de setores econômicos que precisam de um mínimo de previsibilidade para fazer seu planejamento.

Lula prometeu durante a campanha que mudaria a política de preços da Petrobras e colocou isso como a diretriz número 58 do seu plano de governo: “O país precisa de uma transição para uma nova política de preços dos combustíveis e do gás, que considere os custos nacionais e que seja adequada à ampliação dos investimentos em refino e distribuição e à redução da carestia”.

Repetiu a promessa várias vezes durante a campanha, em entrevistas, debates, palanques.

Por exemplo, ao UOL, em 27 de julho do ano passado, disse que a atual política de preços é “para agradar aos acionistas em detrimento de brasileiros”. Ele prometeu fazer mudanças para que o preço seja calculado em função dos custos nacionais “porque produzimos em real, pagamos salário em real”.

Ainda assim tem gente que ficou chocada com o anúncio desta terça.

Lula precisa compor com outras forças políticas para poder governar – prova disso é que o novo pacote de regras fiscais, apresentado pelo ministro Fernando Haddad, desagradou setores do próprio PT e aliados da esquerda. Isso não significa, contudo, que o presidente tenha que fazer o oposto àquilo que prometeu na campanha.

Um governo de frente ampla e de diálogo com o mercado não precisa do enorme estelionato eleitoral que representaria ignorar a promessa feita à população sobre os combustíveis.

Da mesma forma, há quem defenda que o seu governo não revise a Reforma Trabalhista, para fortalecer sindicatos e mudar regras que fragilizaram as proteções aos trabalhadores, ignorando o que prometeu nas eleições.

Todo governo frustra seus eleitores – e certamente não será diferente com este. Mas o pessoal que defende a manutenção da política anterior achava o quê? Que Lula daria uma banana aos eleitores apenas 135 dias após ter assumido o poder?

Ironicamente, a política de paridade ao preço em dólar surgiu de um estelionato eleitoral.

Na campanha de 2014, essa não era uma promessa da campanha da chapa Dilma Rousseff e Michel Temer à reeleição. Pelo contrário, a candidata rejeitou à equiparação. Mas, após sofrer impeachment, a medida foi implementada por Temer – que, por ter sido eleito na mesma chapa, tinha o compromisso com as mesmas pautas. A paridade em si foi o estelionato, não a sua revisão agora.

A gestão Dilma cometeu erros na gestão dos preços dos combustíveis, mas a administração Temer deu uma banana ao eleitorado. Entre uma política e outra, havia outras possibilidades – que não foram debatidas exaustivamente em público. A questão não é apenas se a política é boa ou ruim, mas o que a democracia decidiu.

E a política de paridade vem sendo boa para acionistas com lucros multibilionários que não se traduzem em investimentos suficientes na empresa, mas em gordos dividendos (aliás, seria ótimo se fosse obrigatório que todo analista que fale de economia explicite ao pé de seus comentários se possui ações da Petrobras como alguns veículos exigem de forma voluntária…) Mas, ao mesmo tempo, gerou crises com caminhoneiros e problemas para setores econômicos.

Buscar saídas que corrijam os problemas da formação de preço é fundamental. Respeitar projetos que saíram das urnas, também.


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