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Brasil

Com ICMS menor, preço do litro do diesel cai R$ 0,15

Publicado em 10/07/2015 12:00 -

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Reduzir de 17 para 12% a alíquota de ICMS cobrada sobre a venda do óleo diesel foi um compromissos de campanha do governador Reinaldo Azambuja. Renunciar a uma receita mensal de R$ 20 milhões, num cenário financeiro complicado, com retração da atividade econômica, foi uma ousadia que Reinaldo resolveu apostar na perspectiva de que o incremento do consumo (empurrado pelos preços mais baixos) vai compensar esta perda inicial de arrecadação. Fechar está equação não é um desafio pequeno: será preciso aumentar o consumo de diesel do Estado em quase 20 milhões de litros o consumo mensal.

Pelo menos nos 10 primeiros dias de cobrança do ICMS com alíquota quase 30% menor, em vigor desde o dia 1º de julho, o consumo de diesel aumentou 15% em relação ao período anterior, impulsionado basicamente pela redução média de R$ 0,15 por litro, no preço cobrado nos postos. A avaliação do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência (Sinpetro) é de que a partir de agosto, quando for revista a pauta que serve de base de cálculo do imposto, o benefício para o consumidor será ainda maior.

“Hoje o imposto é calculado sobre R$ 3,16, um preço que acima do que é praticado atualmente, entre R$ 2,75 e R$ 2,90. O diesel ficará ainda mais barato, quando a pauta for ajustada a nova realidade de preço”, assegura o assessor técnico do Sinpetro, Edson Lazzarotto. Ele está convencido de que consolidada a tendência atual, boa parte dos 60 postos instalados ao longo das estradas, fechadas por causa da concorrência do preço mais baixo cobrado nos estados vizinhos, serão reabertos.

“O diesel mais barato garante competitividade ao Estado, beneficiado quase todas as cadeias produtivas com o barateamento do frete”, avalia o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logísticas (Setlog/MS),Claudio Cavol. Ele está convencido que o preço do litro do diesel vai cair ainda mais, se estabilizando em R$ 2,70.

Pesquisa

A última pesquisa de preços realizada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Bicombustível (ANP) com 45 postos de combustíveis de Campo Grande, entre os dias 21 e 27 de junho, mostra que o preço médio do óleo diesel é de R$ 3,035, ou seja, se a estimativa do Sindicato se concretizar, o reajuste pode impactar em até 11% o valor atual.

Na avaliação do dirigente do Setlog, com os novos valores, que devem começar a serem aplicados de forma significativa na segunda quinzena de julho, o diesel de Mato Grosso do Sul aumenta sua competitividade em relação aos demais estados. Num comparação rápida, os preços no interior do Paraná, na cidade de Cascavel, por exemplo, o preço médio do diesel é de R$ 2,825, enquanto hoje, na Capital de MS, o preço médio é superior a três reais, ou seja, quase R$ 0,20 mais caro.

Em municípios que fazem divisa com outros estados, como Três Lagoas, na região do Bolsão, o preço do diesel já caiu bem além do que o esperado, tendo queda de R$ 0,50. “Recebemos esta informação que no município tem postos vendendo o diesel por R$ 2,50, já se trata de um bom resultado”, revela o representante do segmento de transporte.

Os caminhoneiros também comemoram o barateamento do diesel. Há 25 anos na estrada, o caminhoneiro José Olavo Pancoti, 60 anos, tem o próprio caminhão e transporta grãos para Santos e interior de São Paulo. Ele conta que costumava encher o tanque na cidade paulista, onde o valor é menor, mas que volte meia precisa abastecer em Campo Grande. “Toda a economia é bem vinda, vou ficar mais tranquilo em abastecer aqui. Antes não dava, porque, no final das contas, a diferença chegava a R$ 300 de um estado para outro”, diz.

Alguns motoristas chegam a gastar R$ 2 mil para encher o tanque, dependendo do modelo do veículo. Como é o caso do caminhoneiro Maurício Ricardo Arruda, 39, que transporta soja para o Brasil todo.
Com a redução da alíquota, o Estado já começa a vender diesel mais barato em relação a algumas cidades do Mato Grosso, de acordo com Sebastião Farias, 43. Ele está no ramo há 23 anos e transporta grãos até a cidade de Jangada (MT). “Agora, muitos motoristas vão optar em encher os tanques aqui”, afirma.

É o que espera Celcemir Nogueira, gerente do posto de combustível Caravágio que fica na BR-163, saída para São Paulo. “Ainda existe uma diferença grande em relação a São Paulo, mas vamos poder concorrer com outros estados”, pontua. No local, o litro do diesel era vendido a R$ 2,88 e passou para R$ 2,735. Segundo o gerente, em média 600 veículos abastecem no estabelecimento por dia. Com a redução, a expectativa é que esse número aumente ainda mais.

Reinaldo otimista

O governador Reinaldo Azambuja está convencido de que a diminuição do imposto não vai abalar a receita do Estado porque o aumento do consumo, que, ele espera seja de de 30% cobrirá eventuais perdas de receita.  “Aquele que trafegar por Mato Grosso do Sul vai sentir a diferença que chegará para o consumidor final. Aumento do consumo realizado, aferido mensalmente , se chegarmos em dezembro isso se confirmando  a redução da alíquota dos 12% irá permanecer para os próximos anos”, afirmou o governador, acrescentando que espera a colaboração de distribuidoras e revendedoras  para que o projeto tenha êxito em MS.


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