25/05/2024 - Edição 540

Brasil

Fake News sobre o RS contaminam redes e colocam Brasil na rota global de desinformação da extrema direita

Lula suspende parcelas e perdoa juros da dívida do RS por 36 meses: presidente deve anunciar auxílio financeiro às pessoas atingidas pela tragédia

Publicado em 14/05/2024 9:51 - Rafael Vilela e Pedro Rafael Vilela (Agência Brasil), Ricardo Noblat (Metrópoles), Jamil Chade e Letícia Casado (UOL) – Edição Semana On

Divulgação Ricardo Stuckert - PR

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A disseminação de notícias falsas sobre a atuação do governo federal e do Exército nos resgates no Rio Grande do Sul alimentou a insatisfação de parte da população com a atuação de entes públicos na resposta à catástrofe.

Essa insatisfação pode ser traduzida em números. Levantamento feito pela consultoria Quaest a pedido da coluna mostra que 70% das menções ao Exército nas redes sociais entre os dias 3 e 10 de maio foram negativas.

A empresa, especializada em monitoramento digital, analisou as menções sobre o assunto nas principais redes sociais — X (antigo Twitter), Instagram, Facebook, Reddit, Tumblr e YouTube —, e nos sites de notícias com uma ferramenta própria para buscar palavras-chaves relacionadas ao tema.

A Quaest coletou uma amostra de mais de 732 mil menções relacionadas ao desempenho das Forças Armadas durante a tragédia no estado. Elas foram originadas por 146 mil perfis nas redes.

Diretor da Quaest, Felipe Nunes diz que não foi possível comprovar se o movimento dos ataques ao Exército foi organizado: “Parece ser bem orquestrado sim. Mas não temos evidências disso. Por isso é difícil afirmar.”

Especialistas veem por trás dos comentários indícios de uma máquina de fake news organizada e bem articulada na distribuição de desinformação sobre a omissão de socorro no Rio Grande do Sul.

Fake news de caminhões e no Congresso

O pico dos ataques ao Exército se deu entre os dias 8 e 9 da semana passada, segundo a pesquisa.

Foi justamente neste período que entraram em cena dois ingredientes que potencializaram a guerra de narrativas sobre quem ajuda mais os gaúchos: governo e Forças Armadas ou os voluntários.

Diversas publicações nas redes sociais desinformavam sobre o trânsito de doações para o Rio Grande do Sul antes mesmo de uma reportagem do SBT mostrar um caminhão multado por excesso de peso, no dia 7. No entanto, seis de um total de 7.928 veículos foram autuados e liberados —depois, a ANTT publicou uma série de medidas para orientar o trânsito de ajuda humanitária e informou que as multas seriam anuladas.

Mas a reportagem foi disseminada como o padrão para a situação— ainda que os internautas ignorassem que os outros 7.922 veículos foram liberados sem problemas.

No dia seguinte, quarta-feira (8), ao menos sete deputados usaram seu tempo de fala no plenário para reproduzir desinformação sobre as enchentes durante sessão na Câmara.

Parlamentares bolsonaristas passaram então a usar as redes para atacar governo e Exército. Essas publicações geram engajamento negativo para os entes públicos.

Mudança de posicionamento de bolsonaristas

A disseminação de fake news por parte de bolsonaristas expõe a decepção deste grupo com o Exército na era Lula.

A pesquisa Quaest constatou que as reações de internautas e parlamentares às ações das Forças Armadas na tragédia “tem indicado uma mudança de posicionamento entre os dois polos políticos”.

“Enquanto políticos ligados à direita se tornaram os principais críticos das Forças Armadas, figuras alinhadas à esquerda têm mencionado a instituição de forma mais positiva”, diz o relatório da Quaest.

O que dizem nas redes, segundo a Quaest

– As críticas argumentam que outras pessoas e instituições têm auxiliado mais do que as Forças Armadas no enfrentamento das enchentes no Rio Grande do Sul.

– Parlamentares alinhados ao bolsonarismo têm publicado supostas fake news sobre a qualidade dos equipamentos das Forças Armadas e criticado a eficiência logística da instituição, além de apontar suposta demora no auxílio aos afetados.

