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Brasil
Fórum Econômico Mundial aponta que acesso à educação será decisivo para o futuro do trabalho
Publicado em 22/01/2025 10:11 - Semana On
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A promessa de um mercado de trabalho transformado pela tecnologia, sustentabilidade e mudanças demográficas guarda um paradoxo inquietante: enquanto as tendências globais apontam para a criação de 170 milhões de empregos até 2030, outras 92 milhões de ocupações desaparecerão, segundo o relatório mais recente do Fórum Econômico Mundial (FEM). O saldo positivo de 78 milhões de vagas, no entanto, está longe de ser uma vitória universal. Os países que não enfrentarem desigualdades estruturais podem ficar à margem dessa revolução, concentrando seus esforços em setores de baixo valor agregado enquanto as economias mais qualificadas avançam.
O documento avalia que a distribuição desigual de oportunidades e qualificação é o divisor de águas. Nações que priorizarem políticas de requalificação contínua de sua força de trabalho terão mais chances de prosperar em áreas como tecnologia informacional, enquanto aquelas presas a antigos modelos econômicos correm o risco de perpetuar ocupações menos qualificadas, como as de motoristas ou camponeses.
O Brasil e o desafio do século 19 no século 21
Para o Brasil, esse cenário apresenta um dilema quase anacrônico: enquanto as economias mais avançadas debatem inteligência artificial e automação, o país ainda luta com uma desigualdade socioeconômica que remonta ao século 19. A consultora Thais Requito, especialista em futuro do trabalho, aponta que o desafio brasileiro é ainda mais complexo.
“Temos que dar alguns passos para trás para olhar para as pessoas que não têm acesso ao mínimo. Estamos falando de um futuro do trabalho onde robôs e humanos coexistem, mas muitas pessoas no Brasil sequer têm educação básica para competir nesse mercado”, avalia.
Segundo a especialista, a falta de políticas públicas de qualificação e inclusão amplia a vulnerabilidade de quem ocupa empregos facilmente substituíveis pela tecnologia. A renda básica universal, tema de debate em países desenvolvidos, aparece como uma alternativa para garantir dignidade e subsistência à parcela da população que não encontrará espaço no mercado.
O impacto da geopolítica e da demografia
A questão da desigualdade se agrava no cenário internacional. O relatório do FEM destaca que tensões geopolíticas, como conflitos armados e a ascensão da extrema direita, impactam a cooperação entre nações e restringem oportunidades econômicas. Economias mais fechadas tendem a priorizar a proteção de seus próprios mercados, dificultando trocas que poderiam beneficiar países como o Brasil.
Além disso, o envelhecimento populacional, uma realidade já perceptível em diversas nações, aumenta a demanda por cuidadores e outras funções relacionadas à longevidade. Isso exige qualificação em áreas específicas, mas também demanda políticas públicas robustas para integrar profissionais de faixas etárias mais altas em mercados historicamente desenhados para os jovens.
Habilidades humanas no centro da transformação
Apesar dos desafios, há um ponto de otimismo. Habilidades humanas, como empatia, pensamento crítico, autorregulação e capacidade de adaptação, serão ainda mais valorizadas em um futuro marcado pela incerteza e pela automação. “Essas habilidades serão úteis em qualquer contexto, seja você engenheiro, marceneiro ou padeiro. Elas podem garantir que você continue prosperando na sua carreira, independente das transformações”, analisa Requito.
Mas essas competências precisam ser calibradas com qualificação permanente. O caráter dinâmico do mercado de trabalho atual exige aprendizado contínuo, que pode ser a única salvaguarda contra a obsolescência, alerta o relatório.
O futuro ainda é incerto
O relatório do Fórum Econômico Mundial deixa claro que o futuro do trabalho será moldado por decisões tomadas hoje. Para países como o Brasil, combater desigualdades históricas não é apenas uma questão de justiça social, mas uma condição essencial para participar da revolução global da requalificação.
A responsabilidade de governos, empresas e instituições de ensino em promover acesso à educação e criar políticas públicas robustas será determinante para que o país não fique preso ao passado enquanto o restante do mundo avança.
O documento sobre o futuro do emprego no planeta é baseado em estudos de 55 economias, inclusive a brasileira. O texto de cerca de 300 páginas está disponível na internet.
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