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Brasil

Fávaro apoia boicote ao Carrefour

Ministro criticou “protecionismo desproporcional” contra carne brasileira

Publicado em 25/11/2024 1:56 - Semana On

Divulgação Agência Brasil

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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, fez duras críticas à decisão do Carrefour de suspender a compra de carnes de países do Mercosul em suas lojas na França, classificando a medida como “protecionismo desproporcional” e defendendo o boicote de frigoríficos brasileiros à rede de supermercados. A declaração foi feita nesta segunda-feira (25), em entrevista à Globonews.

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A decisão do Carrefour, anunciada na semana passada, teria como justificativa alegações sobre a sanidade dos alimentos e preocupações relacionadas ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Para Fávaro, trata-se de uma atitude injustificada e de cunho protecionista, que desconsidera a qualidade da carne brasileira e a posição estratégica do país como um dos maiores exportadores globais de produtos agropecuários.

“O Brasil tem uma das melhores sanidades de produtos alimentícios do mundo. Não dá nem para comparar com a qualidade francesa”, disparou o ministro.

Fávaro reforçou seu apoio aos frigoríficos brasileiros que decidiram suspender a venda de carnes para a rede Carrefour no Brasil, incluindo seus estabelecimentos Atacadão e Sam’s Club. Ele argumenta que essa é uma resposta proporcional à postura adotada pela matriz francesa da empresa.

“Se para o povo francês o Carrefour não serve comprar carne brasileira, que o Carrefour também não compre carne brasileira para colocar nas suas gôndolas aqui no Brasil”, afirmou Fávaro.

A controvérsia ocorre em meio a negociações delicadas para a formalização do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que deve ser definido em 6 de dezembro, durante a Cúpula do Mercosul. Apesar das críticas, Fávaro destacou que as negociações avançam e que há interesse mútuo em um desfecho positivo.

“Eu acho que eles [empresários franceses] estão sendo desproporcionais neste momento, mas ainda assim há uma boa perspectiva para que se formalize esse acordo”, avaliou.

O posicionamento do Carrefour e o cenário francês

A postura do Carrefour França reflete a insatisfação de setores agrícolas franceses com o acordo comercial. Alexandre Bompard, CEO do grupo, manifestou publicamente apoio às demandas da FNSEA (Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores da França), que teme a concorrência da carne brasileira no mercado europeu.

“Em toda a França, ouvimos o desânimo e a raiva dos agricultores face ao acordo de livre-comércio proposto entre a União Europeia e o Mercosul e o risco de o mercado francês ser inundado com carne que não atende às suas exigências e normas”, afirmou Bompard.

Protecionismo ou preocupação legítima?

O Ministério da Agricultura brasileiro rechaçou, em nota oficial, as declarações do Carrefour, apontando que se tratam de “questões protecionistas que influenciam negativamente o entendimento de consumidores sem quaisquer critérios técnicos que justifiquem tais declarações”.

A polêmica reacende o debate sobre barreiras comerciais e sua utilização como ferramenta de proteção de mercados internos, em detrimento do livre-comércio. Para o Brasil, a sanidade e a qualidade de seus produtos agropecuários são internacionalmente reconhecidas, e medidas como a do Carrefour representam um retrocesso em meio às negociações para a integração econômica entre Mercosul e União Europeia.

O que está em jogo

Com um volume de exportações de carne que movimenta bilhões de dólares anualmente, o Brasil encara a postura do Carrefour como um ataque à competitividade de seu agronegócio. O episódio também coloca em evidência o papel da diplomacia comercial para superar barreiras e fortalecer alianças estratégicas.

Fávaro, por sua vez, deixa claro que o Brasil está disposto a defender seus interesses e que atitudes como as do Carrefour não ficarão sem resposta. O embate, além de econômico, agora também é político, envolvendo questões de soberania e a busca por um equilíbrio no comércio internacional.

Frigoríficos suspendem fornecimento de carnes ao Carrefour Brasil em resposta a boicote francês

A decisão de grandes frigoríficos brasileiros, como JBS, Marfrig e Masterboi, de suspender o fornecimento de carnes ao Grupo Carrefour Brasil já começa a causar impactos no abastecimento das unidades da rede, que incluem Carrefour, Atacadão e Sam’s Club. A medida foi tomada após o anúncio do CEO do Carrefour na França, Alexandre Bompard, de que a rede deixará de vender carne proveniente do Mercosul em seus estabelecimentos franceses.

Embora o Grupo Carrefour Brasil tenha informado, em nota, que não há desabastecimento imediato de carnes em suas lojas, fontes do setor indicam que os efeitos da suspensão poderão ser sentidos nas próximas semanas, à medida que os estoques de produtos resfriados e congelados forem reduzidos. Ao todo, mais de 150 unidades da rede no Brasil são atingidas pela interrupção do fornecimento, sendo que a Friboi, da JBS, representa 80% do volume de carne fornecido ao Carrefour.

A suspensão começou no dia 20 de novembro, com frigoríficos interrompendo a saída de produtos destinados às lojas do grupo. Segundo informações do setor, caminhões com entregas previstas para cerca de 50 lojas foram imediatamente retidos. A JBS, que detém participação significativa no abastecimento de carne para a rede, também bloqueou a saída de mercadorias de suas fábricas e centros de distribuição.

Resposta do Carrefour Brasil

Em nota divulgada nesta segunda-feira (25), o Grupo Carrefour Brasil lamentou a situação e destacou o impacto da suspensão para seus clientes. A empresa ressaltou sua “estima e confiança” no setor agropecuário brasileiro e reafirmou seu compromisso com o diálogo para resolver o impasse.

“Entendemos a importância deste setor para a economia e para a sociedade como um todo, e continuamos comprometidos com o fortalecimento dessa relação”, afirmou a nota.

Apesar disso, o grupo não anunciou medidas concretas para solucionar a crise nem se posicionou publicamente sobre as declarações feitas por Alexandre Bompard na França. O Carrefour reforçou, porém, que mantém há 50 anos uma relação de parceria com seus fornecedores no Brasil, baseada na confiança mútua, e que segue trabalhando para reverter a situação.

A decisão dos frigoríficos brasileiros foi amplamente endossada pelo governo federal. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, classificou a atitude da rede francesa como “desproporcional” e defendeu uma resposta firme da indústria nacional. Segundo o ministro, a qualidade sanitária e a confiabilidade dos produtos brasileiros são reconhecidas mundialmente, e a postura do Carrefour na França representa um protecionismo que prejudica a economia do Mercosul.

“É uma questão de soberania nacional. Se para o povo francês o Carrefour não serve comprar carne brasileira, que o Carrefour também não compre carne brasileira para colocar nas suas gôndolas aqui no Brasil”, declarou Fávaro em entrevista recente.

A indústria frigorífica exige uma retratação pública de Alexandre Bompard para reconsiderar a retomada do abastecimento. O movimento é visto como uma tentativa de defender a imagem e os interesses do agronegócio brasileiro em um momento de tensões comerciais, especialmente em meio às negociações para o acordo entre Mercosul e União Europeia.


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