– No lado do governo, a narrativa é diferente: enquanto ministros e parlamentares argumentam que o trabalho do governo em conjunto das Forças Armadas tem salvado diversas vidas durante a tragédia, influenciadores alinhados ao governo destacam o trabalho ininterrupto do Exército.

Crise climática no RS entra na rota global de fake news da extrema direita

Há poucos dias, Jair Bolsonaro afirmou nas redes sociais que “problematização climática é desinformação”. “Tudo orquestrado pelos gigantes que exigem dos outros o que não cumprem. Ou seja, inviabilizam o desenvolvimento de países com potencial, garantindo aos líderes destas repúblicas a sua manutenção no poder sob o custo de escravizar ainda mais seu próprio povo”, escreveu.

Ele fazia alusão a uma reportagem, publicada no UOL, que revela como o governo Lula raramente convocou seu principal órgão destinado aos temas climáticos.

A afirmação do ex-presidente, porém, não é um caso isolado. Na Europa e em outros lugares do mundo onde a extrema direita ganha força, uma das mais profundas mudanças na estratégia eleitoral e política do movimento ultraconservador tem sido a de usar a questão climática para supostamente mostrar para a população que o tema é apenas uma invenção das elites e que o povo é quem paga a conta.

Assim como há uma década era a questão da imigração que servia de trampolim e bode expiatório para mobilizar votos, agora é a questão climática que desembarca como arma eleitoral.

Com desinformação e manipulando dados, a extrema direita passou a recorrer ao assunto para fortalecer um racha na sociedade, denunciar a “elite”, incentivar a divisão e, assim, sair em busca de apoio.

No início de maio, a líder da extrema direita francesa Marine Le Pen deu o tom: “A ideologia dos ambientalistas é a luta contra os seres humanos”. Em seu novo programa eleitoral, ela defende uma ação ecologista que “respeite o equilíbrio entre as atividades humanas e a natureza”.

Seu partido busca, faltando um ano para eleições francesas e com a votação para o Parlamento Europeu na mira, restabelecer o sentido de divisão na sociedade. De um lado, a população urbana, mais propensa a defender ecologistas. De outro, a população rural ou de pequenas e médias cidades que vê qualquer ato ambientalista como um peso para seu modelo de negócios e seu apego pela terra.

O mote de sua campanha, porém, nada mais é que uma promessa ao eleitorado de que o estilo de vida da população não mudará.

Aquecimento de casas na Alemanha vira símbolo

Le Pen apenas repetiu o que, meses antes, a Alemanha enfrentou. O governo de centro-esquerda de Olaf Scholz passou a implementar leis que transformariam certos aspectos da vida cotidiana, adotando finalmente medidas concretas para a transição energética. Para especialistas, tudo isso ocorre com anos de atraso.

Uma dessas medidas era a simples — mas fundamental 0- transformação do sistema de aquecimento das casas, o que causaria um impacto financeiro para a população.

Imediatamente, o partido herdeiro da ideologia nazista — o Alternativa para Alemanha (AfD) — se apossou do debate e passou a acusar os ecologistas e socialista de quererem “decidir” como a população deve aquecer suas casas. A “liberdade” estava em jogo, segundo eles.

Assim, o aquecedor passou a ser usado como “exemplo” de como a esquerda não olha para sua população, enquanto a extrema direita se apresentava como a única a sair em defesa dos mais vulneráveis.

O aquecedor ainda foi transformado em arma na estratégia da extrema direita de recuperar o racha na sociedade alemã, temporariamente suspensa depois que o país foi alvo de enchentes que destruiram cidades inteiras.

Como resultado da manipulação e temendo ver a extrema direita ganhar força, o governo Scholz teve de reduzir sua ambição e acabou submetendo para a aprovação do Parlamento uma lei com certas flexibilidades.

Membros do AfD — inclusive uma herdeira de ministros nazistas — mantém uma estreita relação com o núcleo duro do bolsonarismo.

“Liberdade” aos fazendeiros holandeses

Um caso que sinalizou a força da extrema direita foi o da Holanda. Em 2019, a Corte Suprema do país determinou que a Holanda era obrigada a cumprir os padrões da UE em termos de preservação. A decisão foi comemorada por cientistas, pesquisadores e ambientalistas.

Mas, imediatamente, foi iniciado um protesto por parte de fazendeiros. Meses depois, o protesto se transformou no “Movimento Fazendeiro-Cidadão”, que se atribuiu o papel de “falar por aqueles que são negligenciados no campo e cidadãos comuns”.

Dali, um partido nasceu, com a bandeira de desfazer as medidas ambientais propostas pelo governo. Em grupos de Telegram e nas redes sociais, a extrema direita se aliou aos fazendeiros e passaram a difundir desinformações e a tese de que as produções agrícolas da Holanda seriam fechadas para dar lugar a refugiados.

Muitos desses grupos levam em seus nomes a palavra “liberdade” e são marcados por teorias conspiratórias. Num deles, foi divulgado o suposto plano de fechar as fazendas holandesas para que o acesso à alimentação seja mais fácil e, assim, o governo teria amplos poderes para controlar a população.

Meses depois, o BBB (a sigla do partido em holandês) causou um terremoto político nas eleições locais e passou a ser a maior força do Senado.

Herdeiros de Franco e negacionistas climáticos no comando

Na Espanha, o movimento que é herdeiro do franquismo, o VOX, deixou claro sua rejeição pelas medidas ecologistas durante as eleições de 2023. O partido acusa os socialistas de estarem sob ordens dos “ecologistas radicais” e fala em “religião climática”.

O discurso, assim como na Alemanha e França, fala sobre a necessidade de sair ao suposto resgate do cidadão comum, contra as medidas ambientais.

Em seu programa eleitoral, o VOX acusa os ambientalistas de “impedir que os recursos sejam explorados e de colocar sobre os ombros dos espanhóis o peso da transição ecológica”.

Contra qualquer ato que possa “criminalizar nossos trabalhadores e agricultores”, o líder do movimento, Santiago Abascal, garante que protege o meio ambiente. Mas usa a mesma lógica de Le Pen: “O VOX parte do princípio que o ser humano é o elemento mais importante do meio ambiente”.

Nos lugares que passou a governar, o VOX – que mantém uma relação intensa com o bolsonarismo – fechou agências de meio ambiente, cortou drasticamente recursos e passou a adotar um discurso abertamente negacionista.

Emblemático foi o caso do porta-voz do partido em Mallorca, Pedro Bestard, que assumiu a administração de Meio Ambiente do local e anunciou: “nego a mudança climática”.

Governo suspende parcelas e perdoa juros da dívida do RS por 36 meses

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou ontem (13) a decisão de suspender o pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União pelo período de 36 meses. Além disso, os juros que corrigem a dívida anualmente, em torno de 4%, serão perdoados pelo mesmo período. O estoque da dívida do estado com a União está em cerca de R$ 100 bilhões atualmente e, com a suspensão das parcelas, o estado disporá de R$ 11 bilhões a serem utilizados em ações de reconstrução. O Rio Grande do Sul é um dos estados que participa de um regime de recuperação fiscal com a União, assinado em 2022, e enfrenta efeitos devastadores das enchentes que atingem a região há cerca de duas semanas.

O anúncio da suspensão da dívida foi feito em reunião com as presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador gaúcho, Eduardo Leite – que participou de forma remota -, dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, do vice-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, além de outros ministros do governo federal, como Rui Costa (Casa Civil) e Paulo Pimenta (Comunicação Social).

Segundo Haddad, a suspensão da dívida e renúncia dos juros está prevista em proposta de lei complementar que será enviada ao Congresso Nacional, que precisa aprovar o texto. O projeto de lei prevê que os recursos que o Rio Grande do Sul deveria pagar à União sejam depositados em um ‘fundo contábil’ com aplicação exclusiva em ações de reconstrução da infraestrutura do estado.

“Essa [proposta de] lei complementar prevê a suspensão do pagamento da dívida do Rio Grande do Sul, 100% do pagamento, durante 36 meses. E, para além disso, é importante frisar esse aspecto que eu vou citar. Os juros da dívida serão zerados sobre o estoque, sobre todo o estoque da dívida, pelo mesmo prazo. O que significa dizer que nós vamos poder contar com cerca de R$ 11 bilhões, que seriam destinados ao pagamento da dívida do Rio Grande do Sul, frente à União, para um fundo contábil, que deverá ser investido na reconstrução do estado, segundo um plano de trabalho que o senhor [governador] vai elaborar, junto com sua equipe, evidentemente, em diálogo com o povo do Rio Grande do Sul”, anunciou durante a transmissão.

Em seguida, Haddad explicou que o perdão dos juros que incidem sobre a dívida, de 4% ao ano, gerará uma economia de cerca de R$ 12 bilhões para o estado em 36 meses, superior ao valor das parcelas que ficarão suspensas durante o período.  “Ao final dos 36 meses, os juros sobre o estoque de todo o período estarão sendo perdoados, o que é superior à soma das 36 parcelas”.

Depois da reunião, Arthur Lira disse nas redes sociais que a Câmara dos Deputados vai analisar o projeto ainda nesta semana, no menor prazo possível, dentro de um “esforço concentrado para mitigar o sofrimento da população gaúcha”.

Compromisso

Em declaração pouco antes do anúncio, o presidente Lula destacou a participação dos chefes dos Três Poderes como sinalização do compromisso com a recuperação total do Rio Grande do Sul e aprovação das medidas em curso.

“Eu queria, outra vez, governador, dizer pra você que a composição dessa mesa é a necessidade de passar, para o povo do Rio Grande do Sul, a ideia de que todas instituições que têm a ver com a governança desse país, que têm que a ver com sustentabilidade da democracia desse país, estão unidas em torno Rio Grande do Sul. Não teremos problemas de aprovar as coisas na Câmara, no Senado. Não teremos problemas no Tribunal de Contas da União, na Suprema Corte. Tudo será feito de comum acordo para que a gente possa atender o mais rápido possível as necessidades do povo gaúcho”, afirmou.

Em resposta, o governador Eduardo Leite agradeceu a interlocução do governo federal, explicou que o estado chegou a pleitear um pedido de quitação da dívida, mas classificou como “passo muito importante” a suspensão de pagamento do débito por três anos.

“Nesse tema da dívida, acho que damos um passo muito importante nessa definição, nessa decisão. Nós fizemos essa demanda. A nossa demanda inclui um pedido de quitação desses valores, mas entendemos que é um passo, sem prejuízo de tantos outros que serão necessários”, afirmou o governador. Segundo Leite, antes mesmo da catástrofe climática que se abateu sobre o estado, a dívida dificultava a vida da administração estadual.

“Mesmo sem crise climática, o Rio Grande do Sul já enfrentava dificuldade, ter contas em dia, pagar salários em dia, pagar hospitais em dia, ter alguma capacidade de investimento. Mas, diante dessa tragédia, esse pagamento da dívida se torna um torniquete insuportável para o estado. Já era dramática a situação antes, mais ainda [agora]”, acrescentou. Para Leite, no entanto, a suspensão ainda não será suficiente para o que ele estima de recursos necessários à reconstrução do Rio Grande do Sul.

“Infelizmente, não posso dizer que será suficiente esta medida. Vamos precisar de outros tantos apoios em outras tantas frentes e continuar discutindo o tema da dívida no futuro. Os efeitos se farão sentir por alguns anos, não apenas neste meu governo, como também no próximo governo e, possivelmente, por mais alguns anos”, observou.

O presidente Lula ainda reafirmou o compromisso de seguir apoiando a recuperação do estado e pediu que o governador mantenha as demandas que achar necessárias para a recuperação total.

“Não deixem de reivindicar aquilo que vocês entendem que pode ajudar o Rio Grande do Sul. É uma catástrofe que a gente não estava preparado, para algo dessa magnitude. Tivemos outras enchentes, mas não dessa magnitude”, disse.

Lula deve anunciar auxílio financeiro às pessoas atingidas no RS

O presidente Lula deve ir ao Rio Grande do Sul novamente nesta quarta-feira (15) e prometeu o anúncio de medidas de apoio financeiro direto às pessoas para a recuperação de parte dos bens perdidos durante as enchentes que varreram diversas regiões do estado e deixaram centenas de milhares de famílias desabrigadas e desalojadas.

“Quero anunciar uma série de medidas para as pessoas físicas, ou seja, o recurso para que as pessoas que perderam suas coisas, que precisam comprar alguma coisa, recebam recursos da União para que possam começar a repor parte daquilo que perderam”, disse o presidente.

Uma das medidas em discussão é a criação de uma espécie de auxílio emergencial, similar ao adotado durante a pandemia de covid-19, para socorrer especialmente as pessoas que perderam suas atividades remuneradas e estão desempregadas. A medida ainda não foi anunciada oficialmente pelo governo.

“Não vamos descansar enquanto o Rio Grande do Sul não estiver 100% de pé, vendendo e emprestando o orgulho do povo gaúcho”, completou o presidente.

Aproxima-se a hora de apontar os responsáveis pela tragédia gaúcha

Junte chuva em demasia, como jamais se viu antes, e sistemas falhos de defesa de cidades cortadas por rios. Adicione notícias falsas produzidas por ignorantes ou espertos que tentam se aproveitar politicamente delas. Misture e bata tudo com a ajuda de ventos fortes.

A tempestade perfeita está pronta para ser servida. Foi assim no Rio Grande do Sul – ou melhor: está sendo assim desde o início da semana passada e não tem data para terminar, dando início ao balanço de perdas e danos e à reconstrução do que for possível reconstruir.

O fim da tempestade também dará lugar ao exame profundo de tudo que foi feito de errado desde muito tempo, e à apuração de responsabilidades. Sim, porque não adianta culpar Deus, uma vez que ele dotou o homem de livre arbítrio. Ou dizer que foi castigo que caiu do céu.

Culpados, os há. Se não forem punidos, pelo menos que sejam apontados. Heróis, a população os reconhece facilmente, e a sensação de dever cumprido basta para eles. Ou então seriam heróis de fancaria, oportunistas, aproveitadores da desgraça alheia em busca dos seus poucos minutos de glória.

Lula, que irá amanhã ao Rio Grande do Sul pela terceira vez em menos de 15 dias, reuniu-se com 38 ministros na segunda-feira (13) e cobrou deles unidade no discurso e nas ações para combater a tragédia que já matou 147 pessoas e feriu 806. Há 127 desaparecidos.

Na ocasião, tanto Lula como o ministro Rui Costa, chefe da Casa Civil, disseram que houve problemas em comportas no Rio Grande do Sul. Segundo Costa, havia 23 comportas no estado que atuariam para evitar as enchentes, mas apenas uma teria funcionado plenamente.

Se as comportas estivessem em bom estado, a tragédia poderia ter sido menor. Mesmo com o alto nível da água, ela não ultrapassou a marca de 6 metros do muro de contenção. No entanto, por falhas de manutenção, a água entrou por brechas na parte de baixo das comportas.

Lula foi mais explícito e direto, embora cuidadoso: “Esse fenômeno que aconteceu, sabe, me parece que não foi só o fenômeno da chuva, me parece que tem o fenômeno também das pessoas que não cuidaram das comportas que deveriam ter cuidado há muito tempo”.

E acrescentou: “Mas tudo isso é um problema a ser resolvido daqui para frente. Vamos dar a nossa contribuição ao povo do Rio Grande do Sul, inclusive apresentando uma discussão nacional sobre a questão de resolver definitivamente as enchentes na cidade de Porto Alegre”.

Costa afirmou ainda que há intenção do governo de contratar estudo de uma consultoria internacional para fazer o diagnóstico dos problemas no estado e apontar soluções. Um dos objetivos do levantamento seria analisar a viabilidade da construção de um canal de escoamento.

Ele também mencionou que o governo estuda comprar imóveis em construção no Rio Grande do Sul e em áreas não atingidas pelas enchentes para oferecê-los dentro do programa Minha Casa Minha Vida. Fernando Haddad, ministro da Fazenda, falou em dinheiro.

De acordo com Haddad, a soma do dinheiro que o governo federal enviará aos gaúchos e do alívio com a suspensão do pagamento da dívida do estado por três anos, resultará em cerca de R$ 23 bilhões, a serem empregados exclusivamente em obras de reconstrução.


